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Plinio Corrêa de Oliveira

"O Legionário", nº 558(18-4-1943)


“Ó vós, ­que passais pelo caminho, atentai e vede se há dor semelhante à minha dor”(Lam. 1, 12).

         Via Sacra, ou Via Crucis é o caminho seguido por Nosso Senhor Jesus Cristo entre o Pretório de Pilatos — onde Ele foi condenado à morte de Cruz — e o Santo Sepulcro, passando pelo monte Calvário, no qual ocorreu o maior crime já perpetrado em toda a História da humanidade: a crucifixão.

Em memória desses dolorosos passos da Paixão, fundamentados nos Evangelhos, a Santa Igreja recomenda aos fiéis que percorram as estações da Via Sacra, reconstituam mentalmente os lugares santos e meditem nos fatos ocorridos em cada um deles. Por esse exercício de piedade, recomendado especialmente para o período da Quaresma, a Igreja concede especiais indulgências (vide quadro à p. xx).

       No intuito de incrementar essa antiga devoção às dores de nosso Divino Redentor, Plinio Corrêa de Oliveira compôs duas versões da Via Sacra, nas quais tece magníficas analogias para os fieis de nossos conturbados dias. A primeira foi publicada em 18-4-1943 no “Legionário” — órgão oficioso da Arquidiocese de São Paulo, do qual era diretor — e a segunda em março de 1951, em Catolicismo.

       Essas duas Vias Sacras foram traduzidas para diversas línguas e publicadas em países dos cinco continentes. Gravações delas foram transmitidas em numerosos programas radiofônicos e difundidas em milhares de cópias de CD. Tão numerosas foram as suas edições impressas que certamente estão entre as Vias Sacras mais propagadas no mundo católico.

       Neste ano, quando se completam sete décadas da primeira versão da Via Sacra de autoria do nosso inspirador e principal colaborador, Catolicismo oferece a seus leitores a transcrição de seu memorável texto, certo de que sua meditação durante a Semana Santa será ocasião de muitas graças e afervoramento espiritual para todos.

A Direção de Catolicismo

 

VIA SACRA

 

Plinio Corrêa de Oliveira

“O Legionário”, nº 558 (18-4-1943)

 

I Estação

Jesus é condenando à morte

 

V. — Nós Vos adoramos, ó Cristo, e Vos bendizemos.

R. — Porque pela vossa Santa Cruz remistes o mundo.

 

Conspiraram contra Vós, Senhor, os vossos inimigos. Sem grande esforço, amotinaram o populacho ingrato, que agora ferve de ódio contra Vós. O ódio. É o que de toda parte Vos circunda, Vos envolve como uma nuvem densa, se atira contra Vós como um escuro e frio vendaval. Ódio gratuito, ódio furioso, ódio implacável: ele não se sacia em Vos humilhar, em Vos saturar de opróbrios, em Vos encher de amargura; vossos inimigos Vos odeiam tanto que já não suportam vossa presença entre os viventes, e querem a vossa morte. Querem que desapareçais para sempre, que emudeça a linguagem de vossos exemplos e a sabedoria de vossos ensinamentos. Querem-Vos morto aniquilado, destruído. Só assim terão aplacado o turbilhão de ódio que em seus corações se levanta.

Séculos mesmo antes que nascêsseis, já o Profeta previa esse ódio que suscitaria a luz das verdades que anunciaríeis, o brilho divino das virtudes que teríeis: “Meu povo, que te fiz Eu, em que porventura te contristei?” (Mat. VI, 3). E interpretando vossos sentimentos, a Sagrada Liturgia exclama aos infiéis de então e de hoje “Que mais devia Eu ter feito por ti, e não fiz? Eu te plantei como vinha escolhida e preciosa: e tu te converteste em excessiva amargura para Mim; vinagre Me deste a beber em minha sede e traspassaste com uma lança o lado de teu Salvador” (Impropérios).

