Novembro de 2012
Conservar a paz nas provações
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Leitura Espiritual

Conservar a paz nas provações

Após a transcrição (edição setembro/2012) de algumas considerações de São Francisco de Sales* sobre o temor de Deus relacionado com a esperança, seguem alguns pensamentos consoladores nas tentações

Se nos sucede qualquer imperfeição ou pecado, espantamo-nos, confundimo-nos e nos impacientamos.

Eis aí a fonte de nossas inquietações: queremos somente consolações e nos desesperamos ao tocar com o dedo as nossas misérias, o nosso nada e as nossas imbecilidades.

[Para vencer as inquietações], tenhamos a intenção pura de querer em tudo a honra de Deus e a sua glória, façamos o pouco que pudermos para este fim, segundo os avisos do nosso pai espiritual, e deixemos a Deus o cuidado do resto. Quem tem a Deus por objeto das suas intenções e faz o que pode, para que se atormentar? [...]

Ser príncipe da paz é conservá-la no meio da guerra e viver com doçura no meio das amarguras. [...]

Todos os pensamentos que nos sobressaltam e agitam o espírito não provêm de Deus; são tentações do inimigo e por isso é preciso expulsá-las e não lhes dar importância.

A humildade faz-nos receber docemente os trabalhos, sabendo que os merecemos. Quanto ao exterior, aprovo que todos os dias se faça algum ato de humildade, ou por palavras ou por obras; se digam palavras que saem do coração, como humilhando-nos a um inferior; façam-se obras, praticando qualquer ofício humilde, ou serviço de casa. [...]

Ignorais que estamos no mundo não para gozar, mas para padecer? É no Céu que se goza a paz, e não nesta vida, onde convém padecer, e aquele que aqui não tivesse paixão, não sofreria, mas gozaria o que não é possível, porque, enquanto nós vivermos teremos paixões, e só seremos livres delas depois da morte. É a opinião dos Doutores e da Igreja. Mas por que nos afligiremos, se o nosso triunfo nasce do combate das nossas ideias e paixões? A agitação no mar transtorna de tal forma os humores, que os que navegam não conhecem o incômodo senão passado algum tempo, pelas convulsões e vômitos que provoca. Um dos grandes proveitos da aflição é fazer-nos conhecer o nosso nada, sobrenadar as nossas inclinações.

Estes grandes assaltos e tentações tão fortes não são permitidos por Deus senão contra as almas que Ele quer elevar ao seu puro e santo amor.

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* São Francisco de Sales, Pensamentos Consoladores, Livraria Salesiana Editora, São Paulo, 1946, pp. 130 a 133.

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