Maio de 2012
Rosário, instrumento privilegiado de salvação e de luta
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Benefícios da recitação do Rosário

No 5º Mistério glorioso contemplamos a gloriosa coroação de Maria Santíssima como Rainha do Céu e da Terra

Em seu instrutivo livro O Segredo Admirável do Santíssimo Rosário, São Luís Grignion de Montfort assim resume os benefícios que podemos obter ao rezar o Rosário:

“1º) Os pecadores obtêm o perdão;

2º) As almas sedentas se saciam;

3º) Os que estão atados veem seus laços desfeitos;

4º) Os que choram encontram alegria;

5º) Os que são tentados encontram tranquilidade;

6º) Os pobres são socorridos;

7º) Os religiosos são reformados;

8º) Os ignorantes, instruídos;

9º) Os vivos triunfam da vaidade;

10º) E os mortos são aliviados por meio de sufrágios”.

Felizmente, muito se tem falado sobre o Santo Rosário. A própria Santíssima Virgem disse em Fátima aos três videntes: “Eu sou a Senhora do Rosário. Quero que continuem a rezar o terço todos os dias”.

No que consiste o Rosário? Como deve ser rezado? Tal como foi inspirado por Nossa Senhora a São Domingos de Gusmão, ele se compõe de três terços. A fim de proporcionar ao leitor meios de o rezar e meditar adequadamente, obtendo assim maiores frutos dessa maravilhosa devoção mariana, oferecemos duas meditações inéditas de um grande devoto e apóstolo do Santo Rosário que foi Plinio Corrêa de Oliveira. Tais meditações foram recolhidas por seus discípulos e seguidores.

No primeiro texto (ver quadro “Rosário Meditado”) ele sugere, em síntese, uma meditação apropriada para cada dezena do terço. No segundo texto (ver quadro “Meditação das Horas da Paixão”) encontramos uma meditação que pode ajudar a contemplação mais pormenorizada dos mistérios dolorosos do Santíssimo Rosário.

A seguir reproduzimos uma explicação sumária, mas bem suficiente, sobre os terços do Rosário, transcrita de um opúsculo muito divulgado.6

No que consistem o Terço e o Rosário

O Terço (terça parte de um Rosário) compõe-se de cinco Mistérios, ou cinco dezenas; a cada dezena corresponde um Pai-Nosso, dez Ave-Marias e um Glória ao Pai.

O Rosário é a soma de três Terços, portanto de 15 Mistérios ou 15 dezenas, o que equivale a 150 Ave-Marias, em lembrança dos 150 Salmos (poemas religiosos) de Davi.

Esses 15 Mistérios correspondem aos principais acontecimentos da Vida, Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor e aos principais acontecimentos da vida de sua Santíssima Mãe.7

No primeiro Terço contemplamos os Mistérios Gozosos (as alegrias da Virgem Santíssima no convívio com Nosso Senhor, durante sua vida oculta).

No segundo Terço, contemplamos os Mistérios Dolorosos (as dores de Nosso Senhor Jesus Cristo na sua Paixão e Morte).

E no terceiro Terço contemplamos os Mistérios Gloriosos (o triunfo de Nosso Senhor, na Ressurreição e na Ascensão, a descida do Espírito Santo no Cenáculo e a glorificação de Maria na Assunção e coroação no Céu).

É altamente recomendável que se reze diariamente o Rosário ou, se não for possível, ao menos um terço.

Orações de que se compõe o Rosário

O Rosário, ensinado diretamente por Nossa Senhora a São Domingos, compõe-se das mais sublimes orações, a saber:

Credo – O Credo é a oração da Igreja que contém o resumo das principais verdades cristãs que todo o católico deve crer e nunca pôr em dúvida, sob pena de deixar de ser católico. Também é uma proclamação que fazemos, diante de Deus e dos homens, da fé que temos nessas verdades.

Pai Nosso – O Pai-Nosso, composto pelo próprio Nosso Senhor Jesus Cristo e apresentado aos Apóstolos como modelo da oração a ser feita ao Padre Eterno, quando estes pediram: “Ensinai-nos a rezar”. Portanto, Ele nos ouvirá com especial agrado ao recitarmos esta oração no Terço, uma vez que suplicamos as graças de que necessitamos usando as próprias palavras que Ele nos ensinou.

