Correspondência

A Santa Guerreira

Prezado Amigo Dr. Paulo Corrêa de Brito Filho
DD Diretor de Catolicismo

Venho cumprimentá-lo pelo exemplar de Catolicismo de julho de 2012, que me causou grande impacto. A capa, mostrando a estátua dourada de Santa Joana d’Arc, foi um "flash" da gloriosa missão da Santa guerreira... e também da missão de Catolicismo. O artigo do Sr. Luís Dufaur, comemorando o VI Centenário da Santa, foi um dos mais completos estudos realizados sobre a heroína francesa, condensados nos limites de um artigo, que pude ler. Depois encontrei a reportagem do Sr. Marcelo Dufaur, sobre o entusiasmo do povo nos 60 anos de reinado da rainha Elizabeth II. A conexão dos assuntos me deu a conhecer a profunda analogia entre a missão de Santa Joana d’Arc e a do mensário Catolicismo. Deus Nosso Senhor, para humilhar os generais franceses, já quase todos infectados pelo vírus do que depois seria a Revolução, não suscitou alguém dentre eles para conduzir os soldados à vitória, mas uma jovem pastora da Lorena. Assim também, na débâcle da civilização pseudocristã ocidental, não escolhe uma associação de sacerdotes, mas um grupo de leigos, e de alguns poucos sacerdotes, para, através de Catolicismo, conduzir o combate até a vitória final, prevista em Fátima.

Através de Santa Joana d’Arc, a Providência sagra o rei da França. Assim também, os redatores de Catolicismo salientam a grandeza das tradições monárquicas, e, ao invés de discutir a forma de governo, mostram os imponderáveis da monarquia. Enfim, como Santa Joana foi condenada pelo bispo Cauchon, são os redatores de Catolicismo mal interpretados por inúmeros clérigos, cuja dignidade sempre defendem.

Por tudo isso, Catolicismo, em minha modesta opinião, está cumprindo o essencial da missão póstuma de Santa Joana d’Arc.

(C.deC. — SP)

Arrebatamento

Já tinha muito apego a Santa Joana D’Arc, mas agora ela me arrebatou de vez com a leitura do artigo na revista desse mês [Artigo de Luis Dufaur, Catolicismo/Julho]. Parabéns! Fiquei indignada com os bispos que a condenaram inventando pretextos. Quando fizeram isso, eles é que se condenaram a si próprios. A frase da santa-inocente, agora é meu lema de vida: “Os guerreiros lutarão e Deus lhes dará a vitória”.

(M.A.H.P. — RJ)

Heroína-modelo

A jovem e pura guerreira, Santa Joana D’Arc, é uma heroína digna das maiores glórias. Ela deveria ser mais conhecida no Brasil para ser modelo verdadeiro para nossas adolescentes, perdidas por falsos modelos que as TVs apresentam. Precisamos de novas santas-guerreiras para salvar o Brasil.

(I.F.L. — MG)

Nem o tempo extinguiu

Interessante que tendo passado tanto tempo (600 anos), continua viva a missão de Santa Joana D’Arc, como viva ela parece cavalgar pelos tempos e pelas nações, não apenas na história da França. Uma história que não se apagou e que merece ser mais difundida.

(V.E.P. — SP)

Ave Maria

Acredito piamente que o Santo Rosário tem origem bíblica, contrariando exatamente os cegos que nada veem. Vejamos o trecho do Evangelho de São João, que nos fala de Cristo Ressuscitado à beira do Lago de Genesaré vendo aqueles homens cansados, pobres pescadores que passaram a noite na sua labuta sem nada conseguir. Jesus os manda lançar as redes um pouco adiante e eis que estas se enchem de enormes peixes. São 153 enormes peixes que aquelas redes apanharam, número exato de Ave Marias contidas no Santo Rosário: “Farei de vocês pescadores de almas”, disse uma vez Jesus Cristo. Sim, se fizerem tudo o que Ele vos disser, disse Maria Santíssima (Jo 2, 5). No Apocalipse, o Anjo do Senhor incensa o Trono de Deus com um Turíbulo de Ouro. Sim, com as brasas retiradas da Pira Sagrada diante do Trono de Deus. As brasas são as nossas orações, que o Anjo apresenta ao Senhor, símbolo de nossa Fé, ainda presente e viva no mundo.

