Janeiro de 2006
Ano de tsunamis materiais e morais
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-Escândalos desviam a atenção do descontentamento geral

A partir de maio, a opinião pública foi atraída por uma enxurrada de escândalos. Começou com denúncias de corrupção nos Correios, seguida pelas acusações do mensalão, valerioduto, Caixa 2 e várias outras. Verificou-se então a formação de rumorosas CPIs no Congresso Nacional, bem como tentativas do governo para abafá-las.

Corrupção administrativa, desvio de fundos públicos, crimes obscuros como os assassinatos dos prefeitos de Santo André e Campinas e financiamentos ideológicos externos — como teriam sido os de Cuba ou das FARC — são ingredientes que não faltam em revoluções socialo-comunistas, violentas ou democráticas. Mas a extensão de acusações fundadas e suspeitas levantadas contra o PT arrepiaram o País. Elas se agravaram quando, por detrás dos escândalos, emergiram os objetivos ideológicos da conduta petista. O Brasil, durante meses a fio, se estarreceu com a amplitude dos escândalos.

-Volta à tona o anticomunismo tranqüilo do Brasil

A tensão ideológica foi se avolumando ao estrépito dos escândalos. Foram freqüentes qualificativos como "stalinismo", "leninismo" ou "sovietismo" aplicados a um PT dominado pela sua Corrente Majoritária ou "bolchevista".

Como as invasões de terras e de casas são altamente impopulares, os invasores rurais, urbanos e indigenistas pactuaram uma "trégua" para não desprestigiar ainda mais o governo do PT e promoveram atos de apoio ao Presidente Lula.

Em outubro realizou-se o referendo sobre a proibição da comercialização de armas e munições. Ideólogos e "teólogos" socialo-comunistas, agitadores das reformas de estrutura, esfregavam as mãos. Os cidadãos honestos desarmados não teriam mais condições de resistir, material e psicologicamente, à ofensiva revolucionária. A tarefa para a cubanização do País ficaria assim facilitada. A CNBB propôs ao clero pedir o voto pelo SIM em todas as missas do domingo imediatamente anterior à votação.

O Brasil silencioso, profundo e não ouvido mostrou contudo uma vivacidade calma, uma lucidez rápida para perceber a armadilha do SIM. A virada foi veloz e contundente. Dos anunciados 70% ou 80% a favor do SIM se chegou à “virada” para o NÃO: 64% pelo NÃO contra 36% pelo SIM. O pêndulo da opinião pública balançou para o conservadorismo. E o desfecho fez vaticinar efeitos análogos e duradouros em outros campos da vida nacional.

-Fim de 2005: terremoto no PT e polarização ideológica

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Mídia e políticos tomaram ares de terem esquecido essa manifestação do eleitorado e a sarabanda dos escândalos, e no centro das atenções foi colocada a cassação do ex-ministro José Dirceu (foto 8). As idas-e-vindas da cassação foram consideradas por muitos como sintoma para se medir o grau de instrumentalização do Judiciário pelo Poder Executivo. Pesquisa da Associação de Magistrados Brasileiros (AMB) revelou que o Supremo Tribunal Federal (STF) é considerado pela maioria dos juízes como "a instância da Justiça a mais parcial do País".(11)

A votação do relatório final da CPI da Terra serviu de indicador da tensão ideológica no Brasil. Contra todas as provas coletadas pela CPI, o relator João Alfredo (PSOL, dissidência do PT) apresentou um texto virulento contra os proprietários e altamente elogioso ao MST. A maioria dos deputados da CPI recusou esse texto e aprovou outro. Este recomenda indiciar as cooperativas ligadas ao MST e pede o ressarcimento dos danos causados ao patrimônio público. No ato, a senadora petista Ana Júlia Carepa, aos gritos, chamou os proprietários de "assassinos" e rasgou o documento oficial da CPI.(12) No dia seguinte a CPT (Comissão Pastoral da Terra) emitiu violento e provocador comunicado contra o texto da CPI e contra os proprietários.(13)

Outro exemplo de polarização foi a acirrada oposição entre grupelhos abortistas e numerosos defensores da vida, presentes às reuniões da Comissão da Seguridade Social e Saúde da Câmara que tentou, sem sucesso, aprovar em dezembro o projeto de descriminalização do aborto.

