Setembro de 2003
A contra-ofensiva da TFP frente à escalada das invasões
Capa

A contra-ofensiva da TFP
frente à escalada das invasões

Vigoroso alerta, lançado pela entidade em campanha pública, ecoa nas ruas com expressivo apoio de uma população receosa e preocupada ante os rumos cada vez mais esquerdistas do governo do PT — concessivo e favorecedor das invasões rurais e urbanas.

Abel de Oliveira Campos

Ante o clima de instabilidade gerado no País pela inércia do governo em relação ao MST, e pelo prosseguimento de uma Reforma Agrária altamente lesiva ao Brasil, em especial ao meio rural, a TFP saiu às ruas, iniciando uma campanha de esclarecimento de âmbito nacional.

Seus sócios e cooperadores, todos eles católicos praticantes, consideram um dever denunciar a escalada das invasões rurais e urbanas, que podem arrastar o País à luta de classes, à convulsão e à revolução social. E advertem que a Reforma Agrária socialista e confiscatória tende a transformar o Brasil em uma imensa Cuba comunista.

Atuando de modo ordeiro e pacífico, não defendem eles interesses pessoais. Batalham em prol da propriedade privada, enquanto princípio sagrado garantido pela Lei natural e consubstanciado em dois Mandamentos da Lei de Deus, que ensinam: Não roubarás e Não cobiçarás as coisas alheias.

Ideal católico de justiça

Campanha na Av. Paulista
Para os sócios e cooperadores da entidade, o ideal católico de justiça no terreno sócio-econômico não consiste na igualdade completa, como apregoam falsamente socialistas, comunistas e a esquerda católica, mas sim no convívio harmônico das classes sociais, dentro de um regime de proporcionada desigualdade. Nada de desigualdades aberrantes, mas também nada de igualitarismo malsão.

Só desta maneira será possível atender os direitos de todos, patrões e trabalhadores, dentro da concórdia e da paz social. Na medida, é claro, em que o permitirem as condições desta vida terrena, marcada pelo pecado.

Lutar por tais princípios que a sabedoria da Santa Igreja veio destilando ao longo dos séculos, a partir do Evangelho e da Tradição não é uma opção, mas uma verdadeira obrigação de consciência para todo católico.

O Alerta da TFP

Ao lançar o documento “Alerta da TFP — Reforma Agrária e violência unidas contra o Brasil”, a entidade contrapõe uma análise séria, baseada em documentos e argumentos, aos desmandos e à demagogia velhaca que percorre o País.

Assim, enquanto outros invadem, depredam e saqueiam, insuflados pelos princípios de fundo marxista soprados pela esquerda católica, a TFP promove uma campanha ordeira e pacífica. Enquanto outros pregam a luta de classes e a revolução, a TFP propõe a harmonia social.

Um comentário insuspeito da jornalista Tereza Cruvinel o confirma: “A volta da TFP (Tradição, Família e Propriedade) é significativa porque tem raízes urbanas, experiência de agitação [sic!], discurso elaborado e penetração na vacilante classe média, diferentemente da UDR e das organizações ruralistas que estão se armando para enfrentar a ofensiva do MST” (“O Globo”, 3-8-03).

Atuação constante

Para alguns órgãos da mídia, a TFP “estava sumida”. Ao que parece, para os cenáculos fechados de certas redações, tudo o que não está em foco na imprensa é irrelevante.

Acontece que a TFP formou-se na escola de pensamento e ação de Plinio Corrêa de Oliveira, seu insigne fundador. Ela sabe distinguir a importância real da importância meramente publicitária. Quando sai às ruas, age na hora oportuna, com as armas pacíficas e legais que uma longa experiência de quase meio século de atuação prova serem as mais convenientes. E a calorosa receptividade que encontra é a confirmação de seu acerto.

Início da campanha na Rua da Consolação
Em suas campanhas de rua, ela fala ao público em geral. E nos intervalos de suas grandes atuações, expande continuamente sua rede de contatos, através de várias campanhas permanentes por exemplo, a favor da legítima defesa; da expansão da mensagem de Fátima; contra o aborto; os programas imorais de televisão e o malfadado “casamento” homossexual­. Atua também por meio de diversos sites na Internet, pelo correio e através de publicações nas páginas de Catolicismo e inserções na imprensa diária. Assim, ela alcança também os que hoje são chamados “formadores de opinião”, de todas as classes e condições sociais, de norte a sul do Brasil, numa atuação profunda que atinge o País em suas capilaridades.

Tanto é que, na distribuição desse Alerta, o público recebeu os sócios e cooperadores da TFP com a mesma naturalidade de sempre, aplaudindo-a, apoiando-a e participaa preocupação a respeito da sorte do País, registrada naquele documento. Não faltando também, é claro, aqueles que, seja por suas idéias socialo-comunistas, seja por razões inconfessadas, se mostram refratários à ação da entidade, e por vezes até agressivos.

Nesta matéria de capa, Catolicismo apresenta a seus leitores o que significou tal campanha da TFP dentro do panorama político atual, as repercussões que encontrou na imprensa e as manifestações do público diante dela.

 

A TFP na hora certa

O episódio em que o presidente da República recebeu amigavelmente líderes do MST, tendo colocado o boné do movimento e dado biscoitos a comer na boca a dois de seus dirigentes, produziu um efeito inesperado: foi a gota d’água que fez transbordar a irritação dos brasileiros contra a onda de invasões e esvaziar o pote das ilusões a respeito do governo Lula da Silva na questão da Reforma Agrária. Nunca um boné adquiriu tal carga simbólica e deu tanto o que falar.

