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Rainha e Padroeira, Virgem Mãe Aparecida, salvai o Brasil!

O País atravessa grave crise, sobretudo de ordem moral e religiosa, com reflexos em todos os campos da vida. Como meio de vencer as dificuldades presentes, impõe-se um reafervoramento confiante da terna e filial devoção à celeste Padroeira do Brasil, cuja festa se celebra no dia 12 do corrente mês. Para tanto, nada parece tão oportuno como rememorar aqui a singela história do milagroso encontro da imagem da Senhora Aparecida e a rápida expansão da devoção a Ela, bem como os favores com que tem abençoado a pátria brasileira.

Gustavo Antonio Solimeo
Luiz Sérgio Solimeo

 

“Nossa Senhora Aparecida! –– A exclamação acode freqüentemente ao espírito dos brasileiros. E sobretudo nas grandes ocasiões. Pode ser o brado de uma alma aflita que se dirige a Deus pela intercessão da Medianeira que nada recusa aos homens, e à qual Deus, por sua vez, nada recusa. Pode igualmente ser a exclamação de uma alma que não se contém de alegria, e extravasa seu agradecimento aos pés da Mãe, de quem nos vêm todos os benefícios”.

Plinio Corrêa de Oliveira

 

A devoção a Nossa Senhora Aparecida deitou raízes tão profundas na psicologia e na religiosidade do povo brasileiro que, nos momentos de crise como este pelo qual passa o País, para solidificarmos a fé autêntica e reencontrarmos a verdadeira identidade nacional, devemos reafervorar o amor à Padroeira. Só assim poderemos vencer as presentes dificuldades e caminhar rumo aos altos destinos históricos que aguardam nosso grande e querido Brasil.

O encontro milagroso

Foi em plena época colonial, quando a Nação estava forjando a sua personalidade através da catequização dos silvícolas, desbravamento das matas, conquista e povoamento do solo, que a Providência quis intervir milagrosamente em nossa História, pelo achado da imagenzinha da Aparecida.

A história desse encontro tem a beleza singela e sublime das narrativas evangélicas1.

Era o ano de 1717. Corria o mês de outubro.

D. Pedro de Almeida e Portugal, Conde de Assumar e Governador da Capitania de São Paulo, dirigia-se para as Minas Gerais, seguindo o curso do Rio Paraíba.

Ao chegar à Vila de Guaratinguetá, por ser dia de abstinência de carne, a Câmara Municipal solicitou aos pescadores da região que fornecessem peixes para o banquete que seria oferecido ao ilustre fidalgo português.

Entre os pescadores que se lançaram com suas barcas nas águas do caudaloso Paraíba encontravam-se Domingos Garcia, João Alves e Felipe Pedroso.

Em vão, porém, jogavam suas redes de um lado e de outro: elas voltavam sempre vazias, pois a temporada estava ruim.

Depois de muitos lances, João Alves, ao recolher sua rede, percebeu que havia apanhado alguma coisa. Surpresos, os três pescadores viram que se tratava do corpo de uma pequena imagem de barro, à qual faltava a cabeça.

Tornando a lançar a rede um pouco mais abaixo, o mesmo pescador recolheu a cabeça da imagem, o que deixou a todos maravilhados. Logo reconheceram que se tratava de uma representação de Nossa Senhora da Conceição.

A pescaria, até então infrutífera, tornou-se tão abundante que a barca quase afundava.

Prodígios confirmam a devoção

A devoção a Nossa Senhora Aparecida propagou-se graças aos prodígios e milagres que a cercaram, sendo o primeiro deles o próprio encontro da imagem.

Um dos pescadores, Felipe Pedroso, conservou a imagem por cerca de quinze anos em sua pobre casa, e depois fez presente dela a seu filho Atanásio, que a colocou num tosco altar.

Todos os sábados a vizinhança se ajuntava ali para rezar o terço e fazer outras devoções diante da imagem milagrosamente encontrada, a imagem “aparecida”, como diziam.

E o nome de “Aparecida” ficou designando a imagem: Nossa Senhora da Conceição Aparecida.

Numa das ocasiões em que os devotos ali rezavam o terço, as velas se apagaram, sem que houvesse vento, pois a noite estava serena. Silvana Rocha levantou-se para acendê-las, mas todos, maravilhados, viram que elas se acenderam novamente, sozinhas.

Este foi, segundo as antigas crônicas, o primeiro dos grandes prodígios operados pela Senhora Aparecida.

Logo vieram outros.

Várias vezes ouviram-se ruídos e estrondos onde se achava a imagem, e o tosco altar tremia, sem que ninguém tocasse nele. Estes fatos repetiram-se com insistência.

Compreenderam então que a Virgem queria que a imagem retirada das águas do Paraíba fosse venerada publicamente.

Para atender a esse manifesto desejo da Senhora Aparecida, ergueram-lhe uma capelinha, com o apoio do Padre José Alves Vilela, piedoso Vigário da Paróquia de Santo Antonio de Graratinguetá, em cujo território a imagem fora encontrada.

“Famosa pelos muitos milagres realizados”

As graças e favores que a Senhora da Conceição Aparecida vem derramando sobre o Brasil são atestados por documentos dignos de todo o crédito.

Um dos primeiros a escrever sobre esses favores foi o mesmo Padre Vilela, o qual fez o relato básico do encontro da imagem e dos primeiros milagres da Aparecida. Num documento de 1743, o zeloso Vigário já se refere aos “muitos milagres que tem feito a dita Senhora a todos os moradores”.

A crônica da Missão pregada em 1748 pelos jesuítas ressalta igualmente a fama dos milagres: “Aquela imagem, moldada em argila ... é famosa pelos muitos milagres realizados. Muitos afluem de lugares afastados, pedindo ajuda para suas próprias necessidades”.

O Padre João de Morais e Aguiar, Vigário em 1757, comenta que “se foi dilatando a fama até que, patenteando-se muitos prodígios, que a Senhora fazia, foi crescendo a fé... Os prodígios desta imagem foram autenticados por testemunhas e ainda continua a Senhora com seus prodígios, acudindo a sua santa Casa romeiros de parte sdistantes a gratificar os benefícios recebidos desta Senhora”.

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