Fevereiro de 1994
Assestando o Foco
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Carta do Diretor


Assestando o foco

A avassaladora onda de corrupção que atinge a vida pública e privada, nos sombrios dias em que vivemos, domina o panorama nacional e internacional.

No Brasil ela assume proporções inimagináveis, cujo desfecho poderá ser uma enorme surpresa.

Entretanto, esse mal não é exclusivo de nações jovens, como é o nosso caso. Na velha Europa, o país que vem apresentando, com destaque especial, uma seqüela de escândalos envolvendo políticos e empresários, é a Itália. Foi nesse país que se instalou a operação cognominadas das "Mãos Limpas" . Esperava-se a punição de corruptores e corrompidos. Porém, surpreendentemente, o Parlamento peninsular votou uma lei extinguindo as penas de prisão aplicadas a políticos que receberam contribuições ilegais, destinadas a campanhas eleitorais e, além disso, com efeito retroativo.

Análoga autodefesa de políticos que exercem o poder já ocorrera na França de Mitterrand. Comprovada uma corrupção praticada pelo Partido Socialista Francês, a Câmara dos Deputados, dominada na ocasião por essa agremiação política, aprovou uma lei de anistia para os envolvidos naqueles atos delituosos.

Casos como os citados multiplicam-se quase indefinidamente nos dias de hoje.

Convém ressaltar a agilidade demonstrada pelos políticos na autodefesa em ambos os casos. E se perguntar se agem com igual celeridade e presteza na defesa dos que os auxiliaram a galgar postos públicos ...

Aproveitando-se da notícia referente à lei de auto-anistia aprovada na Itália, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira focaliza o tema, em conferência dirigida a sócios e cooperadores da TFP.

Em sua penetrante análise - cujos excertos principais reproduzimos na presente edição - o Presidente do Conselho Nacional da TFP aborda, entre outros temas, os seguintes: a liceidade do auxílio financeiro a candidatos a cargos públicos; a solidariedade de interesses entre homens de negócios e candidatos; se a corrupção é um mal do sistema de governo ou do sistema econômico; para onde se encaminha a sociedade? E indaga ainda se há solução para tão grandes males, universalmente difundidos nos dias atuais. Bastaria uma simples volta à prática religiosa e moral ou deveria haver algo mais para solucionar a crise atual? No que consiste esse algo mais?

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