Fevereiro de 1994
Aborto
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Correspondência

Aborto

Publicamos abaixo excertos de um relato enviado pelo missivista a Catolicismo, sobre conferência pró­aborto realizada no Rio de Janeiro:

"Assisti a uma conferência / debate sobre o aborto no passado dia 1º de dezembro, no Rio de Janeiro, onde se encontrava, compondo a mesa junto com outras feministas, a senadora Eva Blay, autora de um Projeto de Lei que, entre outras licenciosidades, advoga o livre abortamento, às expensas da rede pública de hospitais, até à décima segunda semana de gestação.

É espantoso o que se pode ouvir num ambiente como aquele, em que tudo estava preparado para o aplauso fácil às teses defendidas pelos conferencistas, e estes, sabendo bem para quem falavam, deixaram de lado certas precauções que mantêm quando se dirigem ao grande público.

Atrevi-me a perguntar à sra. Eva Blay se tinha alguma justificativa científica, racional, para ter estabelecido para os três meses de gestação a idade limite entre o reconhecimento do direito à vida e a desconsideração do mesmo, ou seja, a livre disposição de outrem sobre a existência de um ser humano. Afinal o que diferencia tão radicalmente um embrião de três meses e outro de dois meses e três semanas? Estabelecer estes prazos sempre me pareceram atos de tremenda arbitrariedade e esperava ouvir como resposta um arrazoado muito elaborado mas sem consistência alguma sobre a inexistência de uma vida humana até àquela idade. Qualquer coisa como ser o embrião até então um projeto de ser humano apenas... Por incrível que pareça, ainda há pessoas com obrigação de possuírem mais cultura que desconhecem, ou fazem por ignorar, os progressos científicos ocorridos nos campos da embriologia e da genética que nos comprovam, sem darem margem a dúvidas, que a vida de toda a pessoa humana se inicia com a fecundação do óvulo.

A minha pergunta provocou a agressividade da mesa, e a resposta da senadora surpreendeu-me: A determinação daquele prazo de três meses se prendia única e exclusivamente a questões de segurança para a saúde da mulher. Até àquela fase da gestação o abortamento era considerado simples, não implicando em maiores riscos...

É de se ficar estarrecido. O ser humano [no caso, o nascituro] é totalmente desconsiderado, desprezado, por aquelas senhoras. É como se simplesmente não existisse".

João Gabriel Sarreto Marques –– Rio de Janeiro – RJ

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