Ave-Maria – Sem dúvida, a Ave-Maria é uma das mais belas orações. Ela foi composta pelo Arcanjo São Gabriel no momento em que saudou a Virgem Maria (daí o nome de saudação angélica) no momento da Anunciação: “Ave, ó cheia de graça, o Senhor é convosco”; acrescida das palavras de Santa Isabel durante a Visitação: “Bendita sois Vós entre as mulheres, e bendito é o fruto do vosso ventre”; e com o apêndice posteriormente composto pela Santa Igreja: “Jesus”. A Igreja também acrescentou a segunda parte, tendo em vista nossas necessidades de pecadores: ”Santa Maria, mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora de nossa morte. Amém”.

Glória – Trata-se de uma glorificação da Santíssima Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo) que se reza ao final de cada dezena, inclinando o corpo em sinal de adoração.

Lembrai-vos – Composto por São Bernardo, eleva a alma à confiança sem limites na intercessão de Nossa Senhora. Pode ser rezado ao fim de cada terço.

Salve Rainha – Ao final do Rosário, ou também de cada Terço, reza-se a Salve Rainha, uma das orações mais sublimes já compostas por mão humana em louvor de Nossa Senhora. O texto original é atribuído ao monge Hermano Contracto, do mosteiro de Reichenan, na Alemanha, por volta do ano 1050. As últimas invocações (ó clemente, ó piedosa, ó doce sempre virgem Maria) foram acrescentadas pelo grande São Bernardo quando, em presença de todo o clero, na catedral imperial alemã de Speyer, ele se ajoelhou três vezes, recitando cada vez uma das três exclamações, que se encontram gravadas no corredor central da referida catedral.

Como devemos rezar o Santo Rosário

Antes de começar a recitação de cada Terço, é recomendável enunciar as intenções e pedidos que temos em vista. Podemos colocar quantas intenções desejarmos, como também solicitar a graça de orar com piedade, fervor e sem distrações. É especialmente recomendável rezar pelas necessidades da Igreja e da civilização cristã, nestes dias conturbados em que vivemos.

Logo no início do terço, a primeira oração deve ser o Credo, seguido de um Pai-Nosso, três Ave-Marias e um Glória.

No corpo do Terço, passamos a rezar as cinco dezenas. Cada uma delas é composta de um Pai-Nosso, dez Ave-Marias, um Glória. É muito conveniente que rezemos, após o Glória, a jaculatória “Ó meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno, levai as almas todas para o céu, e socorrei principalmente as que mais precisarem”, que Nossa Senhora ensinou aos três pastorzinhos de Fátima.

Essas dezenas devem ser precedidas do enunciado do Mistério correspondente e sobre o qual devemos ir meditando (ou seja, pensando no que significa) na medida em que rezamos as Ave-Marias.

No final de cada Terço (que equivale a 50 Ave-Marias), recomenda-se recitar o Lembrai-Vos ou a Salve Rainha.

Quando temos o hábito de rezar o Rosário inteiro todos os dias, podemos recitar os três Terços separadamente, sem ser obrigatório agir assim. Por exemplo, um no período da manhã, outro no período da tarde e o terceiro à noite.

Quando não se tem esse hábito e rezamos apenas um Terço por dia, um antigo costume piedoso recomenda-nos meditar, nas segundas e quintas-feiras, os Mistérios Gozosos; nas terças e sextas-feiras os Mistérios Dolorosos; e nas quartas, sábados e domingos os Mistérios Gloriosos.

Também é costume recitar a Ladainha de Nossa Senhora no término do Rosário.

Rosário: oração vocal e oração mental

Há dois tipos de oração: a oração vocal e a oração mental. O Rosário, ou o Terço, possibilita-nos fazer as duas.

A oração vocal é a recitação piedosa, em voz alta ou em voz baixa, das cinco dezenas de Ave-Marias, no caso do Terço; ou das 15 dezenas, no caso do Rosário. No início de cada conjunto de 10 Ave-Marias reza-se o Pai-Nosso, e, no final, o Glória ao Pai.

