Janeiro de 2013
Teologia herética
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Por que Nossa Senhora Chora?

 

 

Teologia herética

No principal jornal colombiano, “El Tiempo”, edição de 24 de novembro, foi publicado um artigo do jesuíta Alfonso Llano Escobar, S.J., que constitui um ataque direto à virgindade perpétua de Nossa Senhora. Ademais, o dito sacerdote defende a ideia esdrúxula e perfeitamente herética de que, enquanto a pessoa divina de Nosso Senhor teria se formado por ação do Espírito Santo, a pessoa humana viria do relacionamento de Nossa Senhora com São José. E que Jesus teria vários irmãos carnais.

Trata-se de uma heresia protuberante e descabelada, cuja publicação só é possível num mundo tão conturbado como o atual, em que caminha a todo vapor o processo de autodemolição da Igreja anunciado por Paulo VI.

Contrariando a doutrina e a tradição da Igreja, escreveu o jesuíta: “María gera o Filho de Deus virginalmente, no sentido teológico, sem a intervenção de José, tal como o relata Mateus 1,26, por obra e graça do Espírito Santo. De outro lado, como mãe do homem Jesus, igual a nós, o gera com um ato de amor com seu legítimo esposo, José, do qual teve quatro filhos varões e várias mulheres (Mt 13,53 y ss.)”.

 

Reações

Felizmente os fiéis católicos que leram o artigo encheram-se de indignação por ver assim espezinhadas as pessoas de Nosso Senhor e Nossa Senhora. Protestos veementes chegaram não apenas ao jornal que publicou o artigo, mas à Conferência Episcopal Colombiana e à Ordem dos Jesuítas, manifestando até intenção de levar o caso ao Vaticano se necessário fosse.

A primeira resposta de que tivemos conhecimento veio em entrevista do Pe. Pedro Mercado Cepeda, secretario adjunto da Conferência Episcopal da Colômbia. Afirma ele que “o sacerdote jesuíta contraria claramente a fé da Igreja Católica. Não é a primeira vez”. Ademais de negar a virgindade corporal de María, “o Pe. Llano nega a divindade de Cristo [...] sua postura é claramente herética”.(1)

Informa ainda o Pe. Cepeda que“alguns bispos manifestaram privadamente seu descontentamento” ao Pe. Llano. Por que só alguns? E por que privadamente, dado que a heresia foi publicamente manifestada? Não encontramos explicação.

De outro lado, “Mons. José Daniel Falla, secretário geral da Conferência Episcopal, assegurou que ‘o padre Llano perdeu o horizonte e deixou de lado a fé que se apregoa na Igreja desde seus inícios, ao negar a virgindade de Maria’, e por em dúvida a divindade de Jesus”.(2)

Para o bispo de Líbano-Honda (Colômbia), Mons. José Miguel Gómez Rodríguez, o sacerdote jesuíta, por suas posturas errôneas, “tem que saber que incorre em heresia. Não é necessário um decreto oficial de um Bispo”.(3)

 

Desculpas, mas não retratação

Em 8 de dezembro, o Pe. Alfonso Llano Escobar publica em “El Tiempo” artigo bastante sibilino, intitulado “Mea Culpa”. Uma retratação? Longe disso. Limita-se a pedir desculpas por trazer à minha coluna discussões e pontos de vista de teólogos”. E acrescenta: “deixando os temas delicados para discussões entre teólogos, quero limitar-me a apresentar a doutrina da Igreja e do povo de Deus”.

Ou seja, mantém a postura de que “teólogos” (entre os quais, naturalmente, ele) podem defender posições contrárias à virgindade de Nossa Senhora e à divindade de Cristo, portanto claramente heréticas. O erro teria sido apenas ter levado isso ao público!

Em seguida o Pe. Llano reproduz diversas afirmações extraídas do Concílio Vaticano II e do livro de Bento XVI, que falam da concepção virginal de Jesus Cristo. Retratação, nenhuma!

No dia seguinte ao “Mea Culpa”, o mesmo jornal publica matéria com o título “Proíbem o padre Llano de escrever em El Tiempo”. E explica que, em mensagem que a direção recebeu do referido sacerdote, este diz: “O padre Adolfo Nicolas, superior geral da Companhia de Jesus, deu ordem ao padre Alfonso Llano de dar por terminada sua vocação apostólica de escritor, o priva de sua liberdade de palavra e lhe exige que não se despeça e guarde absoluto silêncio”. Explica ainda o diário que o Pe. Adolfo Nicolas é “a máxima autoridade” dos jesuítas no mundo.(4)

 

Fumaça de Satanás

Lamentavelmente, porém, o Pe. Llano não está sozinho. O Pe. Francisco de Roux, superior dos jesuítas na Colômbia, saiu em sua defesa alegando que “o padre Llano nunca pôs em dúvida a divindade de Jesus”.(5) A julgar pela notícia, o Pe. Roux não explica como essa sua afirmação se coaduna com o artigo impugnado do Pe. Llano em que a heresia é clara e manifesta.

Saudamos as medidas saneadoras tomadas pelo Superior Geral dos Jesuítas, bem como as reações de bispos e sacerdotes que se posicionaram claramente contra as heresias do Pe. Llano. Deve-se desejar que elas não fiquem nisso, mas vão adiante, para o bem da Igreja e a salvação das almas. Sacerdotes que difundem heresias, como o Pe. Llano — e a espécie hoje em dia infelizmente é vasta — sejam considerados fora da Igreja se não se retratarem. Seria um meio de começar a afugentar dos meios católicos a pestilenta “fumaça de Satanás” que, no dizer de Paulo VI, entrou no Templo de Deus.

___________

Notas:

1. ACI/EWTN,5-12-12

2. “El Tiempo”, 6-12-12

3. ACI, 8-12-12

4. “El Tiempo”, 9-12-12

5. Idem, ibidem

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