Setembro de 2005
Ocidente cristão na encruzilhada
Internacional

Ocidente cristão na encruzilhada

O adversário maometano aproveita-se do sono otimista do Ocidente para introduzir seus homens-bomba no bojo de um novo cavalo de Tróia, desta feita um cavalo de Alá

·          Hélio Viana

A bandeira turca nas muralhas de uma cidadela muçulmana em Ankara
N
unca se falou tanto de paz. E nunca ocorreram tantas guerras como na atualidade. Para comprová-lo, basta deter-se nos noticiários dos jornais.

Mas a guerra, como ela se apresenta em nossos dias, vale-se da importante variante que é o terrorismo. Este constitui uma guerra sem declaração prévia, praticada por inimigo traiçoeiro, multiforme e desconhecido, diante do qual ninguém se sente seguro. Em vez de mísseis, são homens-bomba que penetram em qualquer ambiente e, em nome de Alá, explodem tudo.

Isso não ocorre somente em meio ao confronto árabe-israelense, no Iraque ou no Afeganistão. Lembremo-nos dos ataques às torres gêmeas de Manhattan, tragédia que neste mês completa quatro anos; dos atentados de Madri, em março de 2003; e dos ocorridos há pouco em Londres. Outras grandes capitais européias aguardam, receosas, a sua vez.

A fisionomia desses terroristas é tão enigmática quanto a de Maomé, cujo rosto não pode ser desenhado, o que constituiria falta grave. E enigmático também parece ser o plano que está por detrás deles. Trata-se, em todo caso, de uma ofensiva muito mais ampla e organizada, verdadeira guerra de conquista.

O crucial problema da imigração muçulmana

Os cruzados tomam Jerusalém (Queda de Jerusalém - Gustavo Doré, séc. XIX)
Na Idade Média, os cruzados queriam libertar o santo sepulcro das mãos dos infiéis, e se dirigiam a Jerusalém dispostos a tudo. Hoje, no momento em que no Ocidente a idéia de bem e de mal se acha combalida pelo relativismo, ecumenismo e laicismo, são os infiéis que querem “libertar” a Europa do poder dos antigos cruzados.

E esse é um velho sonho deles, que remonta a 1492, quando perderam definitivamente o reino mouro de Granada, na Espanha. Foi quando a velha Aixa Fátima, vendo o pranto de seu filho Boabdil, disse-lhe: “Choras agora como mulher o que não soubeste defender como homem”.

Não se sentindo fortes para retomar manu militari suas posições no velho continente, e amargando tratativas fracassadas de reconquistá-las nos séculos XVII e XVIII, os islâmicos continuadores de Boabdil as estão retomando agora, numa primeira etapa, através de uma imigração em massa ao longo das últimas décadas.

Assim, nessa Europa com baixíssima taxa de natalidade — e que ainda pretende assimilar a populosa Turquia — os muçulmanos, com suas famílias numerosas, suas mesquitas e seus centros de doutrinação, ganham cada vez mais espaço. Não espanta que, de seu meio, comecem a surgir terroristas que bradam os princípios errôneos do Corão.

Um falso ecumenismo de concepção anticatólica

O terrorismo muçulmano deixa sua marca na Espanha
Mas esse processo de conquista islâmica, é preciso ressaltar, não seria de nenhum modo possível sem a colaboração de autoridades civis e religiosas que favoreceram e continuam a favorecer a imigração em massa de muçulmanos, e que em nome de um mal entendido ecumenismo não exigem nenhuma contrapartida dos países islâmicos.

Assim, enquanto nestes últimos a catequese ou qualquer atividade religiosa que não a do Islã é punível, inclusive com pena de morte, a prefeitura de Roma cedeu um terreno para ser construída, com dinheiro do petróleo, a maior mesquita em terras de “cruzados”. Quiseram-na inclusive mais alta que a Basílica de São Pedro, o que não foi autorizado. Mas onde estão esses líderes ocidentais, para exigir dos turcos a devolução à Igreja Católica da majestosa basílica de Santa Sofia, uma das pérolas da Cristandade bizantina, hoje transformada em museu?

Terrorismo islâmico
Enquanto o Islã assim se afirma e expande, os líderes da Europa, na ânsia de formar um bloco de nações sem fronteiras, com uma só moeda e um só exército, propõem uma constituição que renega o glorioso passado cristão do continente. E passam a aprovar práticas diametralmente opostas à Lei de Deus e a esse passado, tais como o aborto, a eutanásia e o “casamento” de homossexuais.

No entrechoque de um pote de ferro com outro de barro, não espanta que o primeiro leve a melhor. Ou seja, de um lado uma civilização com grande densidade demográfica, baseada em falsos pressupostos religiosos levados ao paroxismo, e de outro uma civilização que rejeita o seu passado cristão e nem sequer menciona o nome de Deus em sua projetada constituição, ao mesmo tempo que promulga leis violando sistematicamente os divinos preceitos.

Necessidade de reação, antes que seja tarde demais

Em épocas de grandes crises, há dois tipos de homens: os que se deixam devorar pela crise e os que se levantam para lhe resistir, e assim mudam os rumos da História. Mais do que nunca, torna-se necessária esta segunda categoria, segundo o pensamento de Plinio Corrêa de Oliveira.

Na remota década de 1940, o Prof. Plinio apontou o Islã, contra todas as aparências, como o principal inimigo contra o qual a Igreja e o Ocidente haveriam de se defrontar. A Europa não estaria certamente a braços com esse angustiante drama, caso seus dirigentes religiosos e civis o tivessem visto na sua verdadeira dimensão, e contra ele lutado.

Possa a Europa, a exemplo de certas correntes conservadoras nos Estados Unidos, despertar de seu letargo, e em uníssono com os heróis e os santos que construíram sua milenar e gloriosa história, articular a defesa dos princípios e valores cristãos. Pois o adversário está dentro de casa, com o corpo envolto em bombas e pronto a imolar-se, a qualquer momento e em qualquer lugar.