Maio de 2007
Bobagem ambientalista
Informativo Rural

“Abril sangrento”

O “abril vermelho” veio com novidades. Começou com as invasões no Pontal do Paranapanema. Promovidas pelo MST, ala do José Rainha, dizem que não tiveram o apoio da direção do MST. Seguiram-se invasões promovidas por organizações sindicais como Fretaf, Contag e CUT, também com troca de acusações entre suas direções. O MST apareceu enrustido na Via Campesina — uma multinacional da invasão — e voltado ao ataque às grandes empresas do agronegócio, difundindo o que chamam de agroecologia. Os sem-terra manifestaram a intenção de só negociar com Lula e o ministro do Desenvolvimento Agrário. Certamente estão à procura de mais verbas e mais cestas básicas...

Frente Parlamentar pró-Reforma Agrária

Perto de 170 deputados pertencentes à esquerda legislativa formaram a Frente Parlamentar sobre Terra, Território e Biodiversidade: querem agricultura familiar camponesa, Reforma Agrária e desenvolvimento sustentável. O coordenador da Frente, Dr. Rosinha (PT-PR), declarou o objetivo último: “Nossa vitória final só acontecerá quando derrotarmos o capitalismo”. A frente procurará agilizar a aprovação do projeto sobre o “trabalho escravo”, como instrumento de expropriação, e aprovar a aplicação de novos índices de produtividade. Propugna também a simplificação do processo de desapropriação, a remoção de obstáculos jurídicos e o controle do uso de liminares.

O assentamento sustentável é insustentável

O assentamento sustentável vinha tendo ênfase desde o governo FHC, que os criou. Fizeram parte dos Projetos de Desenvolvimento Sustentável (PDS), de Assentamento Agroextrativista (PAE) e de Assentamento Florestal (PAF). A freira Doroty era a grande propugnadora desse tipo de assentamentos na Amazônia. Agora percebeu-se que eles são insustentáveis. Assim são os sonhos e utopias socialistas. Nascem nos papéis e arrebentam-se na realidade.

Bobagem ambientalista

O ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, não entende por que os ambientalistas abrem fogo contra a expansão da produção do álcool. Em entrevista a Celso Ming, declarou: “Essa idéia de que a cultura da cana-de-açúcar ampliará o desmatamento e destruirá a floresta amazônica só pode estar sendo espalhada por quem não entende do assunto”.

A cana vai invadir o Pantanal e a Amazônia?

“É uma bobagem técnica sem tamanho afirmar que a cana vai invadir o Pantanal e a Amazônia. A cana é um canudo que chupa água no tempo da chuva e a devolve para o solo no tempo da seca, que é quando concentra a sacarose. No Pantanal ou na Amazônia a cana não completa esse ciclo, porque enfrenta umidade o tempo todo. Lá a cana não serve para produção de açúcar ou álcool, porque o caule se enche de água, apodrece, e da touceira nascem outros brotos, que depois também não conseguirão concentrar sacarose”.

Vai invadir a área de produção de alimentos?

Ele também refuta a argumentação de que a cana vai invadir a área da produção de alimentos: "Por uma questão puramente técnica, a cada seis anos a área ocupada pela cana tem de passar por rotatividade, quando a terra precisa ser ocupada com outra cultura, em geral a soja, que vai fixar nitrogênio no solo: sai uma gramínea (cana) e entra uma leguminosa (soja). Logo, se aumenta a cultura da cana, aumenta também a de alimentos”.

Vai asfixiar a agricultura familiar?

Ele também rejeita a idéia de que o agronegócio vai asfixiar a cultura familiar: “Há espaço tanto para as grandes plantações como para as menores. Os pequenos fornecedores de cana-de-açúcar são vitais para qualquer usina de açúcar e álcool”.

Sem-terra “tomam posse” no lugar do INCRA

Tudo foi perfeitamente sincronizado. MST e CUT invadem a fazenda Floresta em Araçatuba (a 14ª das invadidas pelo consórcio político MST-CUT). A Justiça Federal de Araçatuba deu posse da área ao INCRA. A fazenda tinha sido considerada improdutiva e os proprietários recorreram. O TRF confirmou a sentença e deu a posse da área ao INCRA. Os sem-terra, avisados pelo INCRA da imissão de posse da área, invadiram a sede da fazenda, deram prazo para os empregados se retirarem. Como a fazenda está plantada com cana de açúcar, os sem-terra e agregados já expropriaram as plantações, argumentando que “a usina plantou no que não era dela, portanto essa cana deve reverter em benefício dos acampados”. Velho costume...

