Novembro de 2006
O heróico pequeno exército do papado
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O heróico pequeno exército do papado

Os 500 anos da Guarda Suíça Pontifícia atestam sua inquebrantável fidelidade à Igreja; sua dedicação levada ao heroísmo; sua disposição de derramar o sangue, quando necessário, em defesa do Soberano Pontífice.

Paulo Roberto Campos

Coragem e Fidelidade (Acriter et Fideliter) é o lema da Guarda Suíça Pontifícia. Neste ano ela completou seus 5 séculos de fidelidade à Santa Sé, corajosamente servindo como o braço armado e guarda de honra dos sucessores de São Pedro.

Essa multissecular corporação militar foi criada em Roma pelo Papa Júlio II (1503–1513), em 22 de janeiro de 1506. Ocasião em que, depois de longas negociações, o primeiro destacamento de jovens suíços — constituído de 150 valorosos guerreiros considerados os melhores da época — entrava na Cidade Eterna, a fim de formar a guarnição papal, sob o comando de Kaspar von Silenen.

Respondendo a uma eventual objeção


Inicialmente, poder-se-ia perguntar: que necessidade teria a Santa Sé de preocupar-se com questões temporais e de defesa militar?

Em todos os tempos, o vagalhão do ódio anticatólico investiu contra a Igreja, tentando destruir essa instituição divina. Em particular contra o sucessor de Pedro, o Papa. Nada mais normal, portanto, do que terem os Papas à sua disposição meios eficazes de defesa contra tal vagalhão, seguindo o conselho de Nosso Senhor: “Eis que eu vos envio como ovelhas no meio de lobos. Por isso, sêde prudentes como as serpentes, e simples como as pombas” (Mt 10, 16).

Esses meios de defesa tornaram-se ainda mais necessários a partir do surgimento do fenômeno revolucionário, que já ia avançado no século XVI, época em que foi criada a Guarda Suíça Pontifícia. Alguns fatos históricos, adiante mencionados, comprovam como os inimigos da Santa Igreja investiram contra Ela, invadiram e se apossaram de seus territórios e puseram em risco a vida do Papa.



Ademais, como qualquer chefe de Estado soberano, o Papa tinha o direito e o dever de constituir, dentro dos Estados Pontifícios, seus próprios destacamentos regulares. Compreende-se por Estados Pontifícios ou Estados da Igreja o conglomerado de territórios — basicamente situados no centro da Península Itálica — cuja capital foi Roma. Tal conglomerado manteve-se entre os anos 750 e 1870 como Estado independente, diretamente subordinado à autoridade temporal dos Papas, chefes supremos da Igreja.

Assim sendo, para auxiliar também a manutenção do poder temporal da Igreja, foram instituídos, além da Guarda Suíça Pontifícia, outros três corpos militares a serviço da Santa Sé: a Guarda Nobre, a Gendarmeria Pontifícia e a Guarda Palatina de Honra. Essas três corporações pontifícias foram abolidas (Vide quadro abaixo).


Os três Corpos Militares Pontifícios que foram abolidos

Guarda Nobre Pontifícia

Gendarmeria Pontifícia

Guarda Palatina de Honra

Das Guardas Pontifícias, a única ainda hoje existente é a Guarda Suíça. Mas a Santa Sé chegou a ter à sua disposição três outras guardas, que a ela e à pessoa do Papa prestaram grandes serviços: a Guarda Nobre Pontifícia, a Gendarmeria Pontifícia e a Guarda Palatina de Honra. Infelizmente tais corporações militares foram extintas.

Guarda Nobre Pontifícia

Guarda Nobre

Criada em 1801 pelo Papa Pio VII, era composta de jovens das primeiras famílias de Roma. Teve sua origem nos antigos cavallegeri e nos lancie spezzate (fiéis cavaleiros que gratuitamente, desde o século XVI, já prestavam serviços à Santa Sé). Foi desfeita por ocasião da prisão de Pio VII pelas tropas napoleônicas, e reconstituída com o retorno a Roma daquele Pontífice.

Juntamente com os guardas-suíços, os cavaleiros da Guarda Nobre atuaram brilhantemente na defesa dos sucessores de São Pedro, sobretudo nas épocas das várias invasões aos Territórios Pontifícios. Esse Corpo Militar de fidalgos italianos deu inúmeras provas de valor e adesão à Sé Apostólica.

Gendarmeria Pontifícia

Gendarmeria Pontifícia

Sua existência remonta a 1816, com o nome de Carabinieri Pontifici, mas sua fundação ocorreu oficialmente em 1849 — após a retirada de Roma das tropas republicanas —, no reinado do Bem-aventurado Pio IX. A Gendarmeria era a força executora das leis e ordens da administração civil e criminal. Ademais, prestava serviço de manutenção da ordem pública. Ela se honra de ter descoberto todas as conspirações que durante decênios se organizaram contra o poder temporal do Papado. Seus membros eram voluntários, recrutados entre os habitantes dos Estados da Igreja que desejavam prestar serviço ao Papa. Por ocasião dos ataques perpetrados pelos garibaldinos, a Gendarmeria soube eficazmente combatê-los.

Guarda Palatina de Honra

Criada em 1850 por decreto do Bem-aventurado Pio IX. Seus membros eram recrutados entre a nobreza e a burguesia. Nas várias revoluções que conturbaram o Pontificado daquele grande Papa, a Guarda Palatina destacou-se, tomando armas na proteção da pessoa do Sumo Pontífice e de seus Estados, bem como dos Palácios Apostólicos.

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