Novembro de 2006
O heróico pequeno exército do papado
Capa

“Muralha móvel” em defesa da Cristandade


Trataremos aqui apenas da única ainda hoje existente: a Guarda Suíça Pontifícia. Isto em razão das diversas comemorações realizadas neste ano para recordar seu quinto centenário.

A serviço da Santa Sé, a Guarda Suíça tem como primeiro dever garantir a segurança do Sumo Pontífice. Mas também cabe a ela o nobre encargo de acompanhar Sua Santidade em audiências públicas; de proteger os palácios apostólicos; de ser a sentinela do Vaticano e participar de diversas cerimônias, colaborando assim com o esplendor devido à Corte Pontifícia.




Em nossos dias, o contingente da Guarda Suíça, o menor exército do mundo, é composto por apenas 110 homens — 4 oficiais (coronel, tenente coronel, major e capitão), 1 capelão, 26 suboficiais e 79 soldados. São poucos, mas perpetuam seus tradicionais encargos. Seus passos ecoam por uma multissecular história de fidelidade à Sé Apostólica. Devido a tal dedicação, entre outros títulos, eles ficaram registrados na História como “intrépidos guerreiros”, “guardas do papado”, “muralha móvel” em defesa da Cristandade, “armadura” da Santa Igreja.






Suíça: encantos, horrores e um povo de guerreiros

Papa Júlio II

Tácito, grande historiador latino, escreveu: “Os helvéticos são um povo de guerreiros, célebre pelo valor de seus soldados”. Os guardas-suíços corresponderam a esse elogio. Em 1512, pela bravura demonstrada na defesa da Cidade Eterna, receberam do Papa Júlio II o título de Defensores da Liberdade da Igreja. Nesse sentido, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira considerava que o povo suíço foi destinado por Deus para uma missão histórica muito alta: a de defensores da Civilização Cristã. Ele descreveu tal missão como tendo muita consonância com as belezas naturais da Suíça e contrastando com os horrores disseminados por seitas protestantes naquele país (Vide quadro abaixo).




A grande vocação do povo suíço

A Suíça sempre me pareceu uma nação especialmente destinada pela Providência para prestar grande serviço a Nossa Senhora. Toda a atmosfera física, os lagos, as montanhas, as neves, os precipícios, tudo fala a respeito de uma natureza cheia de candura, de bondade e também de força.

Não se diria entretanto que camponeses como aqueles — de olhos azuis profundos como a cor dos lagos junho aos quais eles nasceram, olhos que falam de reflexão, de meditação, de paz — haveriam de praticar os horrores que praticaram. Um exemplo disso foi Zwinglio — o Calvino suíço, que espalhou sua seita por todo o país —, um dos protestantes mais furibundamente anticatólico.

Mas também é verdade que daquelas atmosferas pacíficas têm partido, para a história da Suíça e da Civilização Cristã, guerreiros de primeira ordem. Se levarmos em consideração os suíços que defenderam Luís XVI e Maria Antonieta contra os revolucionários de 1789, vê-se bem até que ponto eles eram heróicos e estavam dispostos a defender a Civilização Cristã.

Por fim, a vocação dos suíços de serem os guardas pontifícios. Ou seja, terem a honra de fornecer normalmente uma guarda para o Papado, missão que continua até nossos dias.







Maria Antonieta rainha da França

Tudo isso tem muito significado, uma beleza e um valor que contrasta com a hediondez do protestantismo, da heresia e de outros horrores que na Suíça se passaram. Fica-se com a idéia de que a Suíça é uma nação que teve uma grande vocação, chamada por Deus muito especialmente para um papel histórico privilegiado.

Excertos de conferência proferida por Plinio Corrêa de Oliveira,em 26-4-95

Condições necessárias para militar na Guarda Suíça


Atualmente, para alguém ingressar na Guarda Suíça Pontifícia se requerem algumas condições, além da exigência de ser varão de cidadania suíça: ser católico apostólico romano; gozar de reputação irrepreensível; celibatário (nos dois primeiros anos de serviço na corporação); ter entre 19 e 30 anos; possuir robusta constituição física, com altura mínima de 1,74m; ter prestado serviço militar, haver terminado o curso colegial e apresentar formação profissional.

O serviço na Guarda Suíça perdura por dois anos, com possibilidade de renovação e promoção, até um máximo de 20 anos de atividade.

Princípio muito contrário ao progressismo católico

O multicolorido uniforme — com as cores azul, vermelho e amarelo — da Guarda Suíça Pontifícia foi desenhado pelo célebre artista Michelangelo (1475–1564). Apesar de ser uma indumentária renascentista, tem alguma reminiscência medieval, como o refulgente elmo, a couraça e a espada, além da aguçada e cintilante alabarda, que é portada em certas ocasiões. Comparando esse esplendoroso traje militar do século XVI com as fardas modernas, nota-se como estas são monótonas e pardacentas — uma voluntária renúncia à beleza.


Certamente esse traje da Guarda Suíça Pontifícia é o uniforme militar, ainda em vigor, mais antigo e mais fotografado do mundo. Tanto os oficiais como os guardas têm um uniforme de grande gala, outro de meia gala e outro de serviço ordinário. Mas os três atraem a atenção pela harmonia do colorido. Não há quem, em viagem à “Bella Itália”, visitando o Vaticano, não procure tirar uma foto junto a um guarda-suíço. O Prof. Plinio Corrêa de Oliveira fez o seguinte comentário sobre esse uniforme: “Tudo nele lembra o esplendor das antigas cortes, a alegria e a doçura de viver que eram inerentes ao Ancien Régime. Qual o tipo de alegria que exprime esse uniforme? É uma alegria que não tem nada de sensual. É a alegria de ser soldado, de combater e de ser dedicado ao Papa. Ele simboliza um princípio muito contrário ao progressismo católico, que é o princípio da força a serviço do Papado”.

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