Maio de 2013
Maria Santíssima Como a Igreja ensina
Comente
Leia os comentários
Envie para amigos
Versao para impressão
Capa

MARIA SANTÍSSIMA

Como a Igreja ensina

 Para amar é preciso conhecer. Para aumentar o amor e a devoção a Nossa Senhora é necessário conhecê-la melhor, pois, como escreveu Santo Agostinho, “ninguém ama o que não conhece”, e quem conhece pouco, ama pouco. Eis o objetivo da obra Maria Santíssima como a Igreja ensina, de autoria do Padre Émile Neubert, S.M. marianista e Doutor em Teologia: ampliar o conhecimento da Virgem Santíssima entre seus devotos, desejosos de amá-la sempre mais, para unirem-se ainda mais a Nosso Senhor Jesus Cristo, melhor servirem a Santa Igreja e assim se santificarem.

Pe. Émile Neubert

 A fim de proporcionar um conhecimento mais profundo da doutrina mariana e o consequente incremento da devoção a Nossa Senhora, Catolicismo oferece a seus leitores,neste mês de maio dedicado especialmente à Mãe de Deus, alguns excertos do primeiro capítulo do livro Maria Santíssima como a Igreja ensina, de autoria do Pe. Émile Neubert, S.M.,traduzido recentemente para o português pela Editora Petrus (www.livrariapetrus.com.br). O autor nasceu em Ribeauville (França) em 1878 e faleceu em Friburgo (Suíça) em 1967, tendo escrito várias outras obras de mariologia.

Esta, publicada em 1945 com o título original Marie dans le dogme,(1) foi por ele dividida em duas partes: “As funções de Maria Santíssima” e “Os privilégios de Maria”.

Quem considerasse apenas os títulos dos capítulos, a seguir reproduzidos, já teria uma noção do caráter excepcional dessa obra mariológica, a qual revela claramente as maravilhas, grandezas e privilégios com que Deus cumulou sua Mãe Santíssima, obra-prima da criação.

 

Parte I

Capítulo I —A Maternidade divina, grandeza fundamental de Maria

Capítulo II —Maternidade espiritual, complemento da maternidade divina

Capítulo III —A mediação universal

Capítulo IV —A missão apostólica de Maria

Capítulo V —A realeza de Maria

 

Parte II

Capítulo VI—Imaculada Conceição

Capítulo VII—A virgindade de Maria

Capítulo VIII—A santidade de Maria

Capítulo IX—Significado da Assunção

Capítulo X—A Bem-aventurança de Maria

 

       No prefácio, o Pe. Neubert lamenta a falta de conhecimento dos católicos — por vezes até dos mais devotos — a respeito de Nossa Senhora. Com efeito, ele escreve:

 “Somos obrigados a reconhecer que o avanço doutrinário [sobre o conhecimento de Maria] só se afirmou entre os teólogos. Não é necessário proceder a uma pesquisa minuciosa para constatar a ignorância da grande maioria dos fiéis a respeito da Mãe de Deus, mesmo daqueles que se consideram instruídos, mas cuja bagagem mariológica se resumiria a algumas linhas contendo a enumeração dos principais privilégios e a afirmação do seu poder e bondade.

       “É fácil prever que, se a devoção a Maria se baseia menos no dogma do que no sentimento, será tão instável como o sentimento. Pode manifestar-se muito terna ou entusiasta em certos momentos, mas quase desaparece ou apenas subsiste com eficácia limitada em outros, nos quais ela sobretudo é necessária: nas tentações da idade crítica e na época das aspirações viris ao apostolado. De uma doutrina rudimentar, não pode brotar mais que uma devoção amesquinhada.

“Até essa devoção amesquinhada pode, em certas ocasiões, produzir resultados surpreendentes, que no entanto representam apenas uma ínfima parte do que obteriam os que são dotados de sólida devoção à Virgem. Quem conhece de perto certas almas mariais, encanta-se com as maravilhas de santidade e fecundidade apostólica que nelas opera a união com a Mãe de Jesus. São essas as almas que ‘descobriram a Santa Virgem’. Para a maioria, esse descobrimento ainda não se fez”.

