Fevereiro de 2005
O objetivo ocultado da Reforma Agrária
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Discernindo, comentando, agindo

O objetivo ocultado da Reforma Agrária

Esquerdistas notórios, como D. Tomás Balduíno, Plínio de Arruda Sampaio e os chefões comunistas do MST criticam a lentidão da Reforma Agrária e exigem mudanças radicais. Qual a verdadeira realidade?

§   Cid Alencastro

As esquerdas de todos os matizes procuram fazer progredir a Reforma Agrária desordenadamente, mas são muitos os obstáculos que encontram. Ela caminha aos trancos e barrancos, não raro tropeçando num calhau ou detendo-se ante uma serrania.

O avanço da Reforma Agrária brasileira nestes últimos meses pode ser comparado ao cambalear de uma bêbada, que ora dá uns passos rápidos e incertos para frente, ora anda em ziguezague, ora tromba com um poste, ora se cansa e pára, gingando o corpo.

Esfinge de Gizé - Egito
Se estivéssemos assistindo a um filme, o caminhar esdrúxulo da personagem “Reforma Agrária” não pediria maiores explicações. O criador de uma cena fantasiosa pode dar-se ao luxo de falar à sensibilidade, sem apresentar justificações racionais. Não estamos, porém, diante de uma ficção, mas de uma realidade. E a toda realidade complexa pode aplicar-se o dito atribuído à enigmática Esfinge de Gizé, no Egito: “Ou me decifras ou eu te devoro”.

De modo que o leitor atento aos problemas do País, e à repercussão que podem ter sobre sua vida pessoal os desdobramentos indesejáveis dessa situação mal explicada, tem direito a saber o que está acontecendo.

No cerne, o direito de propriedade

A disputa em torno da Reforma Agrária não se resume a um conflito de interesses, em que latifundiários gananciosos querem a qualquer preço defender suas terras, contra pobres que buscam um chão onde plantar. Esse é propriamente o véu que oculta a disputa de fundo. A realidade consiste numa luta em torno do direito de propriedade, originado da própria natureza das coisas e garantido pela doutrina católica.

A Reforma Agrária, tal como vem sendo concebida no Brasil desde o Estatuto da Terra, e mesmo antes, é o passo desastroso que o socialismo anseia dar para impor ao País a sociedade sem classes, de tipo soviético, cubano ou chinês.

Goste-se ou não, a Reforma Agrária socialista e confiscatória opõe-se necessariamente às convicções religiosas da maioria dos brasileiros. O igualitarismo marxista colide de frente com a doutrina católica. Por mais que teologias da libertação, progressismos, esquerdas católicas façam malabarismos sem fim para conciliar o inconciliável, a verdade é essa.

Soube vê-lo com agudeza de vistas ímpar Plinio Corrêa de Oliveira. Foi mesmo um dos pontos salientes de sua vida pública a luta contra o agro-reformismo anticristão. E essa luta marcou a fundo o Brasil. De tal modo que até hoje a Reforma Agrária é vista entre nós com justa desconfiança, e o socialismo igualitário encontra nessa atitude da opinião pública um obstáculo difícil de transpor para cubanizar o Brasil.

Não podendo caminhar de modo retilíneo e às claras, ensaia ela a marcha da bêbada, cobre-se de véus e de pretextos, usa a violência do MST e a brandura de um governo leniente. Tudo na esperança de, em certo momento, alcançar seus objetivos.

Tal atitude de justa desconfiança da opinião pública brasileira diante da Reforma Agrária revela que, até certo ponto, o enigma da maldosa esfinge foi decifrado. E, com isso, o Brasil não foi devorado por ela. Ao menos por enquanto.

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