Fevereiro de 2005
Famintos “fantasmas”, informalidade e agronegócio
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Informativo Rural

Famintos “fantasmas”, informalidade e agronegócio

Onde estão os famintos? — A idéia de milhões de famintos e pessoas abaixo da linha de pobreza no Brasil soa falsa. A aquisição informal de alimentos e bens necessários não aparece nos dados oficiais. De vez em quando a realidade aflora e mostra que o número de gordos é incomparavelmente maior que o de magros. “Contrariamente à idéia bastante alardeada, mesmo dentro do governo federal, a fome não é mais um problema relevante para a grande maioria dos brasileiros adultos. Ela está circunscrita a um segmento minoritário [...]. O mais grave agora, na população com 20 anos ou mais, é o excesso de peso. Dados da 2ª etapa da POF (Pesquisa de Orçamentos Familiares), divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), revelam que o excesso de peso atinge 40,6% da população adulta, ou 38,8 milhões de brasileiros. Desses, 10,5 milhões são obesos (8,9% dos homens e 13,1% das mulheres). Só 4% da população apresenta déficit de peso” (“Folha de S. Paulo, 17-12-04).

Trabalho informal vai-se tornando a regra no País
Impostos e informalidade
— Quanto mais um governo socializante carrega nos impostos — seja a pretexto de fazer obras sociais ou de buscar uma igualdade quimérica — mais a população se esgueira e procura tirar o corpo. A realidade é que grande parte vive de bens não alcançáveis pelas estatísticas oficiais. A informalidade vai-se tornando a regra.

Como pobre obtém alimento “Uma parcela significativa dos alimentos na área rural do Brasil não é obtida com dinheiro, cartão de crédito ou cheque. É adquirida por meio de produção própria, doações, extrativismo, o que garante o acesso a importantes alimentos, como leite fresco, peixes, ovos, carne suína, frutas e hortaliças [...] Essas aquisições são chamadas de não monetárias pelo IBGE, ou seja, sem uso de moeda ou outra representação de dinheiro. Alguns exemplos na área rural são característicos.
Produção própria de carne suína representa 77% do consumo
No caso do leite fresco, 86% da aquisição se dá por meio de produção própria ou doação. A média de consumo do produto na área rural é de 50,029 litros ao ano, dos quais 43,884 são adquiridos de forma não monetária. Em relação à aquisição sem dinheiro de leite e creme de leite, na Região Norte predomina a produção própria (64,7% do total), enquanto na Região Sudeste prevalece a doação (47,8%). Outros exemplos na obtenção não monetária são carne suína e ovos, onde a produção própria responde por 77% e 74% do consumo respectivamente. Isso ocorre porque na área rural são maiores as chances da produção própria ou de extração de alimentos da natureza”
(“O Estado de S. Paulo”, 17-12-04).

José Dirceu: supersecretaria visando centralização
O agronegócio na mira
“José Dirceu anunciou a criação de uma supersecretaria, a Receita Federal do Brasil, um organismo que centralizará a arrecadação de impostos e contribuições sociais e previdenciárias. A nova repartição terá como meta unificar as atuais atribuições da Receita Federal e da recém-criada Secretaria de Receita Previdenciária. Dirceu afirmou que o projeto integra a lista das prioridades do governo para combater as fraudes na saúde e na Previdência em 2005 [...]. Um dos focos da fiscalização será o agrobusiness, que tem batido recordes de produção, mas só contribui anualmente com R$ 2,8 bilhões para a Previdência. Agora, o plano da unificação, com o projeto de Receita Federal do Brasil, é arrecadar todos os tributos do País” (“O Estado de S. Paulo”, 17-12-04). Com a palavra os produtores rurais.

 

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