SOS - Família

AS PRINCIPAIS VÍTIMAS - II

Após sacrificar os filhos em nome de uma utópica liberdade, são os próprios cônjuges os próximos a serem sacrificados pelo divórcio

“O homem sem critério se casa com a mulher de quem gosta.

O homem criterioso gosta da mulher com  quem casa.”

(Adágio popular)

Dando seqüência ao tema tratado no último SOS-Família (os filhos como sendo as principais vítimas da lei do divórcio), transcrevemos aqui alguns trechos do livro do Padre Leonel Franca, SJ (1), que evidenciam o quanto essa iníqua lei prejudica os próprios cônjuges.

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“O primeiro fator da felicidade conjugal é uma boa escolha recíproca dos que aspiram a percorrer juntos o caminho da vida. E uma escolha acertada é naturalmente o fruto da reflexão, do exame, da maturidade ponderada, inimiga de leviandades e precipitações. A lei da família, que desenvolve no ânimo do jovem estas qualidades preciosas, tem todas as probabilidades de lhe assegurar uma eleição feliz.

“Que faz o divórcio? Tirando à união conjugal o seu caráter definitivo, abandona a mocidade a todos as surpresas de sua irreflexão. A certa mãe, que lhe desaconselhava um casamento imprudente, respondia a filha: ‘Que mal, mamãe! Se não me der com o meu marido, mandá-lo-ei às favas’. (2) Na sua espontaneidade de menina do povo, esta noiva moderna dá-nos a expressão psicológica da mentalidade criada pela legislação divorcista. É a tendência a multiplicar os casamentos precipitados e a inaugurar os enlaces de ensaio, contraídos já com a intenção de se romperem à primeira dificuldade...

A mera possibilidade de separar gera o divórcio

“Com mais este círculo vicioso de uma lei que multiplica os casamentos inconsiderados, e de casamentos levianamente contraídos que apelam para a própria dissolução, damos realmente um passo adiante para preservar a grande instituição da família?

“Prossigamos. Artífice de desventura é o divórcio, não só antes, mas principalmente depois de iniciada a convivência dos casados. A dois podem reduzir-se os inimigos capitais da felicidade conjugal: um interno, a desinteligência dos esposos; outro, externo, as tentações de infidelidade ao amor jurado. A união moral desfaz-se por uma aversão interior ou por uma atração de fora.

“Bem depressa passam os idílios dos primeiros tempos. No fim de alguns meses, o marido vê que a mulher não é um anjo caído do céu; a esposa já não admira sem restrições o companheiro de sua vida. Os casados são humanos: têm imperfeições. O convívio de cada dia, com as suas consolações, traz também as suas divergências, os seus atritos, as suas contrariedades. A felicidade do lar não se conservará senão a preço de sacrifícios e esforços de adaptação mútua dos temperamentos. Importa limar as arestas vivas, arredondar as angulosidades. Sem este trabalho de aperfeiçoamento moral não há vida em comum.

A impossibilidade de separar gera a união

“A indissolubilidade atua com toda a eficácia de uma idéia-força salvadora. Também aqui vale o de Goethe: O que vacila em cambiantes aparências, consolida-o com pensamentos duradouros  (3).

“Unidos para sempre, os cônjuges se esforçarão por tornar a própria convivência reciprocamente mais amena. Perdoam-se generosamente, de parte a parte, as faltas inevitáveis; corrigem-se pouco a pouco os defeitos que desagradam. As duas existências se vão encaixando uma na outra à medida que sobem na vida. O amor conjugal, que as ofensivas das paixões pareciam, por um instante, ameaçar, consolida-se na vitória das dificuldades, purifica-se na chama do sacrifício e da dedicação. Nesta atmosfera sadia de moralidade, crescem os filhos,  temperando as suas almas na virtude, com o exemplo de um lar em que o egoísmo não prevaleceu. Inquestionavelmente, a indissolubilidade é moralizadora e defensora da família.

“E o divórcio? Agente de desordem. Às primeiras dificuldades domésticas, suscita, num horizonte talvez longínquo, a esperança de uma ‘libertação’. A idéia, a princípio vaga, com o tempo vai tomando corpo e diminuindo as energias de resistência da vontade. Todo o esforço vital já não se concentra em atenuar os desentendimentos, mas em agravá-los com a comparação de outra felicidade ‘entre-sonhada’. ....

“Quando os homens vêem em cada mulher uma esposa possível, e as mulheres em cada homem um marido provável, exaltam-se os impulsos da sensualidade, diminui a reserva defensiva do pudor, entrega-se a estabilidade das famílias ao capricho das paixões. Esta mentalidade criada e difundida naturalmente pelo divórcio é a ruína inevitável da segurança e tranqüilidade da  família. ....

A indissolubilidade é a vitória do dever; o divórcio, a capitulação

“Em síntese, para todas as dificuldades conjugais, internas e externas, materiais e psíquicas, o divórcio sugere a solução menos digna, menos nobre, menos humana. É o aliado natural de todas as paixões, o inimigo instintivo de todo o sacrifício, o conselheiro de todas as fraquezas e de todas as capitulações vergonhosas. A indissolubilidade trabalha num sentido ascensional, prega a vitória dos obstáculos pela virtude, educa as almas para a luta, desenvolve o domínio de si mesmo, a abnegação a serviço da consciência, exalta todos os valores espirituais. ....

“Por isto, o divórcio entra na legislação e nos costumes de um povo como produto de uma moralidade decadente, e, uma vez introduzido, converte-se logo em fator ativo de mais profunda decomposição social. Não é este o caminho que leva a felicidade ao seio das famílias. As desventuras conjugais nascem de paixões mal dominadas, e o divórcio não é escola de disciplina moral”.

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Concluímos que os divorcistas, ao protestarem contra o matrimônio como sendo jugo intolerável e soturna prisão, e indicarem uma ilusória libertação, estimulam as pequenas divergências domésticas, mutilam as famílias, deixando os cônjuges na vergonha, encarcerados de seus instintos animais e os filhos sem a garantia de um futuro seguro, do afeto e da proteção dos pais.

Enquanto que a simples idéia da indissolubilidade é uma garantia para estabilidade do lar, para a honra dos esposos e a segurança da prole.

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Notas

1 - Padre Leonel Franca S. J.,  O Divórcio (1893-1948), Rio de Janeiro, Empresa Editora A.B.C. Ltda, 1936, pp. 46 a 53.

2 -Referido pelo Conde d´Haussonville. Cfr. Le Recueil des Memoires de l´Académie des sciences morales et politiques, na sessão de 16 de julho de 1910.

3 - Goethe, Faust, Prolog in Himmel.

 

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