*     *     *

Embora os trechos que seguem não deem uma ideia completa dos ensinamentos expostos pelo autor, servirão entretanto para aumentar não somente a admiração pela grandeza d´Aquela que, segundo ele, “foi predestinada a dar Cristo ao mundo e o mundo a Cristo”, mas também o desejo de ler a íntegra da obra, que nos faz compreender ainda mais os ensinamentos contidos no inigualável Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, de São Luís Maria Grignion de Montfort.

      

A Direção de Catolicismo
 

Capítulo I

A MATERNIDADE DIVINA,

GRANDEZA FUNDAMENTAL DE MARIA

 

As grandezas de Maria podem ser divididas em dois grupos. O primeiro é constituído pelas que representam sobretudo funções: maternidade divina, maternidade espiritual, mediação universal, papel de Maria no apostolado católico, realeza universal. O segundo grupo engloba as grandezas que representam privilégios concedidos a Maria em razão de suas funções, ou como consequências delas: Imaculada Conceição, virgindade, plenitude de graça etc. [...]

        

Significado da maternidade divina

A grandeza fundamental de Maria, razão de ser de todas as outras, é a maternidade divina. De acordo com uma percepção comum, a maternidade divina não é somente a razão de ser das outras grandezas, mas também da própria existência de Maria, pois Ela foi criada especificamente para tornar-se a Mãe de Deus. Na bula Ineffabilis, o Papa Pio IX ensina, ao definir a Imaculada Conceição de Maria, que “a origem de Maria e a Encarnação da Sabedoria divina foram decididas por um único e mesmo decreto”. Assim, a maternidade divina explica tudo em Maria, e sem essa maternidade nada nela pode ser explicado.

A importância excepcional da maternidade divina torna evidente a necessidade de se entender bem o que ela significa, e deixar isso mal explicado equivale a deixar incompreendidos todos os privilégios da Virgem. Além disso, neste caso nosso espírito se encontra diante do mistério da Encarnação em toda a sua profundidade, mais do que ocorre em relação a outras grandezas de Maria. O assunto ultrapassa também a doutrina marial propriamente dita e se estende ao domínio da cristologia. [...]

O título de Mãe de Deus não significa, nem jamais significou entre os fieis, aquilo de que Nestório nos acusava no século V e certos protestantes e racionalistas nos acusam ainda hoje, isto é, que consideramos Maria como mãe da divindade, ou como uma espécie de deusa como as da mitologia. Afirmamos sim que Maria é Mãe de Deus, mas não que Ela é mãe da divindade; Mãe de uma Pessoa que é Deus, e não mãe dessa Pessoa enquanto Deus.

Para entender o que significa a maternidade divina, é necessário compreender a união das naturezas divina e humana na pessoa de Jesus, tanto quanto isso seja possível no que se refere a um mistério. [...]

         Entre a humanidade e a divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo existe uma união muito semelhante à do corpo com a alma, porém não idêntica.(2) A natureza divina e a humana formam um único todo, uma única pessoa, de tal modo que as ações de uma e outra podem ser atribuídas a essa pessoa, e Ele pôde dizer: “Antes que Abraão existisse, Eu sou” (Jo 8, 58); e também: “Minha alma está numa tristeza mortal” (Mt 26, 38). A pessoa a que pertencem todas as ações de Cristo é divina, pelo que todas as suas ações, mesmo aquelas praticadas pela natureza humana, tinham mérito infinito, pois eram ações de Deus. Pode-se portanto afirmar com toda realidade que Deus pregou, que Deus sofreu, que Deus morreu. Consequentemente pode-se também dizer que Deus nasceu. Acontece que a mulher da qual um ser nasce é sua mãe. Como Deus nasceu de Maria, Maria é Mãe de Deus.

Poder-se-ia argumentar que Jesus recebeu de Maria apenas seu corpo, e não sua divindade. Esta objeção teria valor no caso de uma união moral, como aquela que Nestório elucubrou, não porém no caso de uma união substancial. O corpo que Maria gerou era, desde o primeiro instante, o de um Deus, portanto é de um Deus que Maria se tornou Mãe. Da mesma forma nós recebemos de nossas mães apenas o corpo, mas somos plenamente seus filhos.