Tão forte foi o ódio que contra Vós se levantou, que a própria autoridade de Roma, que julgava o mundo inteiro, abateu-se acovardada, recuou e cedeu ante o ódio dos que sem causa alguma Vos queriam matar. A altivez romana, vitoriosa no Reno, no Danúbio, no Nilo e no Mediterrâneo, afogou-se na bacia de Pilatos.

Se formos realmente católicos, seremos outros Cristos

“Christianus alter Christus”, o cristão é um outro Cristo. Se formos realmente cristãos, isto é realmente católicos, seremos outros Cristos. E, inevitavelmente, o turbilhão de ódio que contra Vós se levantou, também contra nós há de soprar furiosamente.

E ele sopra, Senhor! Compadecei-Vos, ó meu Deus, e dai forças ao pobre menino de colégio, que sofre o ódio de seus companheiros porque professa vosso nome e se recusa a profanar a inocência de seus lábios com palavras de impureza. O ódio, sim. Talvez não o ódio sob a forma de uma invectiva desabrida e feroz, mas sob a forma terrível do escárnio, do isolamento, do desprezo. Dai forças, ó meu Deus, ao estudante que vacila em proclamar vosso nome em plena aula, à vista de um professor ímpio e de uma turma de colegas que moteja. Dai forças, ó meu Deus, à moça que deve proclamar vosso nome, recusando-se a vestir os trajes que a moda impõe, desde que por sua extravagância ou imoralidade destoem da dignidade de uma verdadeira católica. Dai forças, ó meu Deus, ao intelectual que vê fecharem-se diante de si as portas da notoriedade e da glória, porque prega a vossa doutrina e professa o vosso nome. Dai forças, ó meu Deus, ao apóstolo que sofre a investida inclemente dos adversários de vossa Igreja, e a hostilidade mil vezes mais penosa de muitos que são filhos da luz, só porque não consente nas diluições, nas mutilações, nas unilateralidades com que os “prudentes” compram a tolerância do mundo para seu apostolado.

Ah, meu Deus, como são sábios vossos inimigos! Eles sentem que na linguagem desses “prudentes”, o que se diz nas entrelinhas é que Vós não odiais o mal, nem o erro, nem as trevas. E então aplaudem os prudentes segundo a carne, como Vos aplaudiriam em Jerusalém, em lugar de Vos matar, se tivésseis dirigido aos do Sinédrio a mesma linguagem.

Senhor, dai-nos forças: não queremos nem pactuar, nem recuar, nem transigir, nem diluir, nem permitir que se desbotem em nossos lábios a divina integridade de vossa doutrina. E se um dilúvio de impopularidade sobre nós desabar seja sempre nossa oração a da Sagrada Escritura: “Preferi ser abjeto na casa de meu Deus a morar na intimidade dos pecadores”.(Sl. LXXXIII, 11)

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Padre Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai...

V. — Tende piedade de nós, Senhor.

R. — Tende piedade de nós.

V. — Pela misericórdia de Deus descansem em paz as almas dos fiéis defuntos.

R. — Amém.

 

II Estação

Jesus aceita a Cruz da mão dos carrascos

 

V. — Nós Vos adoramos, ó Cristo, e Vos bendizemos.

R. — Porque pela vossa Santa Cruz remistes o mundo.

 

Mas para isto, Senhor, é preciso paciência. Paciência pela qual se deixa, de braços cruzados e coração conformado, cair o dilúvio sobre a própria cabeça. Paciência é a virtude pela qual se sofre para um bem maior. Paciência é, pois, a capacidade de sofrer para o bem.

Precisa de paciência o doente que, esmagado por um mal incurável, aceita resignado a dor que ele lhe impõe.

Precisa de paciência aquele que se debruça sobre as dores alheias, para as consolar como Vós consolastes, Senhor, os que Vos procuravam.

Precisa de paciência quem se dedica ao apostolado com invencível caridade, atraindo amorosamente a Vós as almas que vacilam nas sendas da heresia ou no lodaçal da concupiscência.

