Maio de 2013
Aborto a granel
Comente
Leia os comentários
Envie para amigos
Versao para impressão
Discernindo

Aborto a granel

Cid Alencastro

Uma proposta do Conselho Federal de Medicina (CFM), a ser enviada ao Senado, propugna pela liberação do aborto até a 12ª semana de gestação.

A finalidade é influenciar os senadores que debatem naquela Casa legislativa o infausto projeto de Código Penal, que entre outras aberrações propõe uma ampla liberação da matança de inocentes no seio materno. Mas o CFM vai ainda mais longe do que o projeto, pois, diferentemente do texto legislativo em discussão, não exige qualquer aprovação ou opinião de médico ou psicólogo para que se efetue o aborto. Bastará à gestante querer ver-se livre de seu filho, para poder fazê-lo... “legalmente” até a 12ª semana de gestação.

Dada a conhecer pela imprensa, essa proposta do CFM serve largamente aos objetivos dos abortistas mais assanhados.

Imediatamente se regozijaram com a iniciativa as tais “Católicas pelo direito de decidir”, uma ONG feminista que usa de modo indevido o nobre título de “católicas” para melhor fazer engolir suas posições anticatólicas.

Para o presidente do CFM, Roberto D’Ávila, “o País precisa avançar” (“O Estado de S. Paulo”, 21-3-13). Para onde? perguntamos nós. Para o abismo?

Site da ONG "Católicas pelo direito de decidir"

Mas, infelizmente, o pronunciamento do CFM não tem o apoio da generalidade dos médicos brasileiros. Mesmo entre os conselheiros não foi aprovado por unanimidade, pois a terça parte deles se manifestou contra.

A Regional de Minas Gerais votou em bloco contra a liberação do aborto. Afirmou o presidente do CRM-MG, João Batista Soares: “enquanto médicos, entendemos que nossa obrigação primeira é com a vida”. Soares teme ainda que o apoio ao projeto possa passar o recado de que o médico está liberado para praticar o aborto (cfr. “Folha de S. Paulo”, 21-3-13).

*        *        *

Os abortistas costumam temer os argumentos de índole religiosa, pois conhecem a sua eficácia junto ao público brasileiro. Por isso se esforçam para que o tema aborto não seja tratado sob o ângulo da religião, mas sim do ponto de vista da saúde da mulher. Isso é uma falácia por duas razões principais.

Primeiramente porque a Religião Católica não tem uma pregação contrária à saúde da mulher e não é verdade que o aborto seja propício ao bem-estar físico da gestante. Pelo contrário, ele é uma fonte de remorsos e sensação de má consciência que produz com frequência doenças psíquicas de todo gênero.

Ademais, se a posição anti-abortista é apenas de quem pratica religião, isso significaria que o homem sem religião pode matar à vontade! Quem poderá defender tal insânia?

Em má hora o CFM entrou na liça para defender causa tão inglória. Entretanto, o tiro pode sair pela culatra, pois muita gente que estava desmobilizada por achar que o aborto não tinha condições de ser aprovado, levou um susto salutar ao se inteirar dessa declaração. Com isso acordou para luta, que se apresenta como muito necessária.

Entre os diversos pronunciamentos contrários à proposta do CMF, destacamos o do presidente da Associação Paulista de Medicina, Dr. Florisval Meinão, e o do presidente da Associação Médica Brasileira, Dr. Florentino Cardoso (cfr. “O Estado de S. Paulo”, 1-4-13).

Os abortistas porém não dormem, e até o último momento podem excogitar uma cilada para aprovar a matança de inocentes. Não durmamos nós. Que Nossa Senhora Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil nos ajude e fortaleça.

 

Comente
Leia os comentários
Envie para amigos
Versao para impressão