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Os banidos por amor à Igreja voltam à luz do dia

Dr. Plinio desempenhou importante papel para frustrar o projeto de Reforma Agrária socialista e confiscatória do governo do presidente João Goulart

Em 1960, junto com os remanescentes de “O Legionário” e de vários jovens que a ele se somaram nos anos de ostracismo, foi fundada a Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade — TFP, entidade civil voltada para a salvaguarda dos pilares básicos da Civilização Cristã contra a ação deletéria do socialismo e do comunismo.

A atuação de Dr. Plinio, visando a grandeza futura do Brasil para melhor servir à Igreja, entrava numa nova fase.

Naquele mesmo ano, publicou Reforma Agrária — Questão de Consciência (RA-QC), tendo como co-autores Dom Geraldo de Proença Sigaud, bispo de Jacarezinho (PR), Dom Antonio de Castro Mayer, bispo de Campos (RJ), e o economista Luiz Mendonça de Freitas. O livro rapidamente se tornou um best-seller, desempenhando importante papel para frustrar o projeto de Reforma Agrária socialista e confiscatória do governo do presidente João Goulart, e também a chamada revisão agrária do governador de São Paulo, Carvalho Pinto.

Após a publicação do livro, D. Sigaud foi promovido pelo Papa João XXIII a Arcebispo de Diamantina. Diante desse cenário, os proprietários rurais agiram face à CNBB como se assim raciocinassem: “Estes bispos pensam isto, mas outro, que acaba de ser promovido pelo Papa, pensa de maneira diversa. Logo, podemos pôr em dúvida o que os prelados da CNBB dizem”. Os agro-reformistas não apresentaram nenhuma contestação válida àquela obra. E a classe rural, respaldada pelo livro, permaneceu firme em sua posição contra a Reforma Agrária.

Viagem a Roma para acompanhar o- Concílio Vaticano II

Dr. Plinio viajou com alguns colaboradores para Roma, onde montou um escritório, a fim de prestar colaboração intelectual aos bispos amigos
A TFP estava no início de sua existência quando foi convocado o Concílio Vaticano II. Dr. Plinio viajou com alguns colaboradores para Roma, onde montou um escritório a fim de prestar colaboração intelectual aos bispos amigos.

Em Roma, um conjunto ativo de teólogos e prelados progressistas preconizava uma atitude de distensão com o comunismo. Por outro lado, grande número de bispos mantinha-se numa posição de indiferença em face da questão.

Foram preparados então dois projetos de resoluções conciliares: um pedia ao Concílio a condenação do comunismo, e foi assinado por 213 padres conciliares; outro propunha a S.S. Paulo VI que fizesse a consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria, de acordo com as condições pedidas por Nossa Senhora em Fátima. Este último foi referendado por 510 padres conciliares de 78 países, quase um terço dos bispos residenciais de todo o mundo.(6)

Os dois projetos de resoluções, devido às numerosas adesões episcopais de que foram objeto, pareciam ter boa chance de serem aprovados no plenário conciliar. Se isto tivesse acontecido, o flagelo comunista não teria chegado ao auge de poder que atingiu pouco depois do Concílio.

Mas tais propostas colidiam frontalmente com o comuno-progressismo. O pedido de condenação do comunismo foi misteriosamente “extraviado” na máquina burocrática conciliar, enquanto o da consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria, entregue pessoalmente por D. Sigaud a S.S. Paulo VI, nunca foi submetido à votação.

Em 1976 Dr. Plinio pôde escrever, sem nunca ter sido contestado, que “o êxito dos êxitos alcançado pelo comunismo pós-staliniano sorridente foi o silêncio enigmático, desconcertante, espantoso e apocalipticamente trágico do Concílio Vaticano II a respeito do comunismo. [...] É penoso dizê-lo. Mas a evidência dos fatos aponta, neste sentido, o Concílio Vaticano II como uma das maiores calamidades, se não a maior, da História da Igreja. A partir dele penetrou na Igreja, em proporções impensáveis, a 'fumaça de Satanás', que se vai dilatando dia a dia mais, com a terrível força de expansão dos gases. Para escândalo de incontáveis almas, o Corpo Místico de Cristo entrou no sinistro processo da como que autodemolição”.(7)

O impossível acordo entre a Igreja e o comunismo

Ainda em Roma, em conversas com padres conciliares, Dr. Plinio discerniu que o esquerdismo católico sonhava chegar a um acordo com o comunismo em nível mundial. O paradigma desse acordo seria o modus vivendi — aliás altamente prejudicial para a Igreja — que vigorava então na Polônia.