Índios x sem-terra, no melhor estilo faroeste

Em São Félix do Xingu (PA), 200 famílias de sem-terra invadiram as fazendas Canaã e Rancho Grande, ao lado das quais fica a Reserva Indígena Trincheira Bacajá, que foi ocupada na ação. Os índios avisaram que, se a área não for desocupada, os sem-terra serão mortos.

Sem-terra suspeitos de saque deixam acampamento

Basta um carro se aproximar, para entrarem em pânico integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra, acampados numa fazenda em Maracangalha no município de São Sebastião do Passé (BA), a 56 quilômetros de Salvador. “Estamos com medo”, diz o coordenador da invasão. A história é longa. Trata-se do acidente com um bimotor que transportava R$ 5,6 milhões de Petrolina a Salvador. Na queda, morreram o piloto, o co-piloto e os dois seguranças que faziam escolta. A polícia chegou ao local do acidente meia hora depois da queda. Encontrou cerca de cem pessoas recolhendo dinheiro. À noite, os próprios saqueadores começaram a ser assaltados.

Entre os policiais que rastreiam o destino do dinheiro, cresce a desconfiança de que integrantes de um acampamento do MST tenham ficado com a maior parte do dinheiro. O número de pessoas na comunidade caiu pela metade. Os barracos, que eram cerca de 80, não passam de 40.

CNA vai ao Supremo contra Reforma Agrária

O Supremo Tribunal Federal (STF) deve julgar brevemente uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin), que pode mudar os rumos da Reforma Agrária no País. Proposta pela Confederação Nacional da Agricultura (CNA), a ação pede mudanças em partes da Lei 8.629/93, que define os critérios utilizados na desapropriação de terras para a reforma. Elas seriam inconstitucionais. A CNA afirma que a Lei 8.629/93 está em desacordo com os artigos da Constituição que definem quais imóveis podem ser desapropriados para a reforma. Considera errado exigir que o proprietário rural atinja simultaneamente os índices de produtividade e de utilização da terra. É de se louvar que a CNA tenha entrado em campo para defender os proprietários na questão da Reforma Agrária, depois de tão longa omissão.

Se aceita, a ação pode inviabilizar a Reforma Agrária, segundo o presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Rolf Hackbart.

Para entender melhor, imaginem-se duas propriedades numa mesma região, com 200 hectares cada. Na primeira, o proprietário planta 160 hectares de milho e colhe 800 toneladas; seu vizinho planta 150 hectares, mas usa melhor tecnologia e colhe 900 toneladas. Pelos atuais critérios, o segundo pode ser desapropriado, porque não explorou 80% da terra. E o primeiro, menos eficiente, fica protegido (Cfr. “O Estado de S. Paulo”, 14-3-07).

Aquecimento global: mito ou realidade?


O fato é que o aquecimento global está virando desculpa para tudo. Além de assustar crianças, pois as escolas entraram na onda, a campanha mundial contra o aquecimento global chega a absurdos.

Nas feiras livres

De Sérgio Augusto, em “O Estado de São Paulo” de 18-3-07: Na feira livre, madame reclama da qualidade e do preço das verduras. Algum tempo atrás, o feirante lhe diria que a culpa era da estiagem ou do excesso de chuva e calor. Agora, a culpa é do aquecimento global. Não me contaram; eu ouvi.

No genocídio de Darfur

Sobre o genocídio de Darfur, está no "Atlantic Monthly" de abril: “A verdadeira causa do genocídio em Darfur (África) não são as ancestrais rivalidades tribais entre árabes e negros, mas a disputa de nômades e fazendeiros por terras que a desertificação do continente, agudizada pelo aquecimento global, continua a devastar".

Na contra-mão, um corajoso fundador do Greenpeace

Patrick Moore, co-fundador do Greenpeace, afirma que o efeito estufa não é causado pela ação humana, mas pela natureza. Hoje ele vive encorajando os países africanos a queimarem mais, não se preocupando com o CO2.