Fevereiro de 1994
A "nomenklatura" indomável
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A Realidade Concisamente

Espírito de "Gulag"

Um grupo de repórteres ofereceu uma caneca de cerveja, na saída de uma estação de metrô, para quem assinasse a lista de seu candidato fictício. Em alguns cartazes ele era identificado pela foto do Chanceler alemão Kohl, em outros pela do Presidente norte-americano Clinton. Conseguiram recolher mais de uma assinatura por minuto.

O relato acima, obviamente imaginário - veiculado pelo "Konsomolskaya Pravda" - procura demonstrar como a população russa é carente de critérios e discernimento ao selecionar seus candidatos para as eleições na Rússia.

Ao falarem no horário eleitoral gratuito, os políticos só conseguem provocar sono nos telespectadores - embora o país esteja às vésperas do pleito que determinará a escolha de uma nova Constituição e Parlamento.

Alguns candidatos são capazes de passar 60 minutos num cenário escuro, decorado com um vaso de flores artificiais, lendo relatórios intermináveis.

Setenta anos de comunismo produziram o "homo sovieticus" - ser amorfo e apático, de existência quase vegetativa, com todas suas potencialidades intelectuais e volitivas atrofiadas.

Está, pois, o comunismo ainda muito vivo nas almas.

É mais frisante pôr em realce este ponto do que considerar os pouco significativos resultados eleitorais na Rússia.

Doçuras medievais

O "Schwarzer Adler", restaurante de Nuremberg (norte da 8aviera), reformulou seu cardápio com algumas das 600 especialidades saboreadas pelos alemães, na Idade Média. Resultado: grande sucesso. O prato mais cobiçado é o 'blamensir", com peito de frango, carne de vitela e cogumelos, temperado com leite de amêndoa e vinho branco.

Um feliz acaso - ou disposição por assim dizer providencial, corrigiriam os gastrônomos - tornou possível a conservação, séculos afora, de tão saborosos registros.

No século XIV, cozinheiros e segredos da culinária corriam sério risco de serem dizimados em meio à peste que assolava a Europa.

Precavido e industrioso, pois, um dono de restaurante deixou anotadas num livro centenas de receitas. Ei-las que agora deliciam os "gourmets" ...

"Luz da Idade Média", "Idade Media - o que não nos ensinaram", são algumas das obras da célebre historiadora Régine Pernoud, que bem comprovam quão elevada e rica foi aquela era histórica.

O minúsculo episódio talvez sirva para reavivá-la em nós.

A "nomenklatura" indomável

No Leste Europeu, particularmente na Rússia, em alguma medida, a oligarquia reinante deixou-se apear do Poder, ou simulou fazê-lo. Em outros casos, lançou mão de uns tantos disfarces, ao afivelar sugestivas máscaras "democráticas". Entre nós, contudo, não parece que o mesmo se dê.

Assim, anos a fio, em meio à sucessão dos Governos, os apaniguados das estatais brasileiras continuam a gozar de extraordinários privilégios, recusados à maioria operosa da Nação. Constituem, pois, quase um poder paralelo ao do Estado.

Só em salários e benefícios diretos e indiretos, ao longo de 1994, nossas estatais deverão despender a expressiva soma de 24 bilhões de dólares! No total, são 610 mil empregados para 160 empresas. Em contrapartida, os investimentos das estatais, previstos para este mesmo ano, não deverão ultrapassar a casa dos sete bilhões de dólares ...

Conforme dados fornecidos pelas próprias estatais ao Ministério público, estima-se que essas empresas transferiram ilegalmente para os fundos de pensão de seus funcionários nada menos que 3,7 bilhões de dólares entre 1988 e 1992. Ressalte-se que tal verba provém de dinheiro do contribuinte.

O benefício individual médio do complemento de aposentadoria pago pelas estatais é 150% superior ao das empresas privadas nacionais, e 92% superior ao concedido pelas multinacionais que operam no País.

Projeto de Lei enviado ao Congresso pelo ex-Ministro da Previdência Social, Antonio 8ritto, pretende coibir o abuso.

Conseguirá fazê-lo?

Sensacionalismo da "mídia"

Três antropólogos - Luís Eduardo Soares, Hélio Raimundo Santos Silva e Cláudia Milito - utilizaram como fontes de pesquisa inquéritos policiais e dados obtidos junto à secretaria da Polícia Civil para conhecer a "contabilidade mórbida dos delitos criminais, particularmente dos assassinatos de menores (no Rio de Janeiro)". Graças ao levantamento, derrubaram uma série de mitos, em torno do propalado "massacre de crianças" que estaria em curso na antiga capital brasileira, conforme tem noticiado a imprensa.