“O corpo que Maria gerou era, desde o primeiro instante, o de um Deus, portanto é de um Deus que Maria se tornou Mãe”

         É verdade que a concepção de um corpo humano exige naturalmente a criação e a infusão da alma, ao passo que a concepção operada em Maria não exigia naturalmente a união do Filho de Deus com a humanidade que a Virgem concebia. Não havia tal exigência do ponto de vista natural, porém existia do ponto de vista sobrenatural, de modo mais sublime e mais digno de Deus e de Maria do que tudo o que se passa na ordem natural. Tal concepção foi preparada por meio de virtudes e privilégios únicos: concepção virginal, só adequada a um Deus; concepção operada pelo Espírito Santo, a qual, de acordo com a explicação do anjo, faria do filho de Maria o próprio Filho de Deus; concepção consentida pela Virgem, somente após ter Ela recebido a promessa de que culminaria com a geração de um Deus.

Maria é realmente Mãe de Deus, da mesma forma que qualquer mulher é mãe de seu filho. De certa forma pode-se afirmar que Ela merece mais este qualificativo do que as outras mães. Em primeiro lugar porque ela sozinha, sem a contribuição de um pai, formou aquele corpo que, desde o primeiro momento de sua existência, era o corpo de um Deus. Além disso, porque foi chamada a cooperar para essa função em condições únicas. Houve jamais uma mãe que, como Maria, foi escolhida por seu futuro filho e preparada por Ele para essa função? Uma mãe que, como Maria, recebeu do Céu o aviso da missão reservada ao seu filho e o convite para consentir em tal missão? Uma mãe que, como Maria, cooperou com as intenções de Deus sobre seu filho e sobre Ela mesma, e se submeteu plenamente às consequências dolorosas dessa cooperação?

         Num exame superficial, podemos ser tentados a acreditar que se joga com as palavras quando se dá a Maria o qualificativo de Mãe de Deus. Porém um exame atento nos leva a indagar se é possível imaginar uma maternidade de tal modo verdadeira e de tal modo plena como a de Maria em relação ao Filho de Deus.

Podem ser plenamente satisfatórias ao nosso espírito essas explicações e comparações que apresentamos? Respondemos que, se elas o pudessem, seriam certamente falsas, pois fariam desaparecer o fator mistério. Admitir que Maria é verdadeiramente Mãe de Deus não representa dificuldade maior do que acreditar que Jesus nos resgatou verdadeiramente, sacrificando-se por nós na cruz; ou em professar que Ele nos une realmente à sua divindade quando nos dá o seu Corpo em alimento. Nos três casos o mistério é o mesmo — a união hipostática. A razão pode explicá-lo até certo ponto, mas só a fé pode obter de nós o assentimento.

 

A maternidade divina, verdade revelada

A ideia da maternidade, embora sem usar a expressão, já estava contida muito claramente no conhecimento dos primeiros cristãos, e resultava naturalmente de duas verdades que lhes eram familiares: Maria é verdadeiramente Mãe de Deus; Jesus é ao mesmo tempo Deus e homem.

         Não resta nenhuma dúvida de que Maria era reconhecida como Mãe de Jesus pelos judeus. Que Ele é homem, também o admitiam todos. E também era evidente aos olhos dos cristãos primitivos que Ele é Deus, pois havia falado e agido como só um Deus poderia fazer: atribuíam-se direitos que nenhuma criatura ousaria arrogar-se; pregava e mandava em nome próprio; perdoava os pecados por sua própria autoridade; fazia milagres por seu próprio poder; exprimia-se sobre suas relações com Deus como fazendo com Ele um ser único. É possível que inicialmente os discípulos o tenham visto como sendo apenas o Messias, e que no fim de sua vida mortal alguns dentre eles tenham começado a reconhecer sua divindade, mas após a Ressurreição puseram-se todos a pregá-la abertamente. Desde antes de serem escritos os evangelhos, pelo menos os três últimos, São Paulo havia proclamado Jesus “Aquele que está acima de todas as coisas, o Deus eternamente bendito” (Rom 9, 5).

