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Tentativa de justificar miséria comunista...

Construir uma sociedade “verdadeiramente comunista no sentido bíblico da palavra” não tem como meta “um socialismo da abundância, mas da pobreza” (Leonardo Boff)
Indiretamente, a concepção subconsumista serve para tentar justificar a situação de miséria provocada pelo comunismo cubano e por outros povos submetidos ao domínio comunista, no século passado e também neste século. O marxismo, com suas ânsias delirantes de igualitarismo, fruto do orgulho e da inveja, não podendo oferecer aos homens a igualdade na prosperidade, procura fazer aceitar a igualdade na miséria.

... e defesa do subconsumo para todos

Mas não se trata apenas da justificação de um fracasso. Para os miserabilistas, convém que o homem disponha tão só do necessário para a conservação de sua existência e de sua saúde. Eles defendem a idéia de que tanto o consumo quanto a produção do homem não devem ultrapassar os exíguos padrões e limites que concebem como ideais. Tudo aquilo que exceder esse limite já seria considerado supérfluo, e portanto dispensável. Em contraste com a doutrina católica e com o bom senso, eles chegam a condenar não apenas o supérfluo, mas também a categoria de bens convenientes, que vão além daquele mínimo indispensável, e os rotulam desdenhosamente como frutos do consumismo.

Como subconsumistas que são, alegam que o natural desejo do ser humano por bens de grande ou até de grandíssima categoria, e sua aspiração pelo sadio progresso, trariam como conseqüência graves danos para a saúde física e psíquica das pessoas. Essa saudável e normal tendência das pessoas para a melhoria de vida e para a elevação pessoal, familiar e social estaria, segundo os miserabilistas, na raiz de muitas desordens da vida pós-moderna.

Supostamente, aquilo que excede o estritamente necessário, ao contrário de ser benéfico para o homem, ser-lhe-ia nocivo. Isto porque despertaria nele um desejo sem freios por tudo quanto é apetecível, deleitável, de grande qualidade, e até magnífico; mas, sobretudo — e este é um ponto importante para detectar os reais intuitos comunistas das doutrinas miserabilistas — porque se estabeleceriam desigualdades entre os homens.

Próceres da esquerda católica
defendem o miserabilismo

Rua de Havana: exemplo de miserabilismo
E
m artigo Cuba e o submarino, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira assim se referiu à torpe defesa do miserabilismo, feita por teólogos da libertação:

Alegres próceres da esquerda-católica brasileira, como Frei Betto, Frei Boff e quejandos lá estiveram [em Cuba].

Fazendo coro com ecologistas e tribalistas, esses homens-show da teologia da libertação entregaram-se à mesma lenga-lenga de sempre, cujos termos são mais ou menos os seguintes:

Em Cuba, vive-se feliz. Lá há miséria, é verdade. Mas qual é a diferença entre miséria e pobreza? E, no total, uma suportável pobreza não será melhor do que o consumismo? Ou, pelo menos, não será um mal menor, uma vez que não se obriga as populações a trabalhar tanto, para produzir tanto? O ócio que essa situação acarreta não terá lá os seus atrativos? E isso não será melhor do que a escalada vertiginosa da civilização de consumo?

Não podendo fazer outra defesa da Ilha-cárcere, seus propugnadores entregam-se a essas desajeitadas defesas do miserabilismo. E pouco se incomodam de, por essa forma, concorrer para que ali se perpetuem as brutalidades, as inclemências e os crimes do comunismo staliniano, fracassado no Leste europeu (“Agência Boa Imprensa” – ABIM, julho/92).

Anti-escola de igualitarismo, ateísmo e panteísmo

Karl Marx pregava a abolição de todas as desigualdades nas relações sociais com o objetivo de extinguir nas mentes a concepção religiosa do mundo e do próprio Deus.
Na realidade, o miserabilismo em geral e o comunismo cubano em particular, ao tentar abolir na sociedade qualquer vestígio das legítimas hierarquias e as harmônicas desigualdades que o próprio Deus instituiu na Criação, como reflexos de Si mesmo e de suas perfeições, põe em prática uma anti-escola de ateísmo.

É claro que, em matéria de desigualdades, pode haver exageros e abusos, como em todas as condições humanas. Ninguém os defende. Entretanto, as hierarquias e desigualdades retamente entendidas falam de Deus às almas e de seu plano criador. Portanto, dentro da implacável lógica revolucionária, elas devem ser eliminadas.

Karl Marx percebeu a influência da sociedade temporal sobre a formação — ou deformação — das mentalidades. E por isso indicou a seus sequazes esse método de ateização hoje aplicado em Cuba, que consiste na abolição de todas as desigualdades nas relações sociais com o objetivo de extinguir nas mentes a concepção religiosa do mundo e do próprio Deus. Um mundo sem desigualdades proporcionais e harmônicas prepara o espírito das pessoas para cancelar de seu horizonte mental também a suprema desigualdade existente entre Deus e suas criaturas.

Por isso, como afirmou o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, a questão do igualitarismo situa-se no fulcro mais central da luta entre as formas contemporâneas de ateísmo e de panteísmo e a Religião Católica, com seu ensinamento de um Deus uno, transcendente, eterno e perfeito.(8)

Conaturalidade com o horrendo

Santo Tomás de Aquino
Um dos objetivos do processo revolucionário, que vem corroendo a Cristandade desde o fim da Idade Média até nossos dias, tem sido a degradação, quanto possível, da natureza humana, incluindo os chamados conceitos transcendentais do ser, aplicados ao ente humano. Em seu sentido filosófico, como explica Santo Tomás de Aquino, os transcendentais são qualidades ou perfeições que existem em todo ser humano, e que cada um está chamado a desenvolver; assim, por exemplo, a unidade, a bondade, a verdade e a beleza.

Assim, em termos gerais, poder-se-ia dizer que a confusão, o caos e a conseqüente perda do senso das hierarquias afetam a visão da unidade; o relativismo filosófico, moral e religioso obnubila a percepção do verdadeiro; a imoralidade e a amoralidade na sociedade contribuem para deteriorar o senso do que é ou não bom; e por fim, é a concepção miserabilista, alentada por correntes comuno-progressistas, a ponta de lança para destruir nas almas e na sociedade a percepção do belo.

Com essa ofensiva conjunta para extinguir nas almas o dinamismo dos transcendentais do ser, a Revolução anti-cristã vai conseguindo levar imperceptivelmente a humanidade rumo ao ateísmo ou a formas de panteísmo que excluem a transcendência de Deus. Ou seja, Deus não seria um Ser diferente do Universo criado, autônomo e superior (transcendente), mas se confundiria com a criação.

Sob certo ponto de vista, o conjunto do plano e das metas miserabilistas constitui um auge de aversão a Deus, que começou com o pecado de orgulho de Lúcifer — o “Non serviam” — e projeta hoje sérias conseqüências no plano moral, social e econômico.

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