Setembro de 2009
Caos: quantos crimes se cometem porque ocultam teu nome!
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Caos: quantos crimes se cometem porque ocultam teu nome!

Diagnosticado como “aids psico-social”, o caos, hoje uma catástrofe universal, foi denunciado durante mais de 70 anos pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira

Juan Gonzalo Larrain Campbell

Prof. Plinio Corrêa de Oliveira

Foi recentemente publicado na Colômbia, pela Sociedade Colombiana Tradición y Acción, um livro-denúncia, da maior atualidade particularmente para toda a América Latina, inclusive para o Brasil. Trata-se do livro Colômbia: Nunca mas bajo el imperio del caos!(1), na qual se desvenda com fatos e documentos irrefutáveis a manobra revolucionária induzida que levou aquela nação á trágica situação pela qual tem passado nas últimas décadas, e que atinge, em graus diversos, todo nosso continente.

Enfocando a realidade colombiana á luz dos ensinamentos do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira sobre a metamorfose — e não morte — do comunismo, o livro põe a nu as terríveis técnicas utilizadas pela Revolução universal para, através do caos, conduzir o mundo à sua meta final, que é a mesma do comunismo: o anarco-coletivismo tribal.

Metodização da suma desordem

Apenas para mostrar ao leitor a importância do caos como manobra de guerra psicológica revolucionária, é preciso considerar que o objetivo último da Revolução não consiste apenas em suscitar crises religiosas, morais, políticas, sociais, econômicas, etc. Seus fautores pretendem quebrar o homem inteiro, introduzindo nele a desordem no pensamento e na própria psique. Esta desordem se repete nas instituições, o que por sua vez a agrava, formando um círculo vicioso em que o homem vai sendo cada vez mais impelido a seguir seus instintos, e cada vez menos governado pela razão, rumo a um estado de barbárie psicopática sem precedentes na História.

Com efeito, o caos de que padece a sociedade contemporânea não é uma simples desordem. É a metodização da suma desordem,(2) por meio da eliminação de todas as autoridades, leis, costumes e princípios cristãos, visando estabelecer um neopaganismo no qual se dê livre curso a todos os fatores de deterioração, e se reprimam todos os elementos que pretendem opor uma sadia reação.

“Aids psico-social”

Neste artigo desejamos mostrar ao leitor com que longa antecedência o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira denunciou a penetração do caos –– um “aids psico-social”, segundo sua feliz formulação –– no panorama mundial, dando a conhecer algumas de suas primeiras advertências.(3)

Já em 1930 — ao constatar a repercussão na sociedade neopaganizada de um cientificismo exacerbado com base em doutrinas fracassadas — denunciou ele o triste itinerário do anoitecer da razão, prevendo que isto teria como desfecho o estabelecimento do governo das paixões, cuja conseqüência é o caos contemporâneo:

“Tal é o embate das doutrinas, tal é a confusão dos sistemas, tais as contradições entre as descobertas de hoje e as leis ainda ontem tidas por verdadeiras, que a árvore reta e frondosa da verdade –– o magnífico jequitibá dos conhecimentos eternos, que resistem a todo o exame e são superiores a todos os paradigmas científicos –– custa para ser descoberta.[...]

“Vemos que o neopaganismo de nossa época infiltrou-se na ciência por tal forma, que o bom senso é conspurcado, e os próprios conhecimentos mais elementares são altivamente negados por pessoas de incontestável renome e valor intelectual.

“E não poderia deixar de ser assim! Negaram os filósofos do século XVIII a Fé Católica em nome da razão, cujo culto a Revolução Francesa quis estabelecer. A evolução do mesmo movimento revolucionário fez com que se acabasse negando a própria razão para ficarem [...] escombros, que é o que vemos por quase todo os lados.”(4)

Não haverá ordem durável

Em 1932, ao prever as conseqüências da anarquia intelectual do século XX, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira declarou:

“Enquanto subsistir esse caos no mundo do pensamento, será absolutamente impossível instituir uma ordem durável no domínio da política e da economia”.(5)

Comentando o lema de Pio XII Opus Justitiae pax, e analisando em função dele as relações internacionais, afirma que só há ordem entre os povos quando eles obedecem à Lei de Deus. Prevendo que esta não seria obedecida, mostrou que o caos tenderia a se tornar consolidado:

“Evidentemente, violações da Lei de Deus, sempre as houve e sempre as haverá, com freqüência maior ou menor, na História da humanidade. Mas, que se transforme a violação em direito, a desordem em hierarquia legítima e permanente, e se arvore como princípio básico e fundamental aquilo que é a negação radical e absoluta de toda a Lei de Deus, há nisto uma desordem monstruosa e profunda, com a tendência de se tornar definitiva, que deve apavorar todo espírito em que ainda bruxuleiam alguns lampejos, já não direi do senso católico, mas de simples e reta razão natural.