         Essa humanidade e essa divindade que os primeiros cristãos reconheciam no Filho de Maria apresentavam-se a eles unidas na mais íntima união que se possa imaginar, a qual será mais tarde denominada hipostática. Daquele que acabava de ser batizado no Jordão, o Pai tinha dito: “Eis meu filho bem amado, no qual ponho minha complacência” (Mt 3, 17). Após atravessar o lago numa barca, Ele disse ao paralítico: “Homem, os teus pecados te são perdoados”; e como os fariseus se escandalizavam sobre esse poder de perdoar os pecados — pois só o reconheciam como pertencendo a Deus, mas Ele o atribuía a si mesmo — não argumentou que estariam sendo perdoados por Deus habitando em mim, ou por Deus ao qual estou unido, mas proclamou em alto e bom som que esse poder residia nele mesmo: “A fim de que saibais que o Filho do Homem tem na Terra autoridade para perdoar os pecados, [disse ao paralítico]: Levanta-te, toma o teu leito e retorna à tua casa” (Mc 2, 1-12).

         São Paulo registrou num texto bem conhecido essa convicção dos primeiros cristãos sobre a união substancial da divindade e humanidade em Jesus: “Tende os sentimentos de Cristo Jesus, que subsistindo na natureza de Deus, não considerava uma usurpação a igualdade com Deus. Porém Ele se aniquilou, tomando a forma de servo e tornando-se semelhante aos homens, reconhecido como homem pela sua aparência” (Fil 2, 6-8).

Portanto o Apóstolo afirmava que a natureza divina e a humana estavam reunidas em Jesus Cristo, e consequentemente Ele era reconhecido pelos primeiros cristãos como sendo ao mesmo tempo Deus e homem. Tendo Ele nascido de Maria, conferiam a Ela o título de Mãe de Deus.

A dedução acima é de todo rigor, mesmo supondo-se que a Sagrada Escritura não aludisse também à divindade do seu Filho, nas partes em que menciona a Mãe de Jesus. Porém, de fato a divindade de Jesus está afirmada, ou pelo menos subentendida, em várias ocasiões em que se menciona sua Mãe. O anjo Gabriel afirmou a Maria que Ela se tornaria mãe sem perder a virgindade, porque “aquele que nascerá de ti será chamado Filho de Deus” (Lc 1, 34-35). Qualquer que possa ter sido para os judeus de então o sentido da expressão Filho de Deus, é fora de dúvida que a Virgem entendeu tal expressão como significando algo diferente do que eles entendiam por Messias. Com efeito, o anjo lhe explicou que o Messias que nasceria dela respeitaria sua virgindade, precisamente porque tratava-se do próprio Filho de Deus. É fora de dúvida também que os primeiros cristãos, que ouviam contar ou liam a narração da Anunciação, atribuíam à expressão Filho de Deus o sentido literal, o sentido pleno de segunda Pessoa da Santíssima Trindade, e que portanto Maria era para eles Mãe de Deus, de acordo com a declaração do enviado divino.

         No episódio da Visitação, entendiam que Isabel disse à sua jovem prima:“De onde me vem a graça de que a Mãe do meu Senhor venha visitar-me?” (Lc 1, 43). Evidentemente Isabel dava à palavra Senhor o sentido que encontrara ou ouvira nos textos sagrados, isto é, que significava Deus. No próprio capítulo em que encontramos a pergunta feita por Isabel, a palavra Senhor é mencionada outras 15 vezes, todas elas com o significado de Deus. Por exemplo, logo após a saudação inicial, Isabel prossegue: “Ditosa aquela que acreditou no cumprimento das coisas que lhe foram ditas da parte do Senhor” (Lc 1, 45). Seguramente os primeiros cristãos entendiam igualmente neste relato a palavra Senhor no sentido de Deus, e aí viam Maria honrada como Mãe de Deus.

