Setembro de 2009
Pontos luminosos na escuridão
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Discernindo, comentando, agindo

Pontos luminosos na escuridão

Em meio à tenebrosa escuridão moral do mundo moderno, surgem aqui e acolá alguns pontos luminosos. Serão sinais de que a Providência Divina está prestes a socorrer o mundo?

Cid Alencastro

Os Papas pós-conciliares têm feito descrições tristíssimas, até alarmantes, da situação da Igreja. Paulo VI nos falou de uma “autodemolição” (1968) e da “fumaça de Satanás”, que penetrou no “Templo de Deus” (1972). Para João Paulo II, “foram difundidas verdadeiras e próprias heresias, no campo dogmático e moral, criando dúvidas, confusões e rebeliões; alterou-se até a Liturgia” (1981). Bento XVI, ainda como Cardeal Ratzinger, poucos dias antes de assumir o Papado, denunciou: “Quanta sujeira há na Igreja, e precisamente entre aqueles que, no sacerdócio, deveriam pertencer completamente a Ele!” (2005).

Mas Jesus Cristo não abandona sua Igreja. Assim, para as almas desoladas que contemplam a escuridão dos presentes dias, é fator de estímulo notar que pontos luminosos vão se fazendo presentes no panorama. Parecem prenunciar e preparar, para além das catástrofes e punições anunciadas em Fátima, o grande triunfo do Imaculado Coração de Maria, que as deve suceder.

Pontos luminosos... não vamos além disso. Mas se eles de fato provêm direta ou indiretamente das mãos sacrossantas de Maria, que um dia nesta Terra embalaram o Menino Jesus, então pode-se esperar que se transformem em tochas ardentes, as quais queimem de vez toda a sujeira e iluminem intensamente a Igreja de Deus.

A relação que segue é meramente exemplificativa.

Dogma da Mediação Universal e da Co-redenção de Maria

Cinco cardeais pedem a proclamação do dogma da Mediação

Universal de Nossa Senhora e de sua Co-redenção. Telesphore Toppo, Arcebispo de Ranchi (Índia); Luis Aponte Martínez, Arcebispo emérito de San Juan (Porto Rico); Varkey Vithayathil, Arcebispo maior de Ernakulam-Angamaly (Índia); Riccardo Vidal, Arcebispo de Cebu (Filipinas); Ernesto Corripio y Ahumada, Arcebispo emérito da Cidade do México. Havia ainda um sexto cardeal, Edouard Gagnon, ex-presidente do Pontifício Conselho da Família, que faleceu.

Enviaram eles uma carta aos cardeais do mundo todo, a fim de que se unam num pedido a Bento XVI para que “proclame a plena verdade cristã sobre Maria”, ou seja, “Mãe Espiritual de toda a Humanidade, Co-redentora com Jesus Redentor, Medianeira de todas as graças com Jesus único Mediador, advogada com Jesus Cristo a favor do gênero humano”.

O Cardeal Aponte Martínez, um dos promotores do pedido, explicou que é chegado “o momento da definição papal das relações da Mãe de Jesus com cada um de nós, seus filhos terrenos, em seu papel de co-redentora, medianeira de todas as graças e advogada” (“Agência Zenit”, 12-2-08).

Reação à secularização atualmente em curso

Santo Inácio de Loyola, uns dos promotores da Contra-Reforma
A Contra-Reforma foi o importante movimento católico do século XVI, que se opôs à pseudo-“reforma” protestante. Seu ímpeto maior ocorreu na Espanha, onde brilharam figuras como Santo Inácio de Loyola e Santa Teresa de Ávila. Sua expressão normativa foi o Concílio de Trento.

Depois disso, muita água correu por debaixo da ponte, e a Espanha de nossos dias se viu governada por partidos socialistas, com atitudes freqüentemente anticlericais. Porém, reações têm despontado ultimamente, muito maiores do que a esquerda desejaria. Por isso, o jornal madrileno “El País”, de tendência abertamente socialista, publica artigo do sociólogo e escritor Enrique Gil Calvo, intitulado “Uma nova contra-reforma”.

Para Calvo, esta nova contra-reforma é outro movimento reativo, dirigido contra a secularização atual, e que também pretende recuperar a influência da Igreja católica no espaço público”.

