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Ação Contra-Revolucionária

Uruguai: país conservador que votou na esquerda

Análise elaborada pela associação Tradición y Acción por un Uruguay Auténtico, Cristiano y Fuerte revela um país “anestesiado sem perceber, excluído sem querer, amordaçado sem saber”*

  • Fernando Montabone

Montevidéu — O principal diário da capital uruguaia, “El País”, de 7-12-04, estampa em página inteira importante denúncia apontando a Comissão Episcopal Uruguaia (CEU), organismo que reúne os bispos do Uruguai — bem como os partidos tradicionais Colorado e Blanco — como sendo o “grande eleitor” do socialista Tabaré Vázquez, alçado à presidência da República. O documento alerta o público uruguaio, tendo em vista desarmar uma trama que ameaça o futuro dessa estratégica nação do Rio da Prata.

Fac-símile da pulicação do manifesto em "El País"
Tomando distância das análises eleitorais correntes, que falam de um avanço das esquerdas, Tradición y Acción por un Uruguai Auténtico Cristiano y Fuerte acentua a extraordinária debilidade, e conseqüente desvio para a esquerda, ocorrida nos partidos tradicionais do país. Desvio este que negou qualquer possibilidade de expressão por parte da direita anticomunista, bem como evitou defender os valores morais mais elementares. Tal fato desvirtuou gravemente o quadro eleitoral, por ter excluído importante setor da opinião pública, que ficou sem um pólo político que a interpretasse.

O mencionado documento denuncia ademais a verdadeira colaboração com a esquerda, até pelo silêncio e pela omissão, da Hierarquia eclesiástica, lamentando a desconcertante orientação eleitoral da Conferência Episcopal do Uruguai.

Bem fundamentado em citações e argumentos, o texto mostra que o pronunciamento do Episcopado exclui Deus e sua Lei, e não faz a menor menção a temas cruciais para a consciência católica, como a questão do aborto e da família. Matérias que foram decisivas nas recentes eleições norte-americanas, concedendo a vitória ao Partido Republicano e aos setores conservadores da nação.

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Tais atitudes desconcertantes da CEU e dos partidos ditos conservadores levaram a entidade Tradición y Acción a explicar a contradição existente entre um Uruguai bastante conservador e o triunfo eleitoral da esquerda. Nesse sentido, é oportuno citar a declaração do ministro da Agricultura, José Mujica, sobre o pleito: “Não a ganhamos nós, mas perderam eles [a direita]. A vitória se deve a uma muito importante margem da população que não é de esquerda”.

O documento afirma ser urgente “despertar, levantar e animar psicologicamente o Uruguai autêntico e fazer com que ele abra os olhos para esta realidade, não se deixe amordaçar por falsas lideranças, mas siga o conselho evangélico de ‘vigiar e orar para não cair em tentação’”. E conclui convocando os uruguaios a uma “Cruzada” pelo ressurgimento moral, espiritual e material do país, confiantes em que, como prometeu a Virgem em Fátima, por fim Ela triunfará.

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*A íntegra desse documento encontra-se à disposição no site

www.uruguayautentico.org

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