Intitulado "Homicídios dolosos praticados contra menores no Estado do Rio", o estudo demonstra que "não [há nenhum] massacre, não são crianças as principais vítimas, não são predominantemente negros e nem habitantes de rua os menores assassinados".

Sobre a principal "causa mortis" entre jovens "tudo aponta na direção do tráfico de drogas e de toda a violência que o circunda", afirma o antropólogo Luiz Eduardo Soares.

Insiste a mídia em falsear a realidade, com as versões fantasiosas e sensacionalistas, o que concorre ponderavelmente para o agravamento do caos.


Jerusalém sem cristãos?

"As igrejas [aqui] converter-se-ão um belo dia em monumentos e curiosidades arqueológicas", declarou um jesuíta irlandês radicado em Jerusalém.

A assombrosa afirmação prende-se a um fato: o número de fiéis decai contínua e progressivamente na Terra Santa, berço do Cristianismo, como desgraçadamente ocorre, aliás, em todo o Oriente Médio.

Cercados por 150 milhões de muçulmanos e quatro milhões de judeus em ambos os casos, cada vez mais fanáticos e agressivos - os cristãos, em levas crescentes, vão emigrando rumo à Europa, Estados Unidos, Canadá e América do Sul.

O chamado Conselho das Igrejas do Oriente, com sede em Chipre, alerta para o fato de que o crescimento dos movimentos islâmicos poderá provocar uma onda emigratória de cristãos nos próximos anos.

Retraídos, acovardados - profundamente descristianizados -, os católicos do Ocidente, é provável que nada farão para impedir o evanecimento da Fé em toda a região. Somente uma intervenção da Providência tornaria impossível a consumação da tragédia.

Umbanda na Câmara de Vereadores

Rompendo centenária tradição católica, a Câmara de Vereadores de Porto Alegre foi colocada sob a "proteção" da umbanda. Em sessão solene, proposta por uma vereadora do PT, treze líderes umbandistas do Brasil, Argentina e Espanha "abençoaram" o Legislativo Municipal e seu presidente, Wilton Araújo (PDT), ao som de tambores. Alguns dias antes, os umbandistas tinham sido recebidos, com toda espécie de homenagens, no Palácio Piratini, pelo governador Alceu Collares

150 mil sofrem de depressão

Segundo a Sociedade Brasileira de Psiquiatria, 150 mil porto-alegrenses, com mais de 15 anos, estão atingidos pela depressão. Uma das importantes causas dessa depressão é a imoralidade, propagada sobretudo pela televisão. Em artigo para a imprensa, o médico e psicólogo Bernardino Mendonça Carleial mostra as conseqüências negativas das cenas de erotismo na mente das crianças. Mas contra isso - além da associação O AMANHÃ DE NOSSOS FILHOS -, poucos ousam mobilizar-se.

Prestígio da nobreza

Convidadas pela famosa empresa de modas Dior, jovens recém-casadas, pertencentes à mais alta nobreza da França, desfilaram em Tóquio com seus trajes nupciais. Isso mostra como, apesar de tudo, o prestígio da nobreza européia, sobretudo a francesa, continua grande. Pois se gasta rios de dinheiro para levar ao longínquo Japão jovens da nobreza para um desfile.

Sonho de japoneses

O jornal parisiense "Le Figaro" afirma: os japoneses sonham com a vida nos castelos da Europa, a tal ponto que vão se casar neles. Vê-se como a tradição ainda flutua sobre os desastres, e que a fidelidade à tradição católica poderia fazer com que o mundo começasse a se soerguer.

Cubanos assaltam zoológico

Tal é a fome existente em Cuba, que habitantes de Havana assaltaram até o zoológico da cidade, para poderem alimentar-se. Dos 500 patos existentes no zoológico, sobrou apenas um. Pavões reais e mesmo um casuar - ave australiana parecida com o avestruz - foram também roubados.

Rock prejudica ouvido e cérebro

O Prof. Salomão Chaib, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, em matéria para a imprensa afirma que a música estridente e alta - característica do rock - prejudica o tímpano e o nervo auditivo. E acrescenta: "exerce também sobre o cérebro efeito tóxico, semelhante a certas drogas, diminui a inteligência, embota a capacidade de crítica e percepção, criando uma espécie de anestesia mental".

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