Segundo ele, houve uma acentuação da perda da influência religiosa, a partir dos anos 60, que “foi confirmada pelo Concílio Vaticano II”. Mas agora, com “a crise da esquerda” e a “perda da força mobilizadora do socialismo”, a direção da Igreja católica “não podia permanecer desligada desta recente politização das religiões”. Tanto mais que, “há mais de dois séculos, a identidade da direita espanhola depende do catolicismo como fonte hegemônica de inspiração política”. Tudo isto “pareceria coisa do passado”, mas na verdade hoje “pode-se falar de contra-reforma, e não de mera continuidade histórica”.

A Missa de São Pio V faz seu caminho

O rito tradicional da Missa católica vai ganhando espaço pelo mundo afora
O rito tradicional da Missa católica, também chamada Missa de São Pio V ou Missa tridentina, vai ganhando espaço pelo mundo afora, num sinal evidente de que numerosos fiéis a desejam e a veneram.

Na Polônia, “os antigos missais são novamente procurados; para satisfazer a demanda, uma editora está publicando os textos litúrgicos em versão bilíngüe, latim e polonês. ‘Se as pessoas não mais se agradam [da Missa de Paulo VI], é porque elas acham que a reforma foi longe demais’, sublinha o Padre Krzysztof Stepowski”.



Retumbantes conversões ao catolicismo

Magdi Allam, muçulmano convertido ao catolicismo
Magdi Allam, vice-diretor do “Corriere della Sera”, principal jornal de Milão e um dos mais conceituados da Itália e do mundo, converteu-se do muçulmanismo ao catolicismo. Foi batizado na Páscoa pelo Papa Bento XVI, recebeu o Crisma e a Primeira Comunhão.

O fato teve repercussão mundial. Merecem realce alguns trechos da carta em que Magdi — que adotou o nome de Cristiano — comunica ao diretor de seu jornal a sua conversão:

“Ontem à noite eu me converti à religião cristã católica, renunciando à minha precedente fé islâmica. Assim, finalmente, veio à luz, pela graça divina, o fruto são e maduro de uma longa gestação vivida no sofrimento e na alegria, entre uma profunda e íntima reflexão e sua consciente e manifesta exteriorização.

“Para mim, é o dia mais belo de minha vida. Adquirir o dom da fé cristã na comemoração da Ressurreição de Cristo, por mãos do Santo Padre.

“Aos quase 56 anos, na minha pequenez, é um fato histórico excepcional e inesquecível, que assinala uma mudança radical e definitiva em relação ao passado. O milagre da Ressurreição de Cristo reverberou sobre a minha alma, livrando-a das trevas de uma pregação de ódio e de intolerância; assim como minha mente se libertou do obscurantismo de uma ideologia que legitima a mentira e a dissimulação, a morte violenta que induz ao homicídio e ao suicídio, a cega submissão e a tirania, permitindo-me aderir à autêntica religião da Verdade, da Vida e da Liberdade. Na minha primeira Páscoa como cristão, não descobri apenas a Jesus, descobri pela primeira vez o verdadeiro e único Deus, que é o Deus da Fé e da Razão.

“Caro Diretor, perguntaram-me se eu não temia pela minha vida, sabendo que a conversão ao cristianismo me atrairá certamente uma nova e bem mais grave condenação à morte por apostasia. Têm perfeitamente razão. Sei o que tenho de enfrentar, mas enfrentarei a minha sorte com a cabeça alta, com o corpo ereto e com a solidez interior de quem tem a certeza da própria fé.[...] A Igreja até agora tem agido de modo prudente demais na conversão dos muçulmanos, abstendo-se de fazer proselitismo nos países de maioria islâmica. [...]. Por medo. [...] É necessário vencer o medo e não ter temor algum na afirmação da verdade sobre Jesus Cristo, até com os muçulmanos”.

* * *

Outra conversão foi a de Tommaso Nisi, filho do proprietário da Plastic (famosa discoteca em Milão), conhecido como “o rei das noites transgressivas”. Converteu-se aos 34 anos de idade, abandonou “as noites quentes da Plastic”, e vai encerrar-se como monge na austera Grande Cartuxa da França (“Cronaca di Milano”, 3-2-08).

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