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“Mito TFP”: apelo de Dr. Plinio presente em nossos dias

Paradoxo providencial: enquanto a TFP de Dr. Plinio era assim manietada, o “mito TFP” foi tomando uma dimensão insuspeitada. Para citar apenas dois exemplos: bastou um candidato à presidência da República acenar para valores próximos a essa trilogia, na última campanha eleitoral, que logo o sentimento geral o associou à TFP; e quando o atual prefeito de São Paulo fechou duas casas de má reputação, um freqüentado site de esquerda submeteu os leitores a uma enquete, perguntando em tom de sarcasmo se não faltava à Prefeitura “refundar a TFP — Tradição, Família, e Propriedade”. Entre outras opções, esta venceu com larga margem de votos.(15)

A favor, contra, ou “mais ou menos”; por simpatia, antipatia ou pseudo-indiferença –– nos mais variados campos do pensamento ou da atividade brasileira, mesmo aqueles em que normalmente a corrente de pensamento fundada por Dr. Plinio não exerce influência, o “mito TFP” passou a ser um pólo de referência freqüente e quase necessário para qualquer um se definir.

Dia após dia, o “mito TFP” ganha novos patamares e reacendem-se surpreendentemente lembranças de suas campanhas, de seus símbolos e pronunciamentos. Extinguir esse mito é algo tão impossível quanto extrair uma parte da mente ou do cérebro de milhões de brasileiros.

E esse “mito” não é, no fundo, senão a projeção da figura de Plinio Corrêa de Oliveira. É o eco de sua voz convidando — hoje como ontem — o Brasil a cumprir sua vocação histórica. Vocação essa que o comuno-progressismo está empenhado mais do que nunca em desvirtuar.

90 anos após Fátima e a Revolução bolchevista

Neste mês de outubro, cumprem-se 90 anos da Revolução bolchevista, que desencadeou em grande escala a expansão do comunismo no mundo. Cumprem-se também 90 anos da última aparição de Nossa Senhora aos três pastorinhos em Fátima, onde Ela pediu que os Papas consagrassem a Rússia ao seu Imaculado Coração, segundo condições estabelecidas por Ela. Caso contrário, essa nação espalharia seus erros — isto é, o comunismo — pelo mundo inteiro. Pediu ainda que os homens cessassem de ofender a Nosso Senhor, e acrescentou que, por fim, seu Imaculado Coração triunfaria. Foi ainda em outubro de 1917 que, para confirmar suas palavras, Ela fez o sol girar milagrosamente e ameaçar a Terra, ante 70.000 pessoas reunidas na Cova da Iria.

Foi-se cumprindo o que Nossa Senhora anunciou... não foram atendidos seus pedidos. E a Rússia, de fato, espalhou seus erros por todo o orbe.

No Brasil, tais erros infeccionaram muitos ambientes católicos e todos os campos do plano temporal: no indivíduo, na família, na sociedade civil, na vida política, cultural, etc.

O comunismo agoniza e a - esquerda católica não arrasta fiéis

E o anticomunismo?

Os discípulos autênticos de Plinio Corrêa de Oliveira percorrem hoje um caminho análogo ao que trilhou seu mentor nos dias obscuros do seu ostracismo, nos anos 40 e 50. Certos, porém, de que sua missão de transformar o Brasil em grande potência católica há de se concretizar, pela misericordiosa e triunfante intervenção de Nossa Senhora de Fátima.

De outro lado, a queda do Muro de Berlim em 1989, e o desvendamento do abismo de miséria material e moral reinante nos países submetidos ao regime soviético, estarreceu a humanidade e enfraqueceu a revolução marxista mundial. Esta perdeu empuxo no Brasil e no mundo. E para o processo revolucionário mundial, a perda de força de aceleração equivale à sua deterioração e posterior morte.

No Brasil, o insignificante PC do B, incapaz de impulsionar qualquer transformação revolucionária de fundo, parece ter transferido a tarefa ao Partido dos Trabalhadores, nascido da esquerda católica e bafejado por ela.

Nesta hora crucial, é notório que o universo católico brasileiro não faz causa comum com o PT nem com a esquerda católica. As CEBs não têm presença expressiva no panorama brasileiro. Os movimentos sociais do gênero MST e análogos, embora amparados por organismos ligados à CNBB, como a CPT e o CIMI, desanimam e perdem o rumo. O fracasso da Reforma Agrária socialista e confiscatória é patente, em contraste com o êxito do agronegócio no Brasil.

Noventa anos depois de Fátima e da Revolução bolchevista, talvez como nunca a utopia comunista aparenta dispor tanto das rédeas governamentais em nosso País. Disfarçadas, no entanto, por metamorfoses e transformações como, por exemplo, ocorre na Rússia atual subjugada por Putin e seus antigos companheiros da KGB. Mas quiçá também nunca o Brasil se desinteressou tanto dessa utopia malsã. De outro lado, o “mito TFP” e a figura de Dr. Plinio cresceram em influência.

A Terra de Santa Cruz poderá ainda passar por momentos dificílimos. Mas a presença imponderável de Dr. Plinio e de seus autênticos discípulos nos permite confiar que as aspirações desse homem providencial realizar-se-ão em profunda consonância com a promessa de Nossa Senhora em Fátima: “Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará!”

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Notas:

1. “Jornal de Minas” (Belo Hori­zonte), 3-7-86.

2. CIA/IRSS, DDI/STAFF STUDY, ESAU XXIII - 63, “The Sino-soviet Struggle in Cuba and the Latin American Communist Movement”, 1º novembro 1963, http://www.foia.cia.gov/CPE/ESAU/esau-22.pdf.

3. Palestra para sócios e cooperadores da TFP, em 2-7-1988.

4. Artpress, São Paulo, 1998, 2ª ed.

5. Paráfrase do salmo 68,9.

6. Cfr. Catolicismo nº 159, março 1964.

7. Plinio Corrêa de Oliveira, Revolução e Contra-Revolução, Artpress, 1998, p.166 ss.

8. Cfr. Catolicismo nº 163, junho de 1964, e nº 170, fevereiro de 1965.

9. Para uma visão completa das campanhas anti-agrorreformistas de Dr. Plinio até 1988, recomendamos a leitura do livro Um homem, uma obra, uma gesta, Edições Brasil de amanhã, São Paulo, 1988.

10. Cfr. The Committed Church and Change in Latin America, Reference Title: ESAU XLIII/69, 10-Sep-69, http://www.foia.cia.gov/CPE/ESAU/esau-42.pdf, p. 19 e ss.

11. Editora Vera Cruz, São Paulo, 1982.

12. Catolicismo nº 373-374, janeiro-fevereiro de 1982.

13. Catolicismo, edição extraordinária, outubro de 1987.

14. Editora Civilização, Porto, 1993, 327 p.

15. http://conversa-afiada.ig.com.br/?codsit=51&codparext=2053.


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