A primeira parte da Ave Maria, contida no Evangelho de Lucas, é a Mensagem de Deus Pai a Maria, que no SIM aceita a Missão de gerar o Filho de Deus. Esta é também a Missão de Gerar o SS. Coração de Jesus. O Rosário era rezado até aí apenas com a primeira parte: Ave Maria cheia de Graça, o Senhor é convosco, e bendito é o fruto de vosso ventre, Jesus. A segunda parte da Ave Maria tem origem na Ordem da Igreja Católica mais antiga: a Ordem Carmelita. São Simão Stock, Prior da Ordem Carmelitana, na hora de sua morte rezou uma Ave Maria, completando: “Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora da nossa morte, Amém”. Sim, Nossa Senhora é Mãe de Deus, o Verbo Encarnado. Maria, na visita que faz a Santa Izabel, cheia do Espírito Santo, exclama: “De onde a minha honra para que a Mãe do meu Senhor venha me visitar?” Ora, o Senhor de Izabel é Jesus, Deus Filho, também Filho de Maria. Tudo isso é extraordinário.

(A.L.S. — CE)

Aparições de Nossa senhora

Fenômeno extraordinário têm sido as aparições de Nossa Mãe Celeste no mundo inteiro, como tem publicado a revista. Quão maravilhoso seria se toda a humanidade e particularmente os cristãos, colocassem em pratica seus ensinamentos. Com certeza, a apostasia não enganaria a tantos.

(A.S. — MA)

A palavra do Sacerdote

Quero parabenizar ao Cônego José Luiz pelo seu belíssimo texto sobre as almas do purgatório e as almas de pessoas homicidas. Justamente porque nesta semana houve um caso de homicídio e os fiéis estavam questionando se celebra missa ou não. E este texto veio esclarecer muitas dúvidas.

(M.L.C.F. — BA)

Clero católico relativista

“O mal não existe”, primeiro ouvimos nas homilias que o “inferno não existia”, agora um padre diz que o mal não existe. Ora, se não existe o mal, penso eu, o bem também não deve existir e tudo deve ser relativo e até o relativo deve ser relativo — o nada. A grande vitória do diabo é fazer crer que ele não existe. O catolicismo em nossa diocese anda tão medíocre, que se pode comentar que os padres estão falando e nada se faz. Se isso é catolicismo, eu estou fora, vamos rezar em casa e procurar fazer nossa catequese formando espiritualmente nossos filhos. Em todas as partes o que temos é este arremedo de paganismo.

(C.O. — GO)

Chapéus, véus e hierarquia

Sou aluna do curso de moda da faculdade FMU – Faculdade Metropolitanas Unidas. Estou fazendo um trabalho em forma de artigo para ser entregue na matéria de pesquisa e metodologia científica e li o seu texto no site www.catolicismo.com.br [artigo de Nelson Ribeiro Fragelli, edição de Catolicismo de novembro/2011]. Gostaria de saber se poderiam me enviar alguma curiosidade ou um comentário sobre o tema inicial do meu trabalho. A pesquisa é baseada no entendimento da utilização do chapéu como símbolo de organização hierárquica na Igreja Católica e a relação com a sociedade. Parabéns pelo seu artigo, ele acendeu a minha curiosidade de pesquisar mais a fundo sobre o tema.