O PT e a esquerda católica empenharam-se durante décadas para montar a enorme máquina que tenta jugular o Brasil. No final de 2005, esse dispositivo encontra-se desconjuntado e desmoralizado, mas ávido de retomar a revolução. E o País, que iniciara 2005 já agastado pela arrogância socialista, no fim do ano dava sinais de enfurecimento. Disto foi revelador e simbólico o quase folclórico episódio das bengaladas do escritor Yves Hublet no ainda deputado José Dirceu. Um parlamentar confidenciou que, se o líder petista não fosse cassado, "seríamos 513 deputados tomando bengaladas pelo País afora".(14)

-E o Brasil em 2006? Merecerá ainda o nome de País católico?

Na virtual incapacidade de fazer que o Brasil aceite uma utopia deletéria, igualitária e miserabilista, o que tentará a revolução empreendida pelo PT e pela esquerda católica em 2006?

Uma aventura? Qual?

Se o quadro internacional é imprevisível para 2006, tanto mais assim se afigura o panorama nacional. A perspectiva das eleições, a indigência ideológica de políticos de oposição como alternativa para o PT e o PSDB, a ambição utópica do PT de se perpetuar no poder, suas tendências inatas para se aproximar de Castro e de Chávez, apresentam um emaranhado tumultuado de possibilidades indecifráveis.

Então, não haveria solução para o Brasil?

As possibilidades de que em 2006 o Brasil adote um caminho digno da sua missão histórica deveriam repousar, mais do que nunca, nas mãos dos membros do Episcopado Nacional. Se os senhores Bispos pregassem destemidamente que o socialismo é incompatível com a doutrina da Igreja; se iniciassem uma cruzada pela prática séria e corajosa dos Mandamentos da Lei de Deus; se denunciassem os movimentos propugnadores do caos, que até hoje vicejam impunemente à sombra do nome católico, o futuro do Brasil não seria o desse caos nem das trevas, que caracterizam o moloch socialista. Entretanto, a atitude da CNBB e de tantos senhores Bispos durante o ano de 2005 não faz prever nada nessa linha para 2006.

Resta pois apelar aos católicos fiéis à doutrina tradicional da Igreja, e aos brasileiros de bom senso de modo geral, para que não se deixem embalar pelas iníquas promessas do socialismo, mesmo quando revestidas de rótulo religioso. Que continuem a defender a família, a propriedade privada; a combater o aborto, o “casamento” homossexual e tantos males de que o Brasil se vê ameaçado; a não se deixar enganar pela quimera de uma “Reforma Agrária” socialista e confiscatória.

A graça divina não abandonará os que lutam pela Civilização Cristã. Nossa Senhora Aparecida, Rainha do Brasil, os protegerá.


-Religião e cultura:
Desmoronamentos rumo ao "homem-nada"

O irracional e o absurdo invadiram meandros impensáveis da vida quotidiana. Nisso houve um método, que viso
achincalhar a imagem de Deus impressa na alma
humana e banir sua irradiação na Terra.

1º de janeiro: dois turistas de tanga bebericavam uma cerveja numa praia da Tailândia, tendo ao fundo um amontoado de entulho, árvores desgarradas e, quiçá, cadáveres. Dias antes o local fora atingido de cheio pelo tsunami. A contradição entre a tragédia e a ficção de não percebê-la pôs em evidência uma tendência que em 2005 atingiu um paroxismo: a entrada da irracionalidade na vida quotidiana.

Homens-bomba e atentados suicidas constituíram manifestação mais proeminente do irracional como instrumento de demolição da ordem. Mas foram apenas a ponta do iceberg. As políticas "alternativas" apelaram largamente para o disparate e o apalhaçado. Nisso destacaram-se os grupos e líderes "anti-globalistas" que se reuniram no início de 2005 em Porto Alegre.

Bem analisado, houve lógica na aparente loucura de 2005: tentar erradicar a cultura e a ordem na Terra e rebaixar o ser humano, que Deus fez à sua imagem e semelhança, para colocá-lo abaixo dos animais. E instalar, em lugar da ordem, uma anti-ordem, em tudo contrária à hierarquia harmoniosa de seres que Deus instituiu no Universo. Recapitulemos.

-Irracional até no Poder Judiciário

Em março, morreu cruelmente de sede Terry Schiavo (foto 9), uma doente inerme condenada por todas as instâncias
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judiciais norteamericanas. O clamor da opinião pública mundial, em nome do sagrado direito à vida e dos deveres básicos para com uma inválida, foi acintosamente contrariado em todos os níveis do Judiciário.

