Revolução e Contra-Revolução

Da obra de Plinio Corrêa de Oliveira, abordamos na edição precedente a questão do tonus contra-revolucionário (Parte II, itens 2 a 7); a seguir, demonstra ele que todo católico, na medida que faz apostolado, impregna sua atividade com um teor contra-revolucionário.

8. Se todo católico deve ser contra-revolucionário

Na medida em que é apóstolo, o católico é contra-revolucionário. Mas ele o pode ser de modos diversos.

A. O contra-revolucionário implícito

Pode sê-lo implícita e como que inconscientemente. É o caso de uma Irmã de Caridade num hospital. Sua ação direta visa a cura dos corpos, e sobretudo o bem das almas. Ela pode exercer esta ação sem falar de Revolução e Contra-Revolução. Pode até viver em condições tão especiais que ignore o fenômeno Revolução e Contra-Revolução. Porém, na medida em que realmente fizer bem às almas, estará obrigando a retroceder nelas a influência da Revolução, o que é implicitamente fazer Contra-Revolução.

B. Modernidade de uma explicitação contra-revolucionária

Uma irmã de Caridade, ainda que ignore o fenômeno Revolução e Contra-Revolução, à medida que faz bem às almas, ocasionará nelas o retrocesso da influência revolucionária
Numa época como a nossa, toda imersa no fenômeno Revolução e Contra-Revolução, parece-nos condição de sadia modernidade conhecê-lo a fundo e tomar diante dele a atitude perspicaz e enérgica que as circunstâncias pedem.

Assim, cremos sumamente desejável que todo apostolado atual, sempre que for o caso, tenha uma intenção e um tonus explicitamente contra-revolucionário.

Em outros termos, julgamos que o apóstolo realmente moderno, qualquer que seja o campo a que se dedique, acrescerá muito a eficácia de seu trabalho se souber discernir a Revolução nesse campo, e marcar correspondentemente de um cunho contra-revolucionário tudo quanto fizer.

C. O contra-revolucionário explícito

Entretanto, ninguém negará que seja lícito que certas pessoas tomem como tarefa própria desenvolver nos meios católicos e não católicos um apostolado especificamente contra-revolucionário. Isto, elas o farão proclamando a existência da Revolução, descrevendo-lhe o espírito, o método, as doutrinas, e incitando todos à ação contra-revolucionária.

Fazendo-o, estarão pondo suas atividades a serviço de um apostolado especializado tão natural e meritório (e por certo mais profundo) quanto o dos que se especializam na luta contra outros adversários da Igreja, como o espiritismo ou o protestantismo.

Exercer influência nos mais variados meios católicos ou não católicos a fim de alertar os espíritos contra os males do protestantismo, por exemplo, é certamente legítimo, e necessário a uma ação antiprotestante inteligente e eficaz. Análogo procedimento terão os católicos que se entreguem ao apostolado da Contra-Revolução.

Os possíveis excessos desse apostolado - que os pode ter como outro qualquer - não invalidam o princípio que estabelecemos. Pois "abusus non tollit usum".

D. Ação contra-revolucionária que não constitui apostolado

Contra-revolucionários há, enfim, que não fazem apostolado em senso estrito, pois se dedicam à luta em certos campos como o da ação especificamente cívico-partidária, ou do combate à Revolução por meio de empreendimentos econômicos. Trata-se, aliás, de atividades muito relevantes, que só podem ser vistas com simpatia.

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Publicaremos na próxima edição o último trecho do derradeiro capítulo da Parte II. Nele o Autor conclui que somente entre católicos existe autêntica Contra-Revolução.

 

 

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