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China: grande responsável pela ruína financeira do Ocidente

Em seu curto período de glória, esse “tigre de papel” teria, entretanto, conseguido provocar a crise econômica em que hoje se debatem a Europa e os Estados Unidos.

O mecanismo foi revelado recentemente, nas páginas do jornal francês “Le Monde”, por Antoine Brunet, co-autor do livro La Visée hégémonique de la Chine (L'Harmattann, 2011).

Brunet explica que, mercê do controle draconiano das divisas, a China mantém o yuan a US$ 0,15 e a 0,11 euros, quando o mesmo deveria valer 0,25 dólares e 0,21 euros, segundo o FMI e a ONU. Ao admitirem a China na Organização Mundial do Comércio, os países ocidentais renunciaram às represálias aduaneiras, única arma que poderia ter forçado os dirigentes chineses a reajustar sua moeda.

Resultou daí uma imensa desindustrialização do Ocidente (as empresas transferiram suas fábricas para a China), acompanhada de uma intensa industrialização desta última, a qual se apoderou dos mercados. O comércio exterior ocidental passou a ser fortemente deficitário, diminuindo ao mesmo tempo o investimento interno, enquanto suas economias ficavam expostas a sofrer uma recessão prolongada de natureza estrutural, ocasionada pela manipulação do yuan.

Em vez de enfrentar a China, a solução encontrada por Alan Greenspan (ex-presidente do banco central americano) e por seus colegas europeus foi a de favorecer uma política de juros baixos, para desencorajar a poupança das famílias e incitá-las à compra a crédito de moradias e outros bens de consumo. Durante quatro anos, o PIB e o emprego nos países ocidentais foram puxados para cima por um setor imobiliário eufórico, o qual levou a excessos e a um terrível efeito boomerang: uma tríplice crise, imobiliária, bancária e bursátil, a recessão e uma explosão do desemprego. Um fiasco absoluto.

Em fins de 2008, ao invés de forçar a China a revalorizar o yuan — que, desde o início, teria sido a única solução verdadeira para relançar o comércio exterior, o PIB e o emprego nos países ocidentais —, os aprendizes de feiticeiro da economia ocidental optaram por uma política de estímulo orçamentário, junto à manutenção de baixas taxas de juro a curto e longo prazo.

Apesar dessa estratégia keynesiana, a retomada do crescimento foi modesta e de curto prazo; em todo caso, incapaz de absorver os gigantescos déficits provocados pelos planos de estímulo, fazendo assim explodir a dívida pública. A subsequente suspeita dos investidores quanto à capacidade dos países mais frágeis em honrar seus compromissos (Grécia, Portugal, Irlanda, etc.) causou a disparada dos juros exigidos pelo mercado para os respectivos títulos da dívida pública, levando esses países à beira da falência. Um novo fiasco absoluto que ameaça fazer explodir a zona do euro e a própria União Europeia.

Quem é o responsável? — A covardia do Ocidente diante da China. Porque: 1) foi o pacifismo monetário diante da manipulação da moeda chinesa que desestabilizou as economias ocidentais em todos os planos (comercial, econômico, social, tecnológico, etc.); 2) as políticas compensatórias foram um fracasso e só agravaram ainda mais a desestabilização; 3) a única solução estrutural teria sido obrigar a China a revalorizar o yuan mediante represálias aduaneiras coletivas.

Os Estados Unidos e a Europa terão a coragem de fazê-lo, sabendo que os conflitos comerciais são muitas vezes o prefácio de conflitos diplomáticos e até militares?

Isso levanta a delicada questão da escalada militarista da China.

A maior ameaça chinesa: seu crescente poderio militar

A escalada armamentista chinesa vai muito além do necessário para meter medo...

Favorecidos pelo reconhecimento diplomático de Pequim como único e legítimo representante de toda a China, com cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU, os dirigentes comunistas chineses servem-se da tendência independentista de Taiwan como pretexto para uma escalada armamentista.

Realmente, com governo próprio e independência de fato sobre a ilha desde o fim da guerra civil chinesa em 1949, Taiwan é reconhecida como Estado independente por menos de vinte nações secundárias. E Pequim ameaça com o uso da força se Taiwan declarar formalmente a sua independência, oferecendo em troca a fórmula "uma nação, dois sistemas" que vigora em Hong-Kong.

A escalada armamentista, porém, vai muito além do necessário para meter medo, e eventualmente enfrentar Taiwan, levando analistas americanos e europeus a suspeitar que a China tem interesses geoestratégico e militares mais amplos.

