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Sem a Igreja Católica não haveria Civilização Ocidental

Conceituados especialistas americanos e europeus vêm mostrando que sem a Santa Igreja a civilização européia, berço da Civilização Ocidental e Cristã, não teria visto a luz. E apresentam a gênese, o desenvolvimento, o esplendor e a glória da Civilização Cristã.

Luis Dufaur

No auge da Idade Média, os cruzados derramaram seu sangue para libertar das mãos dosinfiéis o sepulcro de Nosso Senhor Jesus Cristo e instituir um reino cristão na Terra Santa. Hoje a situação parece invertida. São os muros em ruínas da “cidadela cristã” que importa defender contra o neopaganismo revolucionário que as assalta: a criança por nascer, ameaçada pelo aborto; o casamento segundo a Lei de Deus, substituído pelo “amor livre”; a propriedade privada, que os preceitos divinos amparam, golpeada pelo socialismo; a cultura católica atropelada pela Revolução Cultural. Em síntese, os restos da Civilização Cristã são hostilizados, proscritos, demolidos. Chega-se a pregar que os católicos devem desistir da restauração dela, pois seria um sonho impossível!

Porém, nesse auge do materialismo e da impiedade, uma nova geração de historiadores, arquitetos, economistas e cientistas, sobretudo nos Estados Unidos, começa a voltar-se para o estudo consciencioso do que está sendo demolido. Nauseados pelos horrores a que nos tem conduzido a negação da Cristandade, eles constataram que a civilização ocidental jamais teria visto a luz do dia se não existisse a Igreja Católica. Esses estudiosos têm publicado uma série de trabalhos nos quais procuram restabelecer a objetividade histórica.

Tal recuperação da verdade apresenta uma tese central: a civilização ocidental é a única que merece plenamente esse nome. Os povos que outrora ocuparam a Europa — gregos, romanos, celtas, germanos e outros — deixaram sua contribuição. Mas a alma, o espírito, a essência da civilização européia e cristã provêm da Igreja.

Como chegaram eles a essa conclusão? Eis o objeto deste artigo, que representa uma viagem pela gênese, desenvolvimento, esplendor e glória da Civilização Cristã.

Convite aos fiéis a aprofundar racionalmente as verdades da fé


O historiador Rodney Stark(1) colocou o problema: na História houve apenas uma civilização que saiu do nada, para acabar sendo hegemônica: a ocidental. Existiram, sem dúvida, outras grandes civilizações: chinesa, egípcia, caldéia, indiana, etc. Elas todas se iniciaram num alto nível, ficaram porém estagnadas e decaíram lenta mas irreversivelmente ao longo dos milênios. Por que não cresceram como a ocidental e cristã?

Stark indica como causa dessa diferença capital entre a civilização cristã e as outras o papel desempenhado pela Igreja Católica. As religiões pagãs, diz ele, originaram-se de lendas fantásticas impostas sem explicação. Só a Religião católica convida os fiéis a aprofundar racionalmente as verdades da fé. Já no século II Tertuliano ensinava que “Deus, o Criador de todas as coisas, nada fez que não fosse pensado, disposto e ordenado pela razão”. Clemente de Alexandria, no século III, insistia: “Não julgueis que o que nós dissemos deve ser aceito só pela fé, mas deve ser acreditado pela razão”. Santo Agostinho consagrou tal ensinamento, e Santo Tomás, com suas Summas, levou-o a um píncaro.(2)

Índia: pagãos despejam leite, especiarias e moedas sobre ídolo

Além do mais, os mitos abstrusos do paganismo degradam seus próprios seguidores. Basta olhar para os pagãos da Índia, que despejam sobre um ídolo leite, especiarias e moedas de ouro de que podem ter necessidade, como se vê na foto.

Os monges medievais aplicaram a lógica racional à vida quotidiana e criaram uma regra de vida. Surgiram então prédios de uma beleza até então desconhecida; o trabalho foi dignificado e organizado; surgiram escolas de todo tipo; códigos civis e comerciais, leis internacionais, hospitais, fábricas, invenções, remédios eficazes; vinhos e licores, etc. A vassalagem do monge em relação ao abade e as relações das abadias entre si inspiraram a organização política feudal. Uma força de elevação e requinte foi transmitida pela Igreja à sociedade no transcurso de gerações, e ergueu-se assim o mais formidável e esplendoroso edifício civilizador da História.

Historiadores rejeitam os mitos anticatólicos e antimedievais

Capa da obra do Prof. T. E. Woods

O Prof. Thomas E. Woods é um dos integrantes mais recentes dessa corrente de investigadores.(3) Ele deplora ouvir ainda hoje surradas cantilenas contra a Idade Média. Nenhum historiador profissional honesto, diz ele, acredita nelas. E acrescenta: “Durante os últimos cinqüenta anos, virtualmente todos os historiadores da ciência [...] vêm concluindo que a Revolução Científica se deve à Igreja” (p. 4). Não é só devido ao ensino, mas pelo fato de a Igreja ter gerado cientistas como o Padre Nicolau Steno, pai da geologia; Padre Atanásio Kircher, pai da egiptologia.







São Bento

Padre Giambattista Riccioli, que mediu a velocidade de aceleração da gravidade terrestre; Padre Roger Boscovich, pai da moderna teoria atômica, etc; Réginald Grégoire, Léo Moulin e Raymond Oursel mostraram que os monges deram “ao conjunto da Europa [...] uma rede de fábricas-modelo, centros de criação de gado, centros de escolarização, de fervor espiritual, de arte de viver, [...] de disponibilidade para a ação social — numa palavra, [...] uma civilização avançada emergiu das ondas caóticas da barbárie que os circundava. Sem dúvida nenhuma, São Bento foi o Pai da Europa. Os beneditinos, seus filhos, foram os pais da civilização européia” (p. 5).

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