Setembro de 2009
Deslumbrante!
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Tradição

Deslumbrante!

Gregorio Vivanco Lopes

Vendo essa foto, logo à primeira vista fica-se atônito diante de tal colorido múltiplo e contrastante, do domínio absoluto desses homens calmos e esguios, com suas vestes alvas e simples, tendo as cabeças cingidas por turbantes magníficos que mais parecem coroas de reis; sobre elefantes fortíssimos e imensos, mas submissos como cordeiros numa pradaria.

A natureza se encarrega de realçar esse quadro magnífico com a moldura simples e sem pompa de um céu azul, com raras e esparsas nuvens brancas.

A cena é impactante, como mais não poderia ser. É feérica! Nem é preciso dizer que estamos na Índia, a terra legendária dos marajás e dos rajás, que nada tem a ver com a Índia moderna, nascida do espírito de rebelião de Ghandi e seus sequazes.

Tem-se vontade de parar e ficar olhando, olhando... olhando! A cena é tão polimórfica, tão rica de coloridos, de aspectos inesperados, que não cansa contemplá-la.

É claro que não encontramos neste cenário o inigualável senso das medidas e da proporção, de que a França é o exemplo sem par. Nada nele se equipara também à “garra” ibérica, à ordenação alemã, à graça austríaca, à perfeição das formas da bela Itália. Ou seja, não estamos diante de um fruto característico da civilização cristã.

Deve por isso ser rejeitado? De nenhum modo! Ao contrário do neopaganismo atual, em que tudo é feio e disforme, o mundo antigo, ainda não cristianizado, era depositário de numerosos valores de ordem natural, muitos deles encantadores, que uma catequese autêntica e inteligente deveria saber aproveitar e levar ao auge pela ação da graça divina.

Nesse sentido, consideremos [vide quadros ao lado] o que nos ensina Plinio Corrêa de Oliveira em sua incomparável seção “Ambientes, Costumes, Civilizações”, publicada ao longo dos anos em nossa revista.

* * *

Na edição de março/1967:

“Entre as tradições que merecem sobreviver, algumas [...] há em que não se pode tocar sem desfigurar a própria alma da nação, o seu processo de continuidade histórica, sua própria identidade consigo mesma. [...] Na Índia dos marajás, por exemplo, muita coisa haveria que modificar. Mas essa obra jamais poderia degenerar num fazer tabula rasa de todos os tesouros de arte, cultura e talento da Índia tradicional. Nem numa substituição sumária e total da Índia grandiosa, lendária e poética, plasmada pelos séculos, por um Estado socialista, prosaico e vulgar como é a Índia atual”.

* * *

Na edição de novembro/1955,
ao descrever um pagode chinês:

“Entre os chineses, [não se apagou] um certo amor ao bom senso, ao equilíbrio, à beleza, que se patenteia de modo esplêndido neste edifício. E de quantas outras culturas antigas se poderia fazer o mesmo elogio! É o que explica a dileção, o cuidado, o gosto com que a Igreja, nos países de missão, se acerca desses restos, por vezes ainda palpitantes, de velhas civilizações, conservando-os, estudando-os, purificando-os das sordícies pagãs, para finalmente lhes infundir outro espírito, e os assumir e integrar no imenso acervo da cultura católica”.

* * *

Na edição de março/1956, sobre a antiga mesquita muçulmana, transformada em Catedral de Córdoba:

“Os espanhóis vencedores do Islã, movidos pelo espírito da Igreja, que não desdenha nem rejeita o que o homem produza de reto e de bom, [...] conservaram com amor as maravilhas da arte árabe, e as consagraram legitimamente ao culto divino. [...] Ninguém poderia dizer que neste ambiente naturalmente harmonioso e digno não se poderiam desenrolar convenientemente as pompas sagradas da nossa liturgia”.

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