1. Os interesses econômicos e ideológico-estratégicos preponderantes

Tais interesses são, ao mesmo tempo, ideológico-estratégicos e econômicos.

Do ponto de vista econômico, os escassos recursos naturais da China obrigam-na a assegurar a alimentação de uma população que aumenta cada dia seu padrão de consumo nas cidades costeiras. Ademais, o modelo de desenvolvimento chinês, baseado nas exportações, induz seus dirigentes a assegurar o acesso a fontes seguras das matérias primas necessárias para suas atividades de manufaturação. Daí, por exemplo, sua crescente aproximação com o Paquistão, com o qual está construindo uma parceria (11 mil soldados chineses estão estacionados na região de Gilgit-Balistan para ajudar o Paquistão a combater a rebelião autonomista dos habitantes) com vistas a construir um corredor viário e ferroviário que lhe dê acesso direto ao imenso porto de Gwadar, na boca do Golfo Pérsico, recentemente financiado e construído pela China.

A China moderniza e aumenta possantemente seu poderio militar

Do ponto de vista ideológico-estratégico, a China procura consolidar uma coalizão internacional de países emergentes que, com o propósito de defender seus próprios interesses, no final das contas acabam embarcando volens nolens numa espécie de luta Sul x Norte, versão atualizada da velha luta de classes marxista.

Isso explica a aproximação da China com os regimes ditatoriais de Cuba e da Venezuela chavista, bem como com os seus parceiros populistas do Equador, Bolívia e, mais recentemente, Peru.

Além de exportações militares — a compra de 40 aviões K-8 (Karakorum) pela Venezuela e seis pela Bolívia, e o equipamento da força aérea chavista com um centro de controle e comando empregando radares JYL-1, também adquiridos pelo Equador —, o Exército de Libertação Popular da China utiliza as instituições de sua Universidade da Defesa Nacional (em Nanjing e Changping, perto de Pequim) para estreitar laços com oficiais dos exércitos latino-americanos, oferecendo a estes últimos cursos em espanhol e inglês. Com o mesmo objetivo, o ELP participa, desde 2004, na força internacional da ONU no Haiti e desenvolveu exercícios de assistência humanitária no Peru.

2. A doutrina hegemônica do Dragão Vermelho

Com vistas a atingir esses objetivos político-estratégicos e econômicos, os geoestrategistas do Exército de Libertação Popular falam de uma nova "fronteira de interesses" da República Popular da China, sugerindo que o exército chinês não deve proteger apenas seu vasto território, mas igualmente seus interesses econômicos muito além de suas fronteiras (por exemplo, as companhias petrolíferas e mineiras operando em regiões vulneráveis da floresta amazônica).

Daí a necessidade, segundo os estrategistas chineses, de preparar as forças armadas não apenas para uma ação defensiva, mas, sobretudo, como uma "força de dissuasão" capaz de uma "defesa ativa em profundidade" (ou seja, de uma intervenção distante). Em 2006, Wu Shengli, comandante-em-chefe da Marinha de Guerra chinesa, exigiu "uma marinha poderosa para proteger a pesca, a prospecção de matérias primas e as rotas estratégicas da energia".

Em 2010, o diretor do Instituto de Pesquisa de Desenvolvimento Militar na Universidade Chinesa de Defesa Nacional, coronel Liu Mingfu, publicou um livro intitulado A Chinese Dream: Big-Power Thinking and Strategic Positioning in a Post-American Era [Um sonho chinês: Grande capacidade de pensar e posicionamento estratégico numa era pós-americana], no qual sustenta, parafraseando Clemenceau, que "o mundo é importante demais para ser deixado nas mãos dos Estados Unidos". Por isso, diz o coronel, a "China deve salvar a si própria e ao mundo" e preparar-se para ser a "timoneira do mundo", uma vez que "possui o gene cultural superior requerido para transformar-se em líder mundial".

Interrogados pelo site do Global Times, jornal oficial do Partido Comunista, a respeito das conclusões do livro do coronel Mingfu, 80% dos internautas chineses responderam positivamente à pergunta: "Você pensa que a China deve procurar transformar-se no primeiro país do mundo e no poder militar dominante?".

Essa nova tendência belicista ficou demonstrada em 2001, quando a aviação chinesa forçou um EP-3 – avião norte-americano de reconhecimento – a aterrissar na ilha de Hainan, desmembrando depois o aparelho e aprisionando seus tripulantes por longo tempo.

