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Relatórios da CIA destacam unicidade da TFP

Documento da CIA não pôde deixar de reconhecer o importante papel das TFPs alertando contra a infiltração do comunismo nos meios católicos da época

Em maio de 2007, a Agência Central de Informação dos EUA (CIA) tornou públicos relatórios secretos elaborados por suas equipes para uso confidencial das altas autoridades daquele país. Neles encontra-se uma cuidadosa análise do deslizamento de ponderáveis setores católicos para a esquerda e a sua repercussão no esforço para implantar o comunismo no Brasil e na América Latina.

A documentação coloca a TFP como paradigma da resistência católica anticomunista face às crescentes tendências que trabalhavam para esquerdizar o catolicismo brasileiro e continental. Um dos relatórios(10) destaca as denúncias — largamente feitas por Dr. Plinio e a TFP — de que as reformas de estrutura socialistas faziam o jogo de eclesiásticos radicais e pró-comunistas. O mesmo documento observa a capacidade da TFP para motivar os jovens contra o esquerdismo católico.

Entre outras constatações, o relatório menciona como fator debilitante da reação católica ao socialismo o fato de a Santa Sé não mais nomear bispos que continuassem na linha anticomunista de seus antecessores.

Este fator debilitante, efetivamente, foi isolando Dr. Plinio e seus seguidores. Mas tal isolamento pôs em relevo a sua grandeza de alma e a unicidade do seu plano e atuação. Nesse contexto, foi-se se forjando uma auréola de prestígio em torno da entidade e de seu fundador, dando origem ao “mito TFP”.

Em defesa da família: campanha contra o divórcio

Em 1966, Dr. Plinio colocou a TFP em campanha visando impedir a aprovação de um novo Código Civil que implantaria o divórcio no Brasil. Em praças e logradouros públicos, os jovens propagandistas colheram mais de um milhão de assinaturas, apresentadas depois ao presidente Castelo Branco, que retirou do Congresso Nacional o projeto do novo Código Civil.

Enquanto se desenrolava a campanha, a TFP foi alvejada por um comunicado hostil da CNBB. Dr. Plinio respondeu ao órgão episcopal com o manifesto Respeitosa defesa em face de um comunicado da Veneranda Comissão Central da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – Filial convite ao diálogo. Nele mostrava que, golpeando a TFP em plena campanha contra o divórcio, a CNBB feria o estandarte antidivorcista e aplainava o caminho para a introdução do divórcio no País.

O público leu e entendeu o teor do manifesto da TFP. A CNBB silenciou.

Campanhas contra a infiltração comunista na Igreja

Em 1968, as diversas TFPs promoveram abaixoassinado, com 2 milhões de assinaturas, dirigido a S.S. Paulo VI, pedindo medidas contra a infiltração comunista na Igreja
Associações co-irmãs da TFP brasileira e autônomas começaram a se expandir na América do Sul e na Europa. Em 1968, as diversas TFPs promoveram abaixo-assinado dirigido a S.S. Paulo VI, pedindo medidas contra a infiltração comunista na Igreja. Foram recolhidas mais de 2.000.000 de assinaturas no Brasil, Argentina, Chile e Uruguai.

Em 1969, as TFPs empreenderam outra grande campanha para denunciar a atuação do IDO-C e dos “grupos proféticos”, que visavam transformar interiormente a Igreja de acordo com o critério marxista da desalienação, ou seja, libertar-se de toda superioridade.

Em 1982, Dr. Plinio escreveu a obra As CEBs... das quais muito se fala, pouco se conhece — A TFP as descreve como são,(11) em colaboração com dois membros da TFP, os irmãos Gustavo e Luiz Sérgio Solimeo. O livro mostra que ditas Comunidades de base formavam redes de “células” a serviço de uma revolução soprada pela Teologia da Libertação, a qual visava implantar um regime de tipo cubano ou soviético. Largamente difundido pelas caravanas da TFP, o livro representou um forte golpe contra essa manobra comuno-progressista.

Tudo estava sendo preparado para o Brasil ser arrastado para o abismo socialista, pela atuação e influência dos meios católicos pró-comunistas. Porém, a reação empreendida por meio da denúncia inicial de Em Defesa da Ação Católica, seguida anos depois por diversas campanhas das quais apresentamos apenas alguns exemplos mais significativos, enfraqueceu consideravelmente a capacidade de proselitismo do esquerdismo católico.