Visando desmontar essa falaciosa manobra, ele redigiu o ensaio A liberdade da Igreja no Estado comunista, no qual demonstra a impossibilidade de coexistência da Igreja com um regime comunista. O livro circulou largamente entre os padres conciliares e, por condutos que desconhecemos, penetrou em países atrás da Cortina de Ferro, chegando ao conhecimento de católicos que resistiam bravamente à tentação de colaborar com os marxistas.

Aparentemente, Dr. Plinio voltou de Roma com as mãos vazias, pois as boas iniciativas para as quais ele contribuíra haviam sido postas de lado. Entretanto, a realidade era bem diversa. Do outro lado da Cortina de Ferro, a obra A liberdade da Igreja no Estado comunista obtivera significativa repercussão, a tal ponto que obrigara Zbigniew Czajkowski, um dos líderes católico-progressistas conluiados com o comunismo polonês, a tentar refutá-lo nas páginas dos jornais “Kierunki” e “Zycie i Mysl”, pertencentes ao grupo colaboracionista PAX. Dr. Plinio treplicou a esses ataques pelas páginas de Catolicismo.(8) O livro recebeu também carta de elogio do Prefeito da Sagrada Congregação dos Seminários e Universidades, Cardeal Giuseppe Pizzardo, com data de 2-12-1964, que o qualificou de “eco fidelíssimo de todos os documentos do Supremo Magistério da Igreja”.

Insistência em ofensivas agro-reformistas

A luta contra o agro-reformismo socialista e confiscatório não cessou após março de 1964. Com efeito, logo depois de empossado como presidente da República, o marechal Castelo Branco apresentou um projeto de lei de Reforma Agrária semelhante ao de João Goulart: o Estatuto da Terra.

Dr. Plinio fez então um estudo intitulado O direito de propriedade no projeto de emenda constitucional nº 5/64 e no projeto de Estatuto da Terra”, assinado pelos quatro autores de RA-QC. No início de novembro, enviou-o a todos os parlamentares, mostrando o caráter socialista e confiscatório daquele projeto. Mas a influência do Poder Executivo foi considerável, e o Estatuto da Terra foi aprovado em dezembro de 1964.

Em 24 desse mês, secundado pelo Diretório Nacional da TFP, Dr. Plinio publicou em numerosos órgãos de imprensa o Manifesto ao povo brasileiro sobre a Reforma Agrária”, em que punha ao alcance do público as razões pelas quais o Estatuto da Terra era nocivo ao País. Denominava-o Janguismo sem Jango, e teve grande repercussão.

Não houve nenhuma tentativa de refutação ao manifesto da TFP, e durante algum tempo a Reforma Agrária ficou praticamente paralisada. Depois o regime militar fez expropriações com base no Estatuto da Terra, mas em número reduzido e sem alarde.

Nos governos subseqüentes, as ofensivas agro-reformistas se acentuaram com a participação ativa da esquerda católica. Mas sempre encontraram Dr. Plinio à sua frente, mediante publicações fundamentadas na doutrina tradicional da Igreja e em campanhas públicas realizadas pela TFP, opondo em escala nacional um obstáculo à aplicação da Reforma Agrária confiscatória.

Foram numerosos os lances de Dr. Plinio para deter essa escalada do socialismo agrário: manifestos e artigos a propósito do tema, bem como as diversas campanhas que promoveu, todas consignadas em inúmeras obras, muitas delas de adversários.(9)

Se hoje o Brasil não é um imenso conglomerado de assentamentos, tipo favelas rurais, isso se deve, em larga medida, à atuação desse impertérrito defensor da propriedade privada e da Civilização Cristã.

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