Caça chinês J-10, considerado por alguns especialistas mais sofisticado que o F-16 norteamericano

3. O poderio convencional e atômico do Exército Nacional de Libertação

A China já possui, de fato, o maior contingente de tropas do mundo, e ainda assim dobrou seu orçamento militar, numa corrida para dotar suas forças de armamentos sempre mais sofisticados, corrida esta não limitada às armas convencionais.

Na última década, o Estado comunista chinês aumentou o número e a quantidade das ogivas de seu arsenal atômico e dos mísseis capazes de atingir alvos distantes. Um recente relatório do Pentágono reconheceu que o Exército Nacional de Libertação "está fechando rapidamente a distância tecnológica com as forças armadas modernas". Por exemplo, Chen Hu, principal colunista militar da agência estatal Xinhua e editor da revista "World Military Affairs”, sustenta que os caças J-10 e J-11 já são superiores à última versão do F16 americano e que é esta a razão pela qual o governo Obama se recusou a fornecer a referida versão aos seus aliados chineses nacionalistas de Taiwan.

O mesmo relatório revela a existência, na China central, de instalações subterrâneas profundas, conectadas por três mil milhas de túneis, usadas para armazenar e esconder ogivas e mísseis, bem como para abrigar centros de comando resistentes a ataques nucleares.

No seu recente livro A Contest for Supremacy [Uma disputa pela supremacia], o Prof. Aaron L. Friedberg, da Universidade de Princeton, explica como a China representa uma séria ameaça para o futuro da paz: "A faixa de alcance, precisão e quantidade de mísseis cruzeiros e de mísseis balísticos de meio-alcance no arsenal da China dar-lhe-ão daqui a pouco a opção de atacar todas as bases americanas e aliadas na região [do Pacífico Ocidental] com ogivas que podem abrir crateras em pistas de pouso, esmagar abrigos para aviões e acabar com portos, plantas elétricas e redes de comunicação", informa o autor.

Baseados na teoria dos "conflitos assimétricos" da guerrilha maoísta (segundo a qual uma ameaça mortal não provém necessariamente de um poder militar equivalente; por exemplo, o ataque às torres gêmeas...), o Exército de Libertação Popular tem empregado grande parte de seus recursos em domínios que lhe dão uma vantagem assimétrica, como a guerra eletrônica e a espionagem.

Outro fator de superioridade das tropas chinesas é seu fanatismo, resultado de um doutrinamento político contínuo feito pelos Comissários do Povo. Estes exploram o orgulho nacional apresentando a China como um país do Terceiro-Mundo, vítima do caráter predatório do imperialismo e do colonialismo ocidentais.

Donald Rumsfeld, secretário de Defesa dos EUA no governo de George Bush, confessou candidamente, numa recente conferência no Canadá: "A única coisa que realmente me preocupa, a respeito da China, é que eu não entendo as relações entre a liderança política — os dirigentes do Partido Comunista — e o Exército de Libertação Popular. Eu não sei qual é a influência do ELP ou quem é que é realmente o responsável. É uma espécie de mistério para mim".

Igual ingenuidade parece prevalecer entre os líderes ocidentais a respeito da notória aproximação entre Moscou e Pequim.

4. A convergência estratégica entre a China e a Rússia

De fato os interesses da China e da Rússia não são divergentes, mas convergentes, pelo menos a curto e médio prazo, apesar do que dizem a maioria dos líderes ocidentais baseados em alguns analistas otimistas.

Num estudo publicado em 2006 pelo Norsk Utenrikspolitisk Institutt, de Oslo, de autoria de Kyrre Brækhus e Indra Øverland, tal convergência é posta em realce sob o expressivo título: A Match made in Heaven? [Um casal de sonho?]. Para os autores, essa convergência geoestratégica resulta tanto de interesses materiais comuns quanto da consonância de valores e de ideologia.

Do ponto de vista material, a Rússia é o fiel da balança no jogo de poder entre o Japão e a China pela preeminência na Ásia. E isso porque as duas potências amarelas carecem de matérias primas, especialmente as energéticas, que devem ser trazidas de longe através de rotas estratégicas de alto risco, enquanto podem pegá-las de modo mais seguro e com custos de transporte mais baratos no território russo, que as possui com fartura.

É sintomático o caso do oleoduto para levar o petróleo da Sibéria ocidental para o Extremo Oriente, cujo traçado era asperamente disputado entre o Japão e a China. Até 2004, parecia que o Japão estava levando a melhor e que o terminal oriental do oleoduto seria situado na baía de Nakhodka, na Sibéria, de onde seguiria depois para o Japão. Em vez disso, em 2005, o governo russo preferiu um traçado alternativo que levará o petróleo primeiramente até Skovorodino, nas proximidades da cidade chinesa de Daqing. Com um empréstimo de 25 bilhões de dólares para a sua construção, o oleoduto começou a operar em 1° de janeiro de 2011 e proverá a China com 300 mil barris-dia durante 20 anos, existindo já um plano para desenvolver um gasoduto paralelo.