Dai-nos, Senhor, a capacidade de sofrer. De sofrer muito. De sofrer tudo. De sofrer heroicamente

Precisa também de paciência o cruzado que toma a cruz, e vai lutar contra os inimigos da Santa Igreja. É um sofrimento tomar a iniciativa da luta, formar e manter de pé dentro de si sentimentos de pugnacidade, de energia, de combatividade, vencer o indiferentismo, a mediocridade, a preguiça, e atirar-se como um digno discípulo daquele que é o Leão de Judá, sobre o ímpio insolente que ameaça o redil de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ó sublime paciência dos que lutam, combatem, tomam a iniciativa, entram, falam, proclamam, aconselham, admoestam, e desafiam por si sós toda a soberba, toda a empáfia, toda a arrogância do vício insolente, do defeito elegante, do erro simpático e popular!

Vós fostes, Senhor, um modelo de paciência. Vossa paciência não consistiu, entretanto, em morrer esmagado debaixo da Cruz quando vo-la deram. Conta uma piedosa revelação que, quando recebestes das mãos dos verdugos a vossa Cruz, Vós a beijastes amorosamente, e, tomando-a sobre os ombros, com invencível energia a levastes até o alto do Gólgota.

Dai-nos, Senhor, essa capacidade de sofrer. De sofrer muito. De sofrer tudo. De sofrer heroicamente, não apenas suportando o sofrimento, mas indo ao encontro dele, procurando-o, e carregando-o até o dia em que tenhamos a coroa da vitória eterna.

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Padre Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai...

V. — Tende piedade de nós, Senhor.

R. — Tende piedade de nós.

V. — Pela misericórdia de Deus descansem em paz as almas dos fiéis defuntos.

R. — Amém.

 

III Estação

Jesus cai pela primeira vez sob a Cruz

 

V. — Nós Vos adoramos, ó Cristo, e Vos bendizemos.

R. — Porque pela vossa Santa Cruz remistes o mundo.

 

É fácil falar em sofrimento. O difícil é sofrer. Vós o provastes, Senhor. Como é diferente do heroísmo fátuo e artificial de tanto soldado das trevas o vosso divino heroísmo, Senhor. Vós não sorristes em face da dor. Não éreis, Senhor, dos que ensinam que se passa a vida sorrindo. Quando vossa hora chegou, tremestes, Vos perturbastes, suastes sangue diante da perspectiva do sofrimento. E neste dilúvio de apreensões, infelizmente por demais fundadas, está a consagração de vosso heroísmo. Vencestes os brados mais imperiosos, as injunções mais fortes, os pânicos mais atrozes.

Tudo se dobrou ante vossa vontade humana e divina. Acima de tudo, pairou vossa determinação inflexível de fazer aquilo para que havíeis sido enviado por vosso Pai. E,

Ó, meu Deus, dai-nos graças para jamais abandonar nem o caminho de dever, nem a arena do apostolado.

 

quando leváveis vossa Cruz pela rua da amargura, mais uma vez as forças naturais fraquejaram. Caístes, porque não tínheis força. Caístes, mas não Vos deixastes cair senão quando de todo não era possível prosseguir no caminho. Caístes, mas não recuastes. Caístes, mas não abandonastes a Cruz. Vós a conservastes convosco, como a expressão visível e tangível de vosso propósito de a levar ao alto do Gólgota.

Ó, meu Deus, dai-nos graças para que, na luta contra o pecado, contra os infiéis, possamos quiçá cair debaixo da cruz, mas sem jamais abandonar nem o caminho do dever nem a arena do apostolado. Sem vossa graça, Senhor, nada, absolutamente nada podemos. Mas se correspondermos à vossa graça, tudo poderemos. Senhor, nós queremos corresponder à vossa graça.

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Padre Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai...

V. — Tende piedade de nós, Senhor.

R. — Tende piedade de nós.

V. — Pela misericórdia de Deus descansem em paz as almas dos fiéis defuntos.

R. — Amém.

 

IV Estação

Maria Santíssima vem ao encontro de Jesus

 

V. — Nós Vos adoramos, ó Cristo, e Vos bendizemos.

R. — Porque pela vossa Santa Cruz remistes o mundo.

 

Carregar a cruz significa, muitas e muitas vezes, renunciar. Renunciar antes de tudo ao ilícito, ao pecaminoso. Mas renunciar também, e muitas vezes, ao que, sendo lícito e até admirável em si torna-se mau ou menos perfeito em consequência de determinadas circunstâncias.

