Novembro de 2006
O heróico pequeno exército do papado
Capa

Comemorações no 5º Centenário da Guarda Suíça

Kaspar von Silenen

Ao longo deste ano, com a finalidade de celebrar os 500 anos da empolgante, árdua e gloriosa epopéia da Guarda Suíça Pontifícia, várias cerimônias foram realizadas em Roma e em diversos cantões suíços. Houve exposições, concertos musicais, encontros, atos culturais, lançamentos de livros, medalhas e selos comemorativos. Realizou-se até uma caminhada de 723 quilômetros, que repetiu a mesma histórica marcha dos primeiros Gwardiknechte — nome original dos guardas no Renascimento — comandados por Kaspar von Silenen, que partiram de Bellinzona (capital do cantão suíço Tesino), marcharam até Roma e entraram pela primeira vez no Vaticano. De 7 de abril a 4 de maio do presente ano, o itinerário foi percorrido a pé por antigos guardas-suíços e jovens convidados para a “marcha comemorativa”. Ela foi dividida em 26 paradas ao longo do antigo caminho dos peregrinos que chegavam a Roma pela Via Francigena.

Elmar Theodor Mäder

Chegando à Cidade Eterna, os participantes dessa grande marcha foram acolhidos por autoridades. E o ex-comandante da Guarda Suíça Pius Segmüller, que guiou a “marcha comemorativa”, entregou a bandeira da corporação ao atual comandante Elmar Theodor Mäder. Em seguida, precedidos por um destacamento de honra da Guarda Suíça, dirigiram-se à Praça de São Pedro, onde os esperavam representantes das Forças Armas Italianas. Nesta ocasião o Papa Bento XVI pronunciou uma saudação aos guardas, relembrando a grande generosidade dos 147 guardas-suíços (do total de 189) que, em 6 de maio de 1527, durante o Saque de Roma (vide p. 33), lutaram e morreram para salvar o Sumo Pontífice então reinante, o Papa Clemente VII (1523–1534).




Juramento de fidelidade dos novos recrutas

Papa Clemente VII

Em memória desse épico sacrifício dos guardas-suíços, no dia 6 de maio de cada ano novos recrutas prestam solene juramento de fidelidade à Santíssima Trindade e ao Papa. Naquele longínquo 6 de maio de 1527, esse dia significou morte; em 2006, significou vida, pois novos membros da Guarda Suíça foram admitidos para servir à mesma nobre causa de seus antecessores.

Normalmente, a bela e marcial cerimônia de juramento de fidelidade realiza-se no Pátio de São Dâmaso do Palácio Apostólico. Mas neste ano o solene evento efetuou-se publicamente na Praça de São Pedro, para encanto dos milhares de peregrinos e admiradores que ali chegaram provenientes de diversas nações. Presentes ao ato, representantes diplomáticos e autoridades da Cúria Romana e da Suíça, inclusive o presidente helvético Mortz Leuenberger, que na ocasião declarou: “A Guarda Suíça é o exército menor do mundo, mas ao mesmo tempo, o serviço de segurança mais eficiente”.

Trajeto de Bellinzona até Roma

Os militares da Guarda Suíça Pontifícia, desde o comandante até os alabardeiros, entraram com o uniforme de grande gala, marchando ao som de sua excepcional fanfarra sob o aplauso da multidão. Em seguida, o capelão da Guarda fez leitura do texto do juramento de fidelidade (vide quadro abaixo), e cada um dos 33 novos recrutas foi chamado nominalmente. Ao ser chamado, o neófito rompe o passo; depois, segurando firmemente com a mão esquerda a bandeira da Guarda Suíça e tendo os três dedos da mão direita levantados (como na foto ao lado), para simbolizar a Santíssima Trindade, confirma e jura: “Eu ...[nome]... juro servir com fidelidade, lealdade e honra tudo o que foi aqui lido presentemente. Que Deus e nossos Santos patronos me assistam”. Em particular, o novo membro da Guarda Suíça invoca os santos patronos da corporação: São Martinho, São Sebastião e São Nicolau de Flue.





Juramento de Fidelidade

Bandeira da Guarda Suiça

“Juro servir com fidelidade, lealdade e honra o Supremo Pontífice e os seus legítimos sucessores, e dedicar-me a eles com todas as minhas forças, sacrificando inclusive, se necessário, a minha própria vida para defendê-los. Assumo igualmente este compromisso relativamente ao Sacro Colégio dos Cardeais durante o tempo da Sé vacante. Prometo ainda ao Capitão Comandante e aos outros meus superiores respeito, fidelidade e obediência. Juro observar tudo aquilo que a honra da minha posição exige de mim.

Que Deus e nossos santos patronos me assistam”.

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