A Rússia também pode prover as empresas chinesas com minérios estratégicos dos quais as empresas russas são os primeiros produtores mundiais, como alumínio, níquel, titânio e paládio. Tais empresas também estão entre os vanguardistas na produção de outros minérios, como platino (2° produtor), magnésio (3°), vanadio (4°), cobalto e ouro (5°), cobre (6°); sem contar suas reservas de carvão, sobrepujadas apenas pelas dos Estados Unidos.

A crescente competitividade da China não representa uma ameaça para a Rússia porque a indústria de manufaturados desta é muito pequena e, pelo contrário, seus consumidores podem aproveitar-se de produtos chineses baratos sem que tais importações desequilibrem sua largamente excedente balança comercial (decorrente da venda de petróleo). Aliás, ambas nações se reconheceram mutuamente como "economias de mercado" (sic!) e já tinham concluído, em outubro de 2004, negociações sob a égide da Organização Mundial do Comércio.

Dimitri Medvedev (esq.) durante uma visita a Pequim, disse que o objetivo de sua viagem era confirmar "a convicção da Rússia de que a China é um aliado geopolítico sério no desafio ao Ocidente".

Outro domínio de convergência entre os dois países é o militar. A Rússia tem sido o principal provedor de armamento da China desde o fim da Guerra Fria (90% das compras de armas entre 1991 e 2004, segundo um relatório do Pentágono), incluindo submarinos, destróieres, caça-bombardeiros, mísseis e aviões estratégicos de reconhecimento. Igualmente, a Rússia tem fornecido assistência técnica ao programa espacial chinês.

Por estarem dotadas de grandes exércitos e grandes arsenais convencionais e atômicos, as chances de uma invadir a outra são muito baixas. De outro lado, ambas carecem de aliados de peso e por isso têm expandido a cooperação militar, principalmente no campo da inteligência militar.

Do ponto de vista ideológico, ambos regimes reprimem de modo inclemente suas minorias étnicas rebeldes, em particular as islâmicas (Chechênia, na Rússia, e Uigur, na China), e reprimem a oposição interna com idêntica desconsideração dos direitos humanos, apoiando-se mutuamente diante dos organismos internacionais e da opinião pública mundial.

As suas diplomacias convergem em muitos cenários de conflito, como o do fim das sanções ao Irã (o qual é parceiro da Rússia e da China), ou no Oriente Médio e na África. Sobretudo, têm interesses convergentes na rivalidade comum com os Estados Unidos, lembrando o velho ditado segundo o qual "dois inimigos de um terceiro são amigos entre si".

Por todas essas razões, a convergência estratégica entre a Rússia e a China é uma tendência que ainda ganhará força em curto e médio prazo, e somente poderá passar por fricções de longo prazo no tocante à Sibéria, onde há uma clara pressão demográfica chinesa.

Prevalecerá por enquanto o dito por Dimitri Medvedev em 2008, durante uma visita a Pequim, de que o objetivo de sua viagem era confirmar "a convicção da Rússia de que a China é um aliado geopolítico sério no desafio ao Ocidente".

Desafio ao Ocidente...

A declaração do presidente-títere Medvedev nos remete ao início deste artigo. Pelo fato de o Ocidente ter desenvolvido a mais alta expressão histórica da civilização cristã; por abrigar em seu seio Roma, a capital da Cristandade; por ainda guardar os mais admiráveis e valiosos tesouros do seu passado cristão; pelo fato de a fé ainda estar viva em países como a Polônia, a Irlanda e Malta, ou nas nações emergentes da América Latina; por tudo isso, as forças do mal trabalham para o seu declínio, em favor do Oriente pagão.

Isso deve nos levar, a nós católicos, a olhar com muita vigilância a escalada geopolítica da China, e a eventual constituição, em torno desta, de um grande bloco anti-ocidental.

A mão estendida do Ocidente aos chineses autênticos

Nossa Senhora de Sheshan, Padroeira da China

Isso de nenhuma maneira significa que o povo chinês seja nosso inimigo. Muito pelo contrário.