         Do mesmo modo eles se lembravam de que Isaías, o maior entre os profetas messiânicos, havia predito que “uma virgem conceberá e dará à luz Emanuel, que significa Deus conosco”. Pouco importa o modo como os contemporâneos de Isaías ou o próprio profeta entendiam que o Filho da Virgem seria Deus conosco. Para os primeiros cristãos, a palavra designava Deus feito homem, entendendo portanto que Ela havia concebido Deus e o dera à luz, sendo portanto Mãe de Deus.

         Antes mesmo da publicação dos evangelhos, os cristãos ouviram de S. Paulo: “Quando se chegou à plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, concebido da mulher” (Gal 4, 4). Daí se conclui que essa mulher era Mãe do Filho de Deus. [...]

 

Grandeza inefável da maternidade divina

O título de Mãe de Deus soa tão familiarmente aos nossos ouvidos, que nem sequer conseguimos imaginar sua espantosa grandeza. Por pouco que nos ponhamos a refletir sobre seu significado, a avaliar o que representa o fato de uma criatura humana ter sido escolhida para tornar-se realmente a Mãe do Criador, invade-nos uma sensação como de vertigem. Percorrendo a escala de todos os seres em estado de graça — desde a criança recentemente batizada, passando pelos inúmeros graus de almas medíocres, almas fervorosas, almas santas, e pelas hierarquias celestes até chegarmos àquele anjo ou homem que ocupa a primeira posição entre os servos de Deus — diante de nossos olhos se abre um novo espaço, incomensuravelmente mais amplo, que se estende entre o maior dos servos de Deus e a Mãe de Deus. Segundo Caietano, “a maternidade divina toca nos limites da divindade”.(3) Assim o explica Santo Tomás: “A Santíssima Virgem possui certa dignidade infinita, devido à sua maternidade divina resultante do bem infinito que é Deus. Nada de superior a Ela pode ser feito por tal Criador, da mesma forma que nada pode existir superior a Deus”.(4)

         Ao contemplar essa grandeza, e após ter acumulado títulos, qualificativos e comparações, os santos concluíram sempre por confessar que nenhuma palavra humana poderia exprimi-la, nenhuma inteligência humana poderia compreendê-la.(5) Na verdade, nem a própria Virgem Maria, nem a inteligência criada do próprio Nosso Senhor Jesus Cristo, pode compreendê-la inteiramente,(6) pois para compreender em toda sua plenitude a dignidade da Mãe de Deus seria necessário compreender plenamente a dignidade de Deus, seu Filho.

Os próprios inimigos do culto de Maria, pelo menos os que mantiveram a fé na sua maternidade divina, por vezes têm manifestado seu espanto ante tal elevação. Lutero escreveu sobre Ela palavras que um Padre da Igreja teria podido subscrever: “Essa maternidade divina lhe valeu bens tão altos, tão imensos, que ultrapassam todo entendimento. Daí lhe vem toda honra, toda santidade, a ponto de ser a única pessoa superior a todas, em todo o gênero humano, e à qual nenhuma se iguala, pelo fato de possuir tal Filho em comum com o Pai celeste. O simples título de Mãe de Deus contém toda honra, pois nenhum outro a pode exprimir, ainda que houvesse na Terra tantas línguas quantas são as flores e ramos de ervas, quantas são no céu as estrelas, e no mar os grãos de areia”.(7)

         No século XIX, o anglicano Pusey, depois de ter chocado todos os católicos de seu país com seus ataques contra a devoção da Igreja a Maria, confessou que, por assim dizer, tinha sido “tomado de assombro quando pela primeira vez, como num relâmpago, brilhou diante do seu espírito a verdade de que uma criatura humana havia sido colocada tão perto de Deus, acima dos coros de Anjos e Arcanjos, Dominações e Potestades, acima dos Querubins que comparecem diante de Deus, dos Serafins com seu amor ardente, acima de todos os seres criados, a única em toda a criação e em todas as criações possíveis, pelo fato de que, no seu seio, se dignou tornar-se consubstancial com Ela aquele que é consubstancial com o Pai”.(8)

 

1 | 2 | 3 Continua
Comente
Leia os comentários
Envie para amigos
Versao para impressão