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A luta anticomunista em "O Legionário" e na Ação Católica

Em 1935, Dr. Plinio tornou-se diretor de “O Legionário” — até então pequena publicação paroquial, que ele logo transformou em prestigioso hebdomadário

Em 1932, Dr. Plinio foi um dos inspiradores da fundação da Liga Eleitoral Católica (LEC), tendo sido eleito por ela deputado — o mais jovem e mais votado do Brasil — para a Assembléia Constituinte de 1934. O sucesso da LEC marcou os rumos do País. “A LEC foi a organização extrapartidária que na história do Brasil exerceu a maior influência política eleitoral”(1) –– declarou Paulo Brossard, ex-­ministro da Justiça e ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal.

Em 1935, Dr. Plinio tornou-se diretor de "O Legionário" — até então pequena publicação paroquial, que ele logo transformou em prestigioso hebdomadário — no qual fez entrar largamente temas do momento, inclusive da política nacional e internacional, problemas culturais, filosóficos, teológicos, etc. "O Legionário" foi um jornal militante, concebido para os mais interessados nos problemas vivos da Igreja e da Civilização Cristã. Em vista disso, travou acirradas polêmicas com as correntes revolucionárias mais dinâmicas na época: o comunismo, o fascismo e o nazismo.

Essa luta revestiu-se de um caráter verdadeiramente profético. O Brasil de então estava pouco presente no cerne dos acontecimentos mundiais, que se passavam no hemisfério norte, entre as potências européias, os Estados Unidos e a Rússia já soviética. De onde, em certos ambientes, a obra acalentada por Dr. Plinio poderia parecer fruto de uma ilusão juvenil.

Entretanto, os espíritos que comandavam as grandes potências pensavam de modo diferente. A partir de posições até mesmo adversas, consideravam que, no futuro, o Brasil formaria com a América Latina um bloco decisivo. Nesse sentido, compreende-se que a Rússia soviética focalizasse o Brasil como seu objetivo prioritário no Ocidente: “O Brasil é o maior alvo comunista no Hemisfério Ocidental”,(2) afirma um dos relatórios secretos da CIA recentemente abertos ao público.

Infiltração comunista nos ambientes católicos

O comunismo estava ciente do obstáculo representado pelo movimento que Dr. Plinio liderava. Por isso quis destruí-lo.

Devido às suas características, o movimento católico só poderia cair se fosse desviado e dividido por dissensões internas. Começou então uma infiltração das idéias revolucionárias na Ação Católica. Como? Lançando, como se fosse doutrina católica, uma espécie de luta de classes entre os leigos e o clero.

Para isso vieram da Europa ativistas da esquerda católica de então, que aqui receberam apoio de alguns eclesiásticos e de figuras de prestígio no laicato católico. Sob seu influxo, nasceu o movimento liturgicista, que levava em seu bojo a tendência de transformar a Ação Católica numa grande força revolucionária. Estas tendências novas propugnavam uma igualdade radical entre a Igreja docente (formada pela Hierarquia) e a Igreja discente (formada pelos fiéis), bem como instalar a autogestão — self-government era o termo usado — sob o pretexto de ter recebido um “mandato” do Papa para isso. As idéias e os estilos revolucionários de tipo comunista deitaram raízes em ambientes e entidades católicas. A Juventude Operária Católica, ramo da Ação Católica, engajou-se numa campanha contra os mais abastados e contra a propriedade privada, pleiteando a igualdade completa das classes sociais.

Muda o cerne da batalha: o inimigo interno

Quando Dr. Plinio se deu conta de tal infiltração, naturalmente sofreu um impacto. Mas logo compreendeu que, para o Brasil poder cumprir sua vocação, urgia enfrentar o inimigo que avançava sorrateiramente.

A esse respeito, fez o seguinte comentário: “Os meios católicos de então eram muito poderosos, mas ingênuos”. Por causa disso estavam a léguas de admitir que um padre ou um bispo pudesse favorecer essas más idéias. Era preciso que alguém abrisse os olhos deles, dissesse não, e estivesse disposto a sofrer as perseguições, as calúnias, as detrações que fossem necessárias, a ser esmagado se fosse necessário, mas jogar-se como um kamikaze contra os infiltrantes”.(3)

Com esse intuito, publicou em 1943 o livro Em Defesa da Ação Católica.(4) Nele, a denúncia era pormenorizada e irrespondível. O Núncio no Brasil, D. Bento Aloisi Masella, prefaciou a obra. A infiltração ficou descoberta e exposta à luz do sol.

Afastado da Ação Católica e de "O Legionário"

Pouco depois, Dr. Plinio foi afastado da presidência da Ação Católica paulista e, em 1947, da direção de "O Legionário". Ficaram com Dr. Plinio, unidos em seu exílio, alguns dos principais redatores de "O Legionário" e dois sacerdotes que, posteriormente, seriam elevados à dignidade episcopal: Mons. Antonio de Castro Mayer e o Pe. Geraldo de Proença Sigaud.

“Naquele período de degringolada — confidenciou Dr. Plinio — eu repetia de mim para comigo uma frase da Sagrada Escritura: ‘Alienus factus sum in domum Matris mea’ (Eu me tornei um estranho na casa de minha mãe).(5) Minha Mãe é a Igreja Católica”. Era a Igreja que o perseguia? Não, eram elementos humanos no seio da Igreja, trabalhando pela influência revolucionária comunista.

Qual foi o proveito do livro Em Defesa da Ação Católica para a Igreja e o Brasil? Denunciada em seu nascedouro, a conspiração comuno-progressista perdeu uma coisa impalpável, mas decisiva: a chama revolucionária. Esse apagamento do fogo acabou sendo determinante para que o Brasil não fosse incendiado pelo comunismo, como veremos.

A perseguição que sofrera levou Dr. Plinio a ter de se contentar com o emprego de professor secundário. O deputado mais jovem e mais votado do Brasil, o aristocrata autêntico, o líder aclamado por meio milhão de pessoas no IV Congresso Eucarístico de 1942 em pleno vale do Anhangabaú, em São Paulo, ficou reduzido a simples professor de escola pública.

O fim do ostracismo veio alguns anos depois. A Santa Sé enviou uma carta de louvor ao livro Em Defesa da Ação Católica, e os dois sacerdotes amigos foram nomeados bispos por S.S. Pio XII. Com estes sinais, a reputação estava salva e o progressismo ficava inexplicável. Ao mesmo tempo, jovens começaram, em número crescente, a incorporar-se ao pequeno grupo que lhe restara.

Em 1951, Dr. Plinio inspirou a fundação da revista Catolicismo, para a qual os antigos colaboradores de "O Legionário" e jovens universitários passaram a colaborar. Catolicismo mantém-se até hoje, com mais de 56 anos de existência, como um baluarte que defende na imprensa, pela colaboração de fiéis discípulos de Dr. Plinio, seus elevados ideais.

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