(T.R.C. — SP)

Resposta do autor do artigo

O fato de meu artigo sobre o uso do chapéu servir de inspiração para seu trabalho deixa-me contente. Em primeiro lugar porque você dirige sua atenção para o aspecto simbólico do chapéu em geral; e em seguida porque esse simbolismo deve ser visto na organização hierárquica da Igreja. O chapéu, marcando as necessárias e inevitáveis diferenças sociais, marca também as diferenças de dignidade no interior da Igreja. Assim, você vê na ilustração desse meu artigo, pelo menos seis tipos de chapéu adotados até havia pouco por eclesiásticos: do simples chapéu do vigário, passando pelo chapéu dos bispos, dos cardeais, até o do Papa — quando em sociedade. A elevação do sacerdócio é ainda marcada pelos chapéus portados apenas em cerimônias litúrgicas: solidéus, dois ou três tipos de barretes, mitras — sem mencionar as belas e ricas coberturas de cabeça dos ritos católico-romanos orientais.

Nas Ordens femininas, os diferentes cortes dos véus eram símbolo do recato da mulher consagrada ao serviço divino. O véu confere uma aura de impenetrabilidade, aumentando o mistério de uma alma imolada. A freira, ao receber o véu, deixava de ser a pessoas até então existente para assumir uma nova personalidade. O véu das carmelitas, por exemplo, é muito longo — e, portanto, pesado — simbolizando o domínio de Cristo sobre a pessoa, desde a cabeça, abrangendo todo o corpo.

Conheci em Roma as religiosas fundadas por Santa Brígida da Suécia http://www.google.fr/search?q=Sainte+Brigitte cujo véu é recoberto por duas lindas faixas onde estão pintadas as chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo.

O véu outrora portado pelas irmãs beneditinas era ainda mais abundante em panos, simbolizando maior recolhimento.

A hierarquia era também marcada pela diferença entre os véus das postulantes, das noviças e das irmãs professas.

Muito particular — e especialmente belo — era o véu outrora usado pelas freiras da São Vicente de Paulo. Em francês ele se chama cornette. Na ilustração de meu artigo ele aparece sob o nome de ioca. Ele competia em beleza, na corte da França, com os mais belos chapéus das damas da nobreza. Diáfano, leve, com longas abas engomadas, ele oscilava, com o caminhar das freiras, como asas de anjo, simbolizando assim a graça feminina, bem como a delicada proteção dada aos necessitados. Elas eram chamadas “irmãs de caridade”. Esse véu — praticamente um chapéu — marcava presença em todos os ambientes, aliando a doçura à autoridade. Envio-lhe duas imagens desse véu, embora não boas.

Nos últimos 50 anos vem soprando sobre a Igreja ventos de igualitarismo. O desejo de eliminar os sinais de hierarquia vem marcando inúmeras transformações, que eu poderia melhor designar como destruições. Assim, esses véus desapareceram.

Os novos véus não mais refletem a alta dignidade da vocação religiosa. Sob pretexto de simplificação eles se vulgarizaram. O véu e o hábito velavam o lado humano da freira — bem como do sacerdote —, deixando transparecer apenas a dignidade de alma consagrada. Hoje, vestem-se essas religiosas como mulheres comuns da sociedade. E estas, forçosamente, por não estarem obrigadas à pobreza, superam as religiosas em bom gosto e frequentemente em elegância. As religiosas perdem assim prestígio aos olhos de todos. E com isso perde a própria Igreja influência sobre as almas. Aqui está a relação da abolição do véu eclesiástico com a sociedade — tema de sua pesquisa.

Espero que estas considerações possam trazer alguma inspiração ao prosseguimento de seu trabalho. Desejo-lhe todo sucesso.

Nelson Fragelli.

FRASES
SELECIONADAS

“O mal da igualdade é que a desejamos apenas para os nossos superiores”
(H. Becque)

“Onde muitos mandam ninguém obedece, tudo fenece”
(Adágio português)

“Uma boa cabeça é melhor do que 100 mãos fortes”
(Thomas Fuller)

“Uma cabeça má arruína o corpo inteiro”
(Marquês de Maricá)

“Quem se elege senhor de si mesmo, faz-se discípulo de um insensato"
(São Bernardo)

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