Janeiro de 2013
Vencendo-se a provação adquire-se a paz
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Leitura Espiritual

 

Vencendo-se a provação adquire-se a paz

Transcrevemos na edição de novembro passado alguns trechos dos Pensamentos Consoladores de São Francisco de Sales(*). Para esta edição seguem algumas lembranças do que o santo aconselha meditar nas horas das provações e tentações.

         Os doces podem gerar vermes nas crianças e em mim que não sou criança; aí tens a razão por que o nosso Salvador mistura as consolações com amarguras...

         Supliquemos pelo seu socorro; não é senão para isso que Ele permite que ilusões nos atormentem...

         Certa tarde houve aqui grandes trovões e relâmpagos, e eu estava tão contente em ver o meu irmão e o nosso Groisi, que multiplicavam os sinais da cruz e o nome de Jesus!... Ah! Sem isto não teríamos invocado tanto a Nosso Senhor. Essas rebeliões do apetite sensual, tanto de ira como de inveja, ficaram em nós para o nosso exercício, a fim de praticarmos o valor espiritual resistindo-lhes. É o Filisteu que os Israelitas devem combater sem nunca o poderem derrubar.

         Quando os soldados não estão em batalha ou na guerra, pode-se dizer deles: “In pace leones, in bello cervi” (leões na paz, cervos na guerra). Nosso Senhor não quer destes soldados no seu exército; quer combatentes e vencedores, e não imbecis e fracalhões. Pois se Ele quis ser tentado e oprimido, foi para nos dar o exemplo de resistência à tentação.

         Se Nosso Senhor permite estas cruéis revoltas no homem, nem sempre é para punir de algum pecado, mas apenas para manifestar a força e a virtude da assistência divina. [...]

         É preciso que um soldado tenha ganhado muito na guerra para viver comodamente na paz. Nunca teremos uma perfeita doçura e caridade se não for exercitada entre repugnâncias, aversões ou desgostos. A verdadeira paz não vem de não combater, mas de vencer. Os vencidos não combatem, e, contudo, não têm paz sólida. É preciso que nos humilhemos muito, pois ainda não somos senhores de nós mesmos, e amamos o repouso e as comodidades.

         Não temos recompensa sem vitória, nem sem guerra. Tende coragem e convertei as vossas penas em matérias de virtudes. Olhai muitas vezes para Nosso Senhor, que vos contempla, embora vós sejais uma criatura miserável nos trabalhos e nas distrações. Envia-vos socorro e abençoa as vossas aflições. Deveis, considerando isto, receber com doçura e paciência os incômodos, por amor d’Aquele que os envia para nosso proveito.

         Elevai muitas vezes a Deus o coração: pedi-Lhe o seu auxílio e fundai a consolação no prazer que tendes de Lhe pertencer. Todos os desgostos serão pequenos se tiverdes um Amigo assim, e um tal refúgio.

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(*) São Francisco de Sales, Pensamentos Consoladores, Livraria Salesiana Editora, São Paulo, 1946, pp. 134 a 139.

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