O diário “ABC” de Madri denunciou a enxurrada de decisões esdrúxulas de juízes espanhóis, à procura da celebridade ou da imposição de sua ideologia. Para isso, contrariaram princípios gerais do Direito, declararam alegremente anticonstitucionais leis que não serviam a seus propósitos, e demoliram assim o próprio fundamento do Poder Judiciário.


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Nos EUA, as esquerdas recorreram a juízes ideologizados para sancionar ou anular tudo o que não conseguiam modificar pelas vias democráticas próprias. Foi o caso de decisões em favor do "casamento" homossexual em vários Estados (foto 10).








Abismo do "casamento" homossexual atraiu outros abismos

Após o Supremo Tribunal de Massachusetts, EUA, aprovar o "casamento" homossexual, quatro legisladores estaduais introduziram projeto para liberalizar a bestialidade. E a administração estadual aboliu o uso dos termos "marido", "mulher", "pai" e "mãe", substituindo-os por "parte A", "parte B"; "genitor A" e "genitor B". No vizinho Canadá, em Ontário, mandou-se tirar dos registros oficiais as palavras "esposo", "esposa", "viúvo", "viúva" e "pessoas de diferente sexo".

A Holanda, após aprovar o “casamento” homossexual, registrou legalmente um "casamento a três" e passou a estudar a legalização da eutanásia até para bebês. Nesse mesmo país, um cidadão matou a sua mãe, arrancou-lhe a pele e passeou vestido com ela no Carnaval, como se tudo agora estivesse permitido.

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Na Inglaterra, a Marinha Real (foto 11) apelou para um lobby homossexual a fim de recrutar marujos. Na França, um transexual e um travesti apresentaram-se cinicamente ante as autoridades para se "casarem".








Exemplos de modas achincalhantes no ano

Virou moda em Nova York realizar "festa de divórcio", comemorando assim o que antes era uma vergonha e um fracasso. Outra moda foi a do The Happy Slap em Londres: adolescentes golpeiam as pessoas na rua, filmam a cena com celulares e depois trocam gravações para "entretenimento".

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Após piercing e tatuagens, entraram os implantes metálicos sob a pele e a aberração de cortar a língua em dois, a fim de parecer serpente. Uma igreja subterrânea promove essa moda: The Church of Body Modification (fotos 12).









Em matéria gastronômica, a nouvelle nouvelle cuisine empenhou-se em "desconstruir" a culinária francesa apelando para produtos pré-fabricados, matérias-primas comuns ou vulgares e extravagâncias como molho em pó, que se aspira direto pelo nariz com um canudo.


Ecologismo militante contra o homem

Em conseqüência de leis ecologistas insensatas, na Amazônia chegou-se a contar 2.000 espécimes de jacaré-açu em 1 quilômetro de rio. Nos Alpes, lobos passaram a depredar os rebanhos de ovelhas. A cidade de Caldas, no sul de Minas, sofreu cortes freqüentes de energia, danificação de telefones e telhados, devido à invasão de maritacas, tirivas e periquitos, pois é proibido caçá-los.

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Muitos animais e aves, outrora domésticos, não podem ser mantidos em casa devido a leis ecológicas, sendo substituídos por bichos exóticos como as serpentes boa-constrictor e piton (foto 13), o canguru e a iguana.

Na Bahia, a Promotoria do Meio Ambiente requereu habeas corpus para um chimpanzé do Zoológico, alegando que ele tinha "direitos humanos".

Em nome dos direitos dos animais, a prefeitura de Roma proibiu a venda de aquários redondos e obrigou os proprietários a passearem seus cães no mínimo uma vez ao dia. A cidade de Turim dispôs o mesmo, mas ali a absurda obrigatoriedade é de pelo menos três vezes ao dia, sob pena de multa de 500 euros. Em Blackpool, Inglaterra, os burros que conduzem turistas ganharam "direitos trabalhistas". E uma simples camponesa, na Galícia (Espanha), recebeu multa de 6.000 euros por chicotear seu burro.

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Na Internet, a DogCatRadio começou a transmitir este ano exclusivamente para aliviar a solidão de cães e gatos. Entre janeiro e outubro de 2005, foram lançados no mundo 465 produtos para cães e gatos mimados (foto 14). Entre estes, produtos para lhes tingir o pelo de cor dourada, laranja, rosa, bronze ou azul; pintar-lhes as unhas com esmaltes especiais para caninos e felinos; águas de colônia, talco perfumado e creme solar exclusivos.

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