A oração mental consiste em contemplar cada Mistério, ou seja, em pensar sobre eles. Alternativamente, pode-se também meditar nas palavras da Ave-Maria, do Pai-Nosso ou do Glória.

O Rosário é, em última análise, um colóquio, uma conversa com Deus e Nossa Senhora. Enquanto Os louvamos com a voz, com a mente meditamos nos sublimes Mistérios.

E é exatamente para auxiliar os leitores nessa meditação que aqui reproduzimos os textos de Plinio Corrêa de Oliveira aos quais aludimos acima.

Nossa Senhora do Rosário tenha pena de nós, do nosso Brasil, deste mundo que se afasta cada vez mais dos Mandamentos divinos, e promova o quanto antes o triunfo de seu Imaculado Coração, ainda que para isso tenhamos de atravessar o vale profundo dos sofrimentos previstos por Ela em 1917 no vilarejo de Fátima, em Portugal.

_________
Notas
1. Encíclica Immortale Dei, de 1°/11/1885.
2. I São Pedro 5,8.
3. Plinio Maria Solimeo, São Domingos de Gusmão, in Catolicismo, agosto/2003.
4. Les Petits Bollandistes, Vies des Saints, d’après le Père Giry, Paris, Bloud et Barral, Libraires-Éditeurs, 1882, tomo IX, p. 283.
5. Obras de San Luis Maria Grignion de Montfort, El secreto admirable del Santissimo Rosario, Biblioteca de Autores Cristianos, Madrid, 1954, p. 356.
6. A matéria contida nos últimos quatro subtítulos — “No que consistem o Terço e o Rosário”, “Orações de que se compõe o Rosário”, “Como devemos rezar o Rosário” e “Rosário: oração vocal e oração mental” — é em grande parte transcrita do opúsculo O poder admirável do Santo Rosário, editado pela Campanha “Liga do Santo Rosário”, da Associação dos Fundadores, São Paulo, 2008.
7. Do opúsculo referido na nota anterior, transcrevemos a seguinte observação: “Posteriormente o Papa João Paulo II instituiu um quarto conjunto de Mistérios: os Mistérios Luminosos. Entretanto, o próprio Pontífice fez notar que se tratava de mera sugestão de piedade, sem qualquer obrigatoriedade. Neste livreto, enfocamos apenas o Rosário como foi revelado por Nossa Senhora e praticado pela Igreja ao longo dos séculos. Aqueles que se sentirem inclinados a acrescentar mais esse conjunto terão facilidade de encontrá-lo nas livrarias católicas.” (p. 53).

Plinio Corrêa de Oliveira venera a Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima

UM GRANDE APÓSTOLO DO ROSÁRIO

Mesmo carregando o peso de suas numerosas ocupações e preocupações, Plinio Corrêa de Oliveira era um modelo exímio de devoção ao Santo Rosário. Durante toda a sua vida de militância católica nunca deixou de rezá-lo inteiro, com exceção apenas dos dias em que a enfermidade o impediu de fazê-lo.

Ele reservava um certo período do dia — geralmente o fim da tarde — para calmamente rezar e contemplar os 15 Mistérios do Rosário.

Dois textos saídos da pena desse ilustre pensador e líder católico exemplificam o que ele pensava a respeito dessa sublime oração.

“Em Fátima, Nossa Senhora recomendou duas devoções, de modo todo particular: a elas há de se apegar o Brasil, com o maior fervor. Uma é a do Coração Imaculado de Maria. Outra é a do Santo Rosário.

“Se o Brasil quiser ser a grande nação de cruzados e missionários, é por meio de uma ardente piedade marial que conseguirá essa graça. E se quiser essa graça, há de implorá-la pelos meios que a própria Virgem indicou” (“O Legionário”, 7-10-1945).

* * *

“[Se] quiser saber como será julgada sua vida no Tribunal Eterno, não indague tanto sobre os caminhos que palmilhou ou as gotas de suor que de sua fronte gotejaram. Indague, sim, das horas passadas de Rosário em punho, aos pés do Tabernáculo” (“O Legionário”, 8-7-1934).


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