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Página Mariana

Nossa Senhora do Brasil

(Nápoles – Itália, 22 de fevereiro de 1840)

Contam-se nos dedos as nações cujos nomes constituem título para Nossa Senhora: Nossa Senhora da Áustria, de Luxemburgo, do Líbano, do Brasil ...

É para nós uma razão a mais de esperança ter a Santíssima Virgem querido manifestar-se especialmente dadivosa, como veremos, mediante essa última invocação. Pois quis Ela conceder a nossa Pátria um acrés­cimo de bondade, em relação aos incontáveis favores espargidos sobre o Brasil, enquanto sua Padroeira, sob a invocação de Nossa Senhora da Conceição Aparecida

É digno de nota ter a denominação Nossa Senhora do Brasil surgido informalmente no seio de uma popu­lação longínqua, que sempre se distinguiu por singular devoção mariana Foi o povo napolitanO que começou a invocar Madonna deI Brasile. E isso-ocorreu na pri­meira metade do século XIX, quando não havia se estabelecido ainda relação popular mais estreita entre Brasil e Itália, pois a grande imigração proveniente da bela Península não tinha começado.

A imagem que recebeu tal nome representa Nossa Senhora com o Menino Jesus, ambos ostentando o próprio Coração. O Divino Filho aponta com a mão direita o Coração matemo.

Talhada em madeira, a imagem foi esculpida, se­gundo a tradição, por algum dos nossos primeiros mis­sionários jesuítas, sob a orientação do Bem-Aventurado Pe. José de Anchieta. Exercendo o Apóstolo do Brasil o cargo de Provincial da Companhia de Jesus, fundou ele no Estado do Espírito Santo a primeira capela dedi­cada ao Sagrado Coração de Jesus. Posteriormente, de visita a Pernambuco, teria deixado a imagem de Nos$a Senhora dos Divinos Corações, como era então chama­da, numa das aldeias de indígenas catequizados.

Por volta de 1630, foi ela escondida para escapar da sanha iconoclasta dos invasores calvinistas holandeses. E quase um século depois, em 1710, a imagem ficou aos cuidados dos padres capuchinhos vindos da Itália.

Documentos históricos fidedignos comprovam que, em 1725, Nossa Senhora dos Divinos Corações foi escolhida como Padroeira da nova Prefeitura Apostóli­ca dos missionários capuchinhos em Pernambuco, atri­buindo-se a Ela um altar na igreja de Nossa Senhora da Penha, no Recife.

Em 1828, eclodiram diversos movimentos revolu­cionários naquela região, durante os quais cometeram­se profanações de templos católicos. Frei Joaquim de Afrágola, fervoroso capuchinho, devoto da venerada imagem, constatando o perigo que ela corria, remeteu-a secretamente para o convento de sua Ordem, em Nápo­les. Quatro anos mais tarde, foi profanada a igreja que teria abrigado a imagem, caso a previdente atitude de Frei Afrágola não tivesse sido tomada.

Em Nápoles, entretanto, por questões de alfândega, os frades capuchinhos retardaram a retirada da enco­menda. A imagem tinha hegado sem aviso específico, em meio a outros objetos que tomavam a caixa muito pesada. Os religiosos não dispunham de recursos para pagar o imposto. Transcorrido considerável tempo nes­se impasse, os guardas aduaneiros, curiosos, romperam a cinta que envolvia a caixa Ficaram eles admirados ao descobrir uma bela efigie de Nossa Senhora, que envia­ram prontamente para seu destino, o Convento de Santo Efrém, o Novo.

Impressionados com a notável perfeição dá escultu­ra, aqueles religiosos resolveram expô-Ia à veneração dos fiéis, na própria igreja de Santo Efrém. O povo napolitano, depois das grandes honras com que foi exposta à veneração pública, espontaneamente come­çou a denominá-Ia Madonna deI Brasile.

A nova devoção difundiu-se em pouco tempo, tor­nando-se patentes numerosas graças obtidas através da artística imagem. Por exemplo, a cessação da então terrível epidemia de cólera e numerosas curas.

A 22 de fevereiro de 1840, verificou-se impressio­nante milagre: um devorador incêndio consumiu a igre­ja de Santo Efrém, reduzindo-a a cinzas. Contudo, a velha madeira da imagem e as vestes que a ornavam ficaram intactas! Muitos que tinham acorrido, devido a noticia do incêndio, constataram com agradável surpre­sa a preservação da Madonna deI Brasile. Fato que, naturalmente, concorreu para aumentar ainda mais o recurso confiante da população de Nápoles a Ela.

Tudo o que acima foi narrado era quase desconhe­cido entre nós. Em 1924, porém, o Bispo brasileiro Dom Frederico BenÍcio de Souza Costa, passando por Nápo­les, inteirou-se da história da Madonna deI Brasile. E; voltando a nossa Pátria, divulgou-a quanto pôde.

O culto a Nossa Senhora do Brasil ainda não se tomou muito conhecido no território nacional. Apesar disso, Ela é venerada nas cidades do Rio de Janeiro, Porto Alegre e São Paulo. Na capital paulista, impor­tante paróquia foi a Ela dedicada, no bairro do Jardim América. A imagem original, entretanto - apesar de diversas tentativas feitas para obter seu retomo ao Brasil -, continua em Nápoles.

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FONTES DE REFERÊNCIA

1. Niha Botelba Megale, 112 invocações do Virgem Maria no Brasil, Editora Vozes, PetIópolis, 1986, 2· ed., pp. 77-79. 2. Folhetos da Paróquia Nossa Senhora do Brasil, São Paulo.

2. Folhetos da Paróquia Nossa Senhnora do Brasil, São Paulo.

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