Maio de 1995
IGREJA REABRE CAUSA DE BEATIFICAÇAO DE DOM VITAL
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Atualidade

IGREJA REABRE CAUSA DE BEATIFICAÇAO DE DOM VITAL

A Santa Sé concedeu nada obsta para que o processo de canonização do ex-Bispo de Olinda tenha prosseguimento

Raul Soeiro

Dom Vital

A causa de beatificação e canonização de Dom Vital Maria Gonçalves de Oliveira, Bispo de Olinda, nomeado em 1871, recebeu novo impulso com a declaração oficial do Vaticano de que "nada obsta" de sua parte para que o processo tenha continuidade na Arquidiocese de Olinda e Recife. Isto significa que a Santa Sé concedeu sua aprovação ao prosseguimento dos trabalhos e ao registro oficial do processo na Congregação das Causas dos Santos.

 

 

Pesquisas começaram em 1935

Os primeiros estudos sobre a vida e obra de Dom Vital foram realizados pelo frei italiano Félix de Olívola nos anos 30. Este capuchinho, da mesma Ordem religiosa de Dom Vital, pretendia levar a farta documentação que preparou para Roma, pedindo a abertura do processo de sua canonização. No entanto, veio a falecer subitamente no navio, em alto mar, tendo sido "sepultado" no Oceano Atlântico.

Em 1953, o Arcebispo de Olinda e Recife, Dom Antonio de Almeida Morais Junior, nomeou uma comissão para início do processo de beatificação de Dom Vital, mas os trabalhos da mencionada comissão não chegaram ao seu termo.

Em 1960, a Arquidiocese formou nova comissão e instaurou-se a causa da beatificação de Dom Vital. Desde essa época vem sendo reunido vasto material em quase dois mil registros sobre o heróico Prelado, entre recortes de jornais, correspondências e livros de graças alcançadas, guardados na Fundação Joaquim Nabuco, de Recife.

Finalmente, em 14-1-1992, após trinta e dois anos, o atual Arcebispo Dom José Cardoso Sobrinho, decretou oportunamente a reabertura do processo e constituiu comissão especial para cuidar do andamento dos trabalhos.

O Pastor defende suas ovelhas

Ao ser empossado na Sé de Olinda, o Bispo capuchinho ali encontrou ambiente hostil. Publicou então Carta Pastoral, prevenindo o Clero e os fiéis contra a maçonaria, e ordenou às irmandades religiosas, em carta circular, que afastassem os elementos maçônicos.

Dom Vital teve como aliado nessa luta o Bispo do Pará, Dom Macedo Costa. A ação desses dois Prelados em 1873 deu origem à chamada Questão Religiosa.

Devido a essa atuação, grande perseguição foi movida contra Dom Vital, por sua fidelidade a Deus, à Igreja e ao rebanho que lhe foi confiado, tendo padecido um martírio incruento pelos sofrimentos morais a que foi submetido.

Dom Vital nasceu a 21-11-1844, no município de Pedras de Fogo, na Paraíba.

Após cursar o seminário de Olinda, transferiu-se para o noviciado dos padres capuchinhos, na França, onde foi ordenado sacerdote em 1868. Apenas três anos depois, em 1871, aos 27 nos de idade, foi nomeado Bispo de Olinda (um dos Prelados mais jovens da História eclesiástica brasileira). Em 1874, foi preso no Arsenal da Marinha, no Rio de Janeiro. No ano seguinte viajou a Roma para advogar sua causa. Veio a falecer em Paris em 1879, vítima de misteriosa enfermidade.

Seus restos mortais chegaram a Recife em 1881 onde foram depositados na Basílica da Penha, dos Padres Capuchinhos.

Cerimônia em Recife

Solene Missa na Basílica de Nossa Senhora da Penha, concelebrada pelo Arcebispo de Olinda e Recife, Dom José Cardoso Sobrinho, por Mons. Francisco de Assis, da Diocese de Natal (postulado da causa) e por mais 15 sacerdotes, no dia 17 de março p.p., marcou a reabertura do processo de beatificação e canonização de Dom Vital.

Dom José Cardoso Sobrinho, mediante essa cerimônia, realçou a importância da reabertura do processo canônico. Fato auspicioso não somente para a Arquidiocese de Olinda e Recife, mas para toda a Igreja.

Contando com a presença de grande número de fiéis que lotou as dependências do templo, a Santa Missa foi celebrada por três intenções: em agradecimento pela reabertura do processo de canonização de Dom Vital, em comemoração pelos 150 anos de seu nascimento e em ação de graças pelos 123 anos de sua sagração como Bispo de Olinda.

No final da Missa, realizou-se uma procissão até o túmulo de Dom Vital, localizado dentro da igreja. Mons. Francisco de Assis, em panegírico, enalteceu várias passagens da vida do valoroso An­tístite.

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