Excertos

 

Plinio Corrêa de Oliveira

Aturdimento, passo para a derrota

Impressiona-me um contraste. De um lado, as informações postas ao alcance do público jamais foram tão fartas. De outro lado, jamais este se sentiu — creio eu — tão átono e embaraçado diante delas.

Fixo um termo de comparação remoto, para que o contraste possa ser mais bem sentido. Antes da II Guerra Mundial, o leitor médio era largamente informado pelos jornais acerca do que de mais importante ocorria. [...]

Se a área abrangida pelo noticiário farto era bem menor do que hoje, a índole das notícias era bem mais clara e risonha. [...] O noticiário apresentava também sombras no quadro. Mas estas serviam em boa parte para o tornar mais animado ainda. [...]

— Panorama claro? — Sim, claro e simples. Ou melhor, simplório. Os problemas reais eram subestimados ou silenciados. As realidades de subsolo eram quase desconhecidas. E esta mutilação da realidade nos noticiários foi um erro. Pois se o público tivesse tido conhecimento da verdade total talvez tivesse imposto aos acontecimentos um outro curso.

* * *

O que é próprio do aturdimento produzido pela enxurrada de informação de hoje senão desanimar e tirar a vontade de lutar?

Depois da II Guerra Mundial, e muito especialmente em nossos dias, aconteceu o contrário. Veio tudo à tona. Noticia-se tudo, a respeito de todos os países. E segundo uma tabela de valores bem diversa. [...] — E o que faz esta sarabanda informativa? Interessa? Atrai? Orienta?

— A meu ver, o mais das vezes causa acabrunhamento, superexcitação, e por fim tédio. Sim, o tédio dentro da superexcitação; eis o estado de espírito que a pletora informativa cria em muitos e muitos de nossos contemporâneos.

Em suma, todos sabem de tudo, não entendem nada, alguns ficam com os nervos a tinir, e quase todos, à falta de melhor, bocejam. — E como poderia ser de outra maneira?

Tudo parece estar continuamente correndo para um abismo... que nunca chega ou pode chegar de um momento para outro. [...] — Tudo pode acontecer. Ou nada acontecerá. Ninguém se entende.

Mas, dir-me-á alguém, aí o mal não está tanto no excesso de notícias como no excesso de desordem. — Concordo. Os dois fatores se somam.

Mas pergunto: até que ponto a desordem dos fatos, já de si tão imensa e tão trágica, é ainda agravada pelo sensacionalismo trepidante dessa superprodução informativa? E, principalmente, a quem aproveita essa superexcitação? — E que efeito produz aqui? O que é próprio do aturdimento senão desanimar e tirar a vontade de lutar?

O declínio da vontade de lutar já é a metade da derrota...

É para este fenômeno, que peço a atenção dos homens capazes de lhe encontrar remédio.

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Trechos de artigo do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, publicado na “Folha de S. Paulo” de 23-5-1971.

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