No caminho de vossa Paixão, Senhor, destes um terrível exemplo, um luminoso e admirável exemplo de renúncia ao que é lícito. O que há de mais lícito, Senhor, do que as carícias, do que o desvelo de vossa Mãe Santíssima? Tudo quanto dela sabemos é que, por mais que dela saibamos algo, dela jamais saberemos tudo, tal é o oceano incomensurável de perfeições e de graças que Ela contém. Vossa Mãe, Senhor, está em vosso caminho. Ela quer consolar-Vos. Ela quer consolar-Se convosco. Vede-A. Como é

Pensei em Maria Santíssima, que deixou seu Divino Filho seguir só, o caminho que Lhe traçar a vontade de Deus. E pedi que Ela console vossa ditosa dor.

legítimo que Vos detenhais ao longo da via dolorosa, consolando-Vos e consolando-A. Entretanto, o momento da separação depois deste rápido colóquio chegou. Ó dilacerarão, é preciso que Vos separeis um do outro. Nem Ela nem Vós, Senhor, contemporizais. O sacrifício segue seu curso. E Ela fica à beira do caminho... É melhor nem dizer como, vendo-Vos, que Vos distanciais aos poucos vertendo sangue, com passo incerto e vacilante, em demanda do último e supremo sacrifício. Maria tem pena de Vós. Ela Vos segue com o olhar, vendo-Vos só, em mãos de verdugos e de inimigos. Quem há de Vos consolar? Ó vontade irresistível, arrebatadora, imensa, de seguir vossos passos, de Vos dizer palavras de meiguice que só Ela sabe dizer-Vos, de amparar vosso Corpo divino, de Se interpor entre os carrascos e Vós, e, prostrada como quem implora uma esmola inestimável, suplicar para Si um pouco dos golpes que Vos dão, contanto que com isto Vos firam um pouco menos, não Vos magoem tanto a carne inocente! Ó Coração de Mãe, o que sofrestes neste lance!

Mães de Padres, mães de Missionários, mães de Religiosas, quando sentirdes o pesar de tanta separação cruel, pensai em Maria Santíssima, que deixou seu Divino Filho seguir só, o caminho que Lhe traçara a vontade de Deus. E pedi que Ela console vossa ditosa dor.

Mas há, mil e mil vezes infelizes, outras mães abandonadas. Mães de ímpios, mães de libertinos, mães de pecadores, também vós ficais a sós, por vezes, no caminho da dor, enquanto vossos filhos correm pelas vias da perdição. Pedi a Nossa Senhora que vos console, que vos dê alento e perseverança, e que ofereça parte da dor que neste passo sofreu, para que vossos filhos possam algum dia voltar a vós. Pensai em Santa Maria, e jamais desespereis. Para os vossos filhos transviados, Nossa Senhora será a Stella Maris, que cedo ou tarde os reconduzirá ao porto.

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Padre Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai...

V. — Tende piedade de nós, Senhor.

R. — Tende piedade de nós.

V. — Pela misericórdia de Deus descansem em paz as almas dos fiéis defuntos.

R. — Amém.

 

V Estação

O Cireneu ajuda Jesus a levar a Cruz

 

V. — Nós Vos adoramos, ó Cristo, e Vos bendizemos.

R. — Porque pela vossa Santa Cruz remistes o mundo.

 

Simão Cireneu vinha de longe. Não sabia qual era a algazarra, o alarido, o vozerio que por vezes o vento lhe trazia. Uma grande festa, provavelmente, tantos eram os risos, os brados, as vozes, que em animada sucessão se faziam ouvir. Aproximou-se. Forte, jovem, cheio de vida, parecia num certo sentido a antítese do pobre Ser de túnica branca — a túnica dos doidos — coroado de espinhos, todo ensanguentado, um leproso cheio de chagas, que paciente e lentamente arrastava a Cruz. O contraste serviu aos algozes de inspiração. Tomaram-no para ajudar Cristo, Senhor nosso, a carregar a Cruz. O Cireneu aceitou. A princípio, talvez por constrangimento. Depois, por piedade. Ficou na História, e, mais do que isto, conquistou para si o Reino do Céu.

