Setembro de 2005
E Fidel Castro demorou 40 anos...
Informativo Rural

E Fidel Castro demorou 40 anos...

CorrupçãoA crise do governo Lula, todos o dizem, deve-se à corrupção financeira em larga escala do PT. Parece até a Nomenklatura na extinta União Soviética...

        
No caso do governo Lula, porém, é preciso considerar um fator que não tem sido salientado. Mesmo antes das denúncias de desvios financeiros, o governo já vinha se mostrando inviável. Lula ascendeu ao poder mediante manobras de marketing conhecidas como Lulinha paz e amor, mas com a finalidade de fundo de implantar no Brasil um regime de índole socialista, cujo carro-chefe era a Reforma Agrária.

O documento da TFP — Esse afã de socialização igualitária, que o PT haurira desde sua origem na chamada esquerda católica, mostrou-se um programa inviável em face da reação da opinião pública brasileira. Uma resistência na maior parte das vezes passiva, como a de um elefante que se deita sobre os trilhos, sendo quase impossível removê-lo.

          Acresce a isso o fato de que, ao fim do primeiro ano do governo Lula, a TFP (então com uma diretoria fiel ao fundador, Plinio Corrêa de Oliveira), lançou um manifesto que denunciava a manobra em curso, pela qual o governo e a CNBB se uniam para impor ao Brasil a Reforma Agrária. Tal união foi confirmada pelo ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, ao referir-se à Reforma Agrária: “A CNBB é nossa parceira nessa questão” (“Folha de S. Paulo”, 1-11-03).

          Dizia o documento da TFP: “Estaremos a caminho de uma república clerical, à maneira do regime dos aiatolás, em que o Alcorão seria substituído pela Teologia da Libertação, o novo ‘evangelho’ da ‘esquerda católica?’”.

          A repercussão do pronunciamento foi extensa, tendo inclusive a TFP recebido um contra-golpe fortíssimo, que a seu momento será historiado. Mas valeu a pena, pois a partir daí a reação passiva de muitos tornou-se alerta e desconfiada, e com isso a Reforma Agrária socialista e confiscatória não pôde ser levada adiante.

A socialização empacou — Sem realizar uma Reforma Agrária radical, que pusesse abaixo toda a estrutura de produção nacional e reduzisse a nada a propriedade privada no campo, não havia condições mínimas para a esquerda tentar uma aventura socialista nas cidades (a respeito, vide a seção “Nacional”, desta edição).

          Pouco depois, a corrupção no PT começou a escancarar-se à luz do dia. E ainda agora, a grande dor da esquerda católica consiste no fato de a Reforma Agrária não ter prosperado. Para o Arcebispo de Mariana (MG), D. Luciano Mendes de Almeida, “a corrupção precisa ser combatida. Mas os jornais não podem ocupar a maior parte de seu espaço somente com isso. Há muita coisa no País que também precisa ser discutida, como saúde, reforma agrária e a situação dos idosos. Por que a imprensa não cobra a situação da reforma agrária?” (“Folha de S. Paulo”, 11-8-05).

É difícil cubanizar — Esse é o questionamento de fundo das esquerdas mais radicais em relação ao governo Lula, e não a corrupção. Para justificar-se ante essas esquerdas, que lamentam não ter ele se mostrado suficientemente socialista, "o presidente Lula explicou que é uma questão de governabilidade, e que a democracia é um processo. E lembrou que Fidel Castro diz que ainda está construindo o socialismo e as mudanças sociais em Cuba. Portanto, se ele, Fidel, que está há 40 anos no poder, ainda está construindo um processo de socialismo, de inclusão social, e ainda não conseguiu, imagina nós, que estamos com menos de quatro anos” (“Ag. Estado”, 4-8-05, reproduzido no site da Yahoo).

Ou seja, cubanizar o Brasil não está fácil. Graças a Nossa Senhora Aparecida.