Setembro de 2005
Força jovem a serviço do Brasil
Ação Contra-Revolucionária

TFPs européias e entidades irmãs promovem o V Curso de Verão

O estudo da ação demolidora da Revolução Cultural, bem como  dos meios para reagir eficazmente em defesa dos valores da Civilização Cristã, foram os principais temas do evento

·         Carlos Eduardo Schaffer
Correspondente - Áustria

Visita ao centro histórico da capital austríaca
Viena —
Uma opinião muito difundida hoje em dia, até mesmo em meios conservadores, é que com a queda do Muro de Berlim e o desmantelamento dos regimes comunistas do leste europeu desapareceu uma das maiores ameaças à Cristandade. Na verdade, dizem os que assim pensam, agora outros inimigos nos ameaçam de modo especial, como o Islã, o desfazimento da família, a corrupção da juventude. Para esses, a ideologia comunista não mais representa perigo. Cuba, Coréia do Norte e Vietnã se debatem nas mesmas crises que acabaram com o regime soviético russo. A China vai progressivamente aderindo ao regime capitalista. Hoje não mais existe a organização bolchevista, que nos agredia de dentro e de fora de nossos países.

As conferências ocorreram na "Sala do Prelado", em estilo barroco
Não era essa a visão dos fatos apresentada por Plinio Corrêa de Oliveira. Bem antes da queda da Cortina de Ferro, previu ele a metamorfose do comunismo. Podemos hoje dizer que o próprio fundamentalismo islâmico, o terrorismo, o desfazimento da família estão ligados à nova face do comuno-socialismo. Sem renegar seus falsos princípios, ele os “supera” mediante a Revolução Cultural. Esta, embora contida em germe na filosofia comunista, recebeu a partir de maio de 68 enorme impulso.

O Flagelo da Revolução Cultural – A réplica da Contra-Revolução, foi o tema escolhido para o V Curso de Verão de diversas TFPs e entidades irmãs, realizado entre 24 e 29 de julho.

Passeio de barco pelo famoso Danúbio
Se há um local apropriado para se estudar a agressão cultural à civilização ocidental e cristã nos dias de hoje, é certamente a Cartuxa de Gaming, na Baixa Áustria. Construída no século XIV sob os auspícios dos Habsburgos, ela sobreviveu a diversas vicissitudes da História, até mesmo à dura ocupação comunista e à Segunda Guerra Mundial.

O curso contou com a participação de 120 pessoas da Alemanha, Argentina, Áustria, Bielo-Rússia, Brasil, Chile, Estados Unidos, França, Irlanda, Itália, Polônia e Romênia. Foram convidados de honra o bispo emérito de San Luiz, Argentina, Dom Juan Rodolfo Laise, e o Chefe da Casa Imperial do Brasil, D. Luiz de Orleans e Bragança.

Na sessão de abertura, Dr. Caio Vidigal Xavier da Silveira ressaltou a importância de se analisar as metas e os métodos da Revolução Cultural que, atuando especialmente nos jovens, abala os princípios da fé, destrói os valores morais e transforma as mentalidades, através das modas, dos costumes, da música, da arte, etc.

Visita ao castelo de Artstetten, residência do Arquiduque Francisco Ferdinando
Entre os diversos assuntos abordados, o Prof. Guido Vignelli analisou o processo de desmantelamento do Estado rumo a uma sociedade anárquica e caótica. O Sr. Julio Loredo mostrou como a Revolução, por um processo preparado de longa data, penetrou na própria Igreja católica, influenciando através de correntes teológicas como o modernismo, o progressismo e a Teologia da Libertação. O Sr. Luiz Dufaur explicou aos participantes como, após o fracasso do comunismo, a Revolução Cultural, servindo-se das modas instigadas pela mídia, vai mudando as concepções e o comportamento para formar o “homem novo revolucionário”; finalizou com um apelo à resistência a essas influências. O Sr. Mathias von Gersdorff discorreu sobre a dissolução dos costumes através da mídia, do movimento homossexual e da educação sexual. O Sr. John Horvat tratou da cibernética, dos computadores, da internet. Revelou os desígnios da corrente revolucionária, que confere à cibernética globalizante um conteúdo messiânico, apontando a Civilização Cristã como a única verdadeira solução para a crise contemporânea. A vida e obra de Plinio Corrêa de Oliveira constituiu matéria de um audiovisual.