Com efeito, o risco a que aludimos não consiste em uma simples injustiça, e sim na glorificação da injustiça como tal, na consolidação da injustiça, na entronização da injustiça como regra fundamental de ação e norma basilar nas relações entre os povos”.(6)

Monstruosa catástrofe

 
Papa Pio XII

Continuando os comentários do lema de Pio XII, uma semana depois, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira insistia no mesmo ponto, sustentando que a ruína de nossa civilização não será conseqüência só da desordem, mas de algo muito pior, que é a tranqüilidade nessa desordem:

“Se a paz com justiça, a paz desejada pelo Santo Padre Pio XII com tão apostólico ardor, é um bem inestimável, a tranqüilidade decorrente da injustiça consumada, e que implique na cessação de qualquer resistência contra os fatores de desagregação da civilização católica, não pode deixar de constituir uma monstruosa catástrofe para o mundo contemporâneo, certamente comparável ao que foi para a Antigüidade romana a queda do Império do Ocidente”.(7)

As forças do caos

Na sua obra-mestra Revolução e Contra-Revolução, publicada em 1959, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira denuncia o caráter não espontâneo mas induzido, do caos que está a serviço da Revolução:

“Encarados superficialmente, os acontecimentos dos nossos dias parecem um emaranhado caótico e inextricável, e de fato o são de muitos pontos de vista. “Entretanto, podem-se discernir resultantes, profundamente coerentes e vigorosas, da conjunção de tantas forças desvairadas, desde que estas sejam consideradas do ângulo da grande crise de que tratamos.

“Com efeito, ao impulso dessas forças em delírio, as nações ocidentais vão sendo gradualmente impelidas para um estado de coisas que se vai delineando igual em todas elas, e diametralmente oposto à Civilização Cristã.

“De onde se vê que essa crise é como uma rainha a que todas as forças do caos servem como instrumentos eficientes e dóceis”.(8)

* * *

Após ler os trechos acima, confirmando a denúncia do caos feita pela Sociedade Colombiana Tradición y Acción, podemos concluir, parafraseando Mme. Roland (revolucionária guilhotinada pela Revolução Francesa, que ao pé do cadafalso exclamou: Liberdade, liberdade quantos crimes se cometem em teu nome!): Caos, caos, quantos crimes se cometem porque ocultam teu nome, teus métodos e tuas intenções!

___________________

Notas:

1. A obra pode ser encomendada a: Calle 23 Norte nº 3-33 of 402, Cali, Colômbia, ou a Calle 61 nº 4 A-00, Bogotá, Colômbia. E-mail: tradiaccion@telesat.com.co.

2. Sobre o mesmo tema, vide Catolicismo nº 481, de janeiro de 1991, p. 49; e Catolicismo nº 521, de maio de 1994, p.10; ou Juan Gonzalo Larrain Campbell, em Plinio Corrêa de Oliveira: previsões e denúncias em defesa da Igreja e da Civilização Cristã, Artpress Indústrias Gráficas e Editora Ltda, S. Paulo, 2001, pp. 64 a 67 e pp. 69 a 71.

3. O Prof. Plinio Corrêa de Oliveira escreveu numerosos artigos sobre a matéria, que podem ser encontradas no site: www.pliniocorreadeoliveira.info.

4. “Legionário” nº 64, 24-8-1930, Quid est veritas?.

5. “Legionário” nº 105, 2-10-1932, Patriotismo.

6. “Legionário” nº 433, 29-12-1940, Justitia.

7. “Legionário” nº 434, 5-1-1941, “Opus justitiae pax”.

8. Revolução e Contra-Revolução, 4ª ed. em português, Artpress, S. Paulo, 1998, Parte I, Capítulo III, 4.

Todos os destaques são nossos.

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