Assim, cada vez que tentava novo avanço revolucionário, mais ia se descolando do público católico. Após décadas de descolamento, a esquerda católica assemelha-se hoje a uma cobra cuja cabeça está como que separada do corpo, que não a acompanha em suas arremetidas revolucionárias.

Mensagem contra o socialismo autogestionário francês

Em 1981, após ser eleito presidente da França, o socialista François Mitterrand tentou aplicar nova fórmula de comunistização: o socialismo autogestionário. Tratava-se de manobra para impor nova forma de marxismo, ainda mais ousada, em seu processo histórico de realização. Com esse intuito, o socialismo internacional explorava a influência cultural universal da França. O artifício contava com poderosas simpatias na esquerda católica.

Dr. Plinio escreveu então a famosa mensagem intitulada O socialismo autogestionário: em vista do comunismo, barreira ou cabeça de ponte?,(12) da qual foram publicados 33,5 milhões de exemplares em órgãos da imprensa de 49 países.

Mitterrand não teve condições de aplicar seu programa de socialismo autogestionário. Dessa maneira, semeou o desconcerto entre seus seguidores e instalou uma crise no PS francês, a qual desde então não fez senão aumentar.

Últimos livros do incomparável líder e pensador católico

Dr. Plinio comentou no livro Nobreza e elites tradicionais análogas os ensinamentos pontifícios sobre o papel da nobreza e das elites como modelos para seus respectivos países

Em 1987/88, o Brasil assistiu angustiado ao trabalho efetuado pela Constituinte, que acabou por aprovar a Carta Magna que rege hoje o País. Dr. Plinio redigiu na ocasião o livro “Projeto de Constituição angustia o País”,(13) no qual previu e denunciou um conjunto de males, que hoje infelizmente se abateram sobre o Brasil.

Em seu último livro — Nobreza e elites tradicionais análogas nas alocuções de Pio XII ao Patriciado e à Nobreza romana(14) —, publicado em 1992, Dr. Plinio apresentou magistral comentário sobre ensinamentos pontifícios a respeito do papel da nobreza e das genuínas elites tradicionais para guia e modelo de seus respectivos países.



O mito da trilogia tradição, família e propriedade

No desenrolar de sua épica batalha dirigindo a TFP ao longo de quase quatro décadas, Dr. Plinio visou sempre a concretização de seu plano originário: afastar do Brasil a atuação deletéria socialista e comunista, que corrói a sociedade civil e se infiltrou na Igreja. Neutralizando essa ação, influiu para conduzir a Terra de Santa Cruz a ser um gigante do século XXI. Gigante pelo bom aproveitamento de seus infindáveis recursos, mas que poderá sê-lo cada vez mais pela intensificação da fé católica, apostólica e romana.

Para atingir esse objetivo, ele falou ao Brasil com as palavras adequadas às circunstâncias, tanto na liderança das Congregações Marianas e da Ação Católica como da TFP. Ao longo de sete décadas de militância católica, encontrou respeito e admiração em incontáveis brasileiros, até mesmo entre muitos que não compartilham suas idéias. Em numerosos outros, encontrou uma receptividade análoga à de tantos congregados marianos que o elegeram como líder nos anos 30 e 40. Suscitou assim um fenômeno muito mais amplo e imponderável do que é capaz uma simples entidade civil: o “mito TFP”. Este ainda perdura nas mentes dos brasileiros, apesar das vicissitudes pelas quais a entidade vem passando nestes últimos anos.

Nas fibras mais profundas da alma desses inúmeros brasileiros, o ideal explicitado pela trilogia tradição-família-propriedade tomou vida própria, passou a ser uma categoria mental, um estilo, um pólo de pensamento, uma possibilidade de futuro para cada brasileiro. E essa possibilidade aparece como sendo cada vez menos recusável, em face do desconcerto geral ocasionado pelo caos hodierno.

Estrondos publicitários que teriam derrubado governos foram desfechados contra Dr. Plinio e sua obra. Não alcançaram seu objetivo. Após o seu falecimento em 3 de outubro de 1995, as mesmas correntes ideológicas que tanto o combateram — socialo-comunista e católica de esquerda — atuaram para obter o amordaçamento da entidade por vias judiciárias, num processo ainda pendente de julgamento no Superior Tribunal de Justiça.

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