Como é frequente esta cena! No caminho de nossa vida, vemos a Igreja que passa, perseguida, açoitada, caluniada, odiada, e, ó meu Deus, por vezes até traída por muitos que se dizem filhos da luz só para melhor poderem propagar as trevas. Vemos isto. Na aparência a Igreja está fraca, vacilante, agonizante talvez. Na realidade, Ela é divinamente forte, como

O Cireneu aceitou ajudar Cristo, Senhor Nosso. Ficou para a História e conquistou o Céu

Jesus. Mas nós só vemos a fraqueza com os olhos da carne. E somos tão míopes com os olhos da fé, que discernimos a custo a invencível força divina que a conservará sempre e sempre. A Igreja vai ser derrotada. Vai morrer. Eu, pôr ao serviço dessa perseguida, dessa caluniada, dessa derrotada, a exuberância de minhas forças, de minha mocidade, de meu entusiasmo? Nunca! Distanciemo-nos. Não somos Cireneus. Cuidemos só e só de nossos interesses. Seremos advogados prósperos, comerciantes ricos, engenheiros bem colocados, médicos de boa clientela, jornalistas ilustres ou prestigiosos professores. E só no dia do Juízo é que compreenderemos o que perdemos quando a Santa Igreja passou por nosso caminho, e nós não a ajudamos!

Apostolado, apostolado, apostolado! Apostolado saturado de oração, impregnado de sacrifício. É este o meio pelo qual devemos ser Cireneus da Santa Igreja.

Meu Senhor, fazei com que sejamos tão fiéis a esta graça quanto o próprio Cireneu. Ó, bem-aventurado Cireneu, rogai por nós.

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Padre Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai...

V. — Tende piedade de nós, Senhor.

R. — Tende piedade de nós.

V. — Pela misericórdia de Deus descansem em paz as almas dos fiéis defuntos.

R. — Amém.

 

VI Estação

A Verônica enxuga a face de Jesus

 

V. — Nós Vos adoramos, ó Cristo, e Vos bendizemos.

R. — Porque pela vossa Santa Cruz remistes o mundo.

 

Todos se riam de Vós, meu Senhor, todos Vos feriam, Vos ultrajavam. Vossa Face divina, outrora radiante de formosura, está agora desfigurada inteiramente. Ela só exprime a dor, na sua forma mais aguda, mais pungente.

Aos olhos dessa turbamulta, que papel faria quem Vos consolasse, quem tomasse vosso partido, quem se declarasse vosso? Atrairia sobre si muito do ódio, do desprezo, da humilhação que sobre Vós se lançava como impetuosa torrente, do íntimo daqueles corações empedernidos, e, mais, de todas as ruas, praças e vielas da cidade deicida.

Meu Deus, queira meu coração consolar-Vos sempre. E especialmente quando todos se envergonharem de Vós, dai-me forças para Vos consolar, proclamando-Vos em alto e bom som o meu Divino Rei.

Como recompensa, não quero outra, senão ter vossa Face estampada em meu coração.

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Padre Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai...

V. — Tende piedade de nós, Senhor.

R. — Tende piedade de nós.

V. — Pela misericórdia de Deus descansem em paz as almas dos fiéis defuntos.

R. — Amém.

 

VII Estação

Jesus cai pela segunda vez

 

V. — Nós Vos adoramos, ó Cristo, e Vos bendizemos.

R. — Porque pela vossa Santa Cruz remistes o mundo.

 

Caístes mais uma vez, Divino Senhor. Como é duro o caminho da Cruz! Foi duríssimo para Vós. Será também duríssimo para vossos seguidores.

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