No começo destas linhas, afirmávamos que Nosso Senhor Jesus Cristo e a Igreja são o centro da História, a qual continua a ser atravessada apenas por dois campos: o dos povos cuja cultura se pode dizer ainda cristã, e o dos povos que ainda não aceitaram Jesus Cristo. Embora clara, simples, lógica e conforme evidentemente aos fatos, esta divisão precisa ser vista com certa ductilidade de espírito. Porque existe, em ambos os lados, uma profunda divisão.

Em nosso Ocidente – cheio de tanta luz e de tanta glória, decorrentes de seu esplendoroso passado cristão – entretanto quanta miséria! Apostasia da fé, indiferentismo religioso, relativismo, imoralidade, às vezes mais odiosos do que o paganismo asiático ou africano.

Enquanto isso, nos países da antiga gentilidade, vicejam núcleos crescentes de católicos, que constituem no seu conjunto uma verdadeira primavera da fé.

Por isso, atrás da cortina policialesca de bambu que ainda cerca a China, há riquezas de alma que não se deixaram absorver nem pelo comunismo nem pela atual hiper-produtividade induzida, e que marcham em sentido oposto ao das falsas elites do país. O melhor da China é representado pelos 4% de cristãos e, em particular, pelo 1% de católicos (14 milhões). Mas estes últimos estão às voltas com a sinistra estratégia de divisão promovida pelo Partido Comunista através da cismática Igreja Patriótica sob as ordens de Pequim. [ver quadro]

Perseguidos implacavelmente pelo regime por causa de sua fidelidade inquebrantável a Roma e à jurisdição universal do Sucessor de Pedro, esses milhões de verdadeiros católicos da Igreja subterrânea constituem a grande promessa do imenso povo chinês.

Se eles permanecerem fiéis e o “dragão de papel” – pelo peso de seu próprio crescimento desequilibrado e de suas pretensões hegemônicas – acabar ruindo como um colosso de barro, abrir-se-á uma auto-estrada para a evangelização e a conversão de centenas de milhões de chineses desiludidos.

Como um lírio nascido na noite das catacumbas, no lodo de um regime que acumulou os males do miserabilismo comunista e do consumismo ocidental, sob a tempestade de um conflito apocalíptico pela disputa da hegemonia do mundo, uma nova China católica poderá vir à luz. E essa nova China católica não será uma imitação, de pele amarela e olhos puxados, da civilização ocidental. Pelo contrário, ela será o reflexo do plano que Deus teve em vista quando criou o poético, delicado e industrioso povo chinês.

A razão disso é explicada em luminoso artigo escrito por Plinio Corrêa de Oliveira para a revista Catolicismo, em janeiro de 1956, do qual reproduzimos alguns extratos, adaptando-os ao caso da China:

"A doutrina do Evangelho é imutável. Mas, ao ser posta em prática, ela deve atuar sobre inúmeras circunstâncias concretas das mais variáveis, ordenando-as, corrigindo-as, elevando-as. E como uma civilização católica, considerada no plano histórico, é sempre a realização dos princípios doutrinários imutáveis do Evangelho, em circunstâncias históricas mutáveis, como de outro lado a Igreja não está vinculada senão à Revelação, daí decorre que Ela não Se identifica com qualquer cultura, ou qualquer civilização, por mais que lhes tenha servido de fonte de inspiração. [...]

"De onde decorre que, embora [a cultura ocidental] tenha sido uma cultura católica, outras culturas católicas são possíveis, igualmente fiéis ao espírito da Igreja, mas alimentadas de seivas diferentes. [...]

"Pode haver [na China] ou na Pérsia, desde que se convertam, uma cultura católica que assuma, purifique, eleve e ordene todos os valores tradicionais daqueles países. Claro está que, neste sentido histórico da palavra ‘cultura’, terá nascido uma autêntica cultura católica nova, profundamente afim com a do Ocidente enquanto católica, profundamente diversa enquanto persa ou [chinesa]. [...]

"Os povos gentios, a Igreja não deseja de modo nenhum desnacionalizá-los, nem ocidentalizá-los. Católica, a Igreja entretanto não é cosmopolita. [...]

"Cabem, portanto, em seu seio todas as culturas, em tudo aquilo que tenham de naturalmente bom e aceitável pela Igreja, sob a condição de que se deixem guiar por sua doutrina e embeber inteiramente de sua vida sobrenatural”.

Rezemos a Nossa Senhora de Dong-Lu, Imperatriz da China, para que os católicos chineses, resistindo à perseguição e convertendo seus irmãos de sangue, façam nascer no antigo Império do Meio a maior nação católica da História.

Nesse dia, a China não será mais uma ameaça, mas a grande aliada do Ocidente para levar o Evangelho de Jesus Cristo até os últimos confins da Terra.

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