Havia tradução simultânea para as diversas delegações. Os círculos de estudos, após cada conferência, permitiam um aprofundamento dos temas e a troca de idéias, revelando impressionante unidade de espírito apesar da diversidade das origens dos participantes. O que mais os animava era o desejo de conhecer mais profundamente a Revolução universal e os meios de melhor combatê-la, levando em conta as peculiaridades de suas respectivas pátrias. Para isto, muito contribuíram exposições que apresentavam campanhas de rua, campanhas em universidades, ou promovidas através da imprensa, em diversos países.

Na sessão de encerramento foi ouvida uma gravação das palavras do Prof. Plinio, proferidas em 1983, no encerramento da Semana de Estudos e Formação Anticomunista (SEFAC). O fundador da TFP brasileira mostra aí que os processos destrutivos como o incêndio ou o câncer, depois de consumir o corpo sobre o qual se abatem, matam-se a si mesmos. O fogo “morre”, depois que tudo consumiu; também o câncer desaparece, ao putrefazer-se o corpo que matou. A Revolução é um processo destrutivo, que se abateu sobre a florescente sociedade católica medieval. Ela se aproxima, pois, de seu fim, à medida que desaparece a Civilização Cristã. O Prof. Plinio termina, na gravação ouvida, conclamando os tefepistas a empreenderem o caminho contrário ao da Revolução, rumo à construção do Reino de Maria.

Sintetizando os diversos temas abordados no Curso de Verão, discursou o Príncipe Dom Luiz de Orleans e Bragança. Suas considerações continham também ampla visão do livro Revolução e Contra-Revolução, obra-chave do Prof. Plinio. Dom Juan Rodolfo Laise encerrou o ato, mostrando como o grande exemplo a seguir é o de Plinio Corrêa de Oliveira, fundador e inspirador dessa família de almas que hoje atua nos cinco continentes.

Participantes do Congresso em Gaming, Áustria
O programa não foi apenas acadêmico. Os participantes tiveram ocasião de manter contacto direto com diversos monumentos vivos ou históricos da Civilização Cristã –– numa apropriada e concreta contestação à Revolução Cultural –– tais como a cripta da igreja dos capuchinhos em Viena, onde estão enterrados muitos imperadores e membros da família Habsburgo, ou a Escola Espanhola de Equitação de Viena, fundada no século XVI, conservando ainda hoje as suas características. Não faltou mesmo uma visita muito significativa a uma das historicamente famosas confeitarias da capital austríaca.

Diante da magnífica catedral de Santo Estevão, de Viena, foram desfraldados os grandes estandartes da TFP e associações congêneres, propiciando contacto direto com um público muito admirativo.

Numa viagem de barco pelo rio Danúbio, foi possível apreciar, em uma e outra de suas margens, vilarejos e igrejas, castelos e fortalezas, marcados pelo esplendor dos tempos qualificados como a doce primavera da Fé — a Idade Média.

No Castelo de Artstetten está enterrado, junto com sua esposa, o arquiduque Francisco Ferdinando, cujo assassínio em Seravejo constituiu o pretexto para a declaração da Primeira Guerra Mundial. A visita ao castelo permitiu considerar essa tragédia, junto a preciosos documentos da Família Habsburgo.

A Santa Missa foi diariamente celebrada por Dom Laise. Seus sermões impressionaram a todos os participantes. Foi incentivada a recitação diária do santo Rosário, e o escapulário de Nossa Senhora do Carmo foi imposto aos novos participantes. A Imagem Peregrina Milagrosa de Nossa Senhora, que verteu lágrimas em Nova Orleans (EUA), presidiu os atos religiosos, bem como as conferências. Uma vigília permanente diante dessa imagem foi mantida durante a sua estadia de oito dias na Áustria.

No banquete de encerramento, realizado na deslumbrante Sala do Prelado, um representante de cada delegação teve a oportunidade de relatar suas impressões sobre o evento, o que revelou o aproveitamento, a resolução e o entusiasmo do conjunto dos participantes.

 

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