Entre surpresa e atônita, a população começou a acordar e a se dar conta do vínculo profundo entre o MST e o governo Lula, entre as invasões e a índole do PT.

Foi nesse momento psicológico que veio à luz o Alerta da TFP.

Quando os paulistanos viram nas ruas, naquela ensolarada manhã de sexta-feira, 1º de agosto, os heráldicos estandartes da TFP, deu-se um fenômeno de empatia que percorreu de alto a baixo os mais diferentes segmentos sociais e fez repercutir a campanha no Brasil inteiro. Uma senhora da sociedade tradicional de São Paulo, encontrando-se com um diretor da TFP, chegou mesmo a afirmar: “Olhe, no Clube tal, o assunto hoje, o tempo todo, foi só a TFP!”.

Interesse da mídia

Fac símile de "O Estado de S. Paulo", 2/8/2003, p.8.
A campanha despertou grande interesse também da mídia. Diversos repórteres apareceram para filmar, fotografar e entrevistar.

Às 11:41, a “Agência Estado” colocava na Internet uma notícia, de responsabilidade da jornalista Beth Cataldo, que resumia objetivamente o conteúdo da campanha, em jornalismo de bom quilate. Paradoxalmente, no dia seguinte, a notícia publicada no jornal “O Estado de S. Paulo”, do mesmo grupo econômico, saía inteiramente “reciclada” pela redação, resultando matéria tendenciosa, temperada com o fel e o vinagre da prevenção anti-TFP. Quem quiser comparar as duas notícias, pode fazê-lo na Internet, nos seguintes links:

www.estadao.com.br/agestado/noticias/2003/ago/01/47.htm  e www.estado.estadao.com.br/editorias/2003/08/02/pol021.html

“O Globo” (3-8-03), como já dissemos, também focalizou a campanha. A jornalista Tereza Cruvinel comentou: “Em grande estilo, a velha TFP saiu às ruas em São Paulo na sexta-feira. [...] A volta da TFP (Tradição, Família e Propriedade) é significativa porque tem raízes urbanas, experiência de agitação [sic!], discurso elaborado e penetração na vacilante classe média, diferentemente da UDR e das organizações ruralistas que estão se armando para enfrentar a ofensiva do MST”.

“Numa sociedade democrática, todos têm o direito de expressar suas crenças ideológicas e políticas", comentava a jornalista Bianca Justiniano na “Coluna do Gilberto Dimenstein”, da “Folha de S. Paulo”, 19/8/03, “Mas não deixa de ser intrigante ver a direita ultra-conservadora do país indo às ruas, ou melhor, aos faróis de cruzamentos movimentados da cidade para ‘alertar’ a população sobre a ‘ameaça’”.

O desenrolar da campanha

Para maior brevidade, vamos nos ater à campanha realizada em São Paulo. Iniciou-se ela, como já foi dito, na manhã de sexta-feira, dia 1° de agosto, no cruzamento das movimentas avenidas Rebouças e Brasil. Estendeu-se depois pela Avenida Paulista, Rua da Consolação, por todo o Centro Velho e por vários bairros da capital.

Os sócios e cooperadores da entidade, revestidos de suas conhecidas capas rubras, abordavam os carros e os passantes nos cruzamentos e nos pontos estratégicos da cidade, distribuindo o mencionado Alerta.

Antes de reiniciar a atuação na parte da tarde, reuniram-se nas escadarias da Catedral de São Paulo, onde bradaram de forma ritmada os slogans da campanha, que diziam:

“A TFP denuncia, a TFP informa, a TFP alerta:

“As invasões de terras estão levando o Brasil para a convulsão e para a revolução social.

“O brasileiro não quer desordem, o brasileiro não quer invasão, o brasileiro não quer luta de classes. O brasileiro quer ganhar o que é seu, na harmonia e na paz social.

“Plinio Corrêa de Oliveira disse, Plinio Corrêa de Oliveira provou: a Reforma Agrária leva a miséria ao campo e à cidade.

“Os Papas ensinam, os Papas afirmam: Ninguém tem o direito de invadir, ninguém tem o direito de fazer agitação social.

“Primeiro foram as invasões no campo, agora são as invasões na cidade. Qual será o próximo passo? Qual será o próximo passo? A cubanização do Brasil?”.

O único incidente

A campanha transcorreu durante todo o dia de modo inteiramente tranqüilo, com o público manifestando grande receptividade. O repúdio às invasões de terras e à maneira como o governo vem tratando os invasores era generalizada. Com as exceções de praxe, é claro!

O único incidente partiu do fiscal Daniel Tosini, da administração petista da subprefeitura do bairro de Pinheiros, no cruzamento da Av. Rebouças com Av. Brasil. Após solicitar verbalmente a suspensão da campanha, ameaçou, caso não fosse imediatamente atendido, de enquadramento em crime de desobediência — e conseqüente prisão — os que argumentavam estar exercendo o direito de expressão e livre manifestação, usufruído por todo cidadão brasileiro.

“Isso é típico do PT”, escreveu um gaúcho de Caxias do Sul para o site da TFP (www.tfp.org.br), ao tomar conhecimento desse fato. “Esse partido se diz amigo dos debates, mas somente quando interessam a eles. A arbitrariedade do fiscal não se manifesta assim, quando as esquerdas provocam balbúrdia, violência e crimes no campo e na cidade. Resistam a mais essa investida desse verdadeiro inimigo do Brasil, que é o falso 'amigo do pobre’”.

Simpatia pela TFP

Houve esquerdistas anônimos que, de seus carros em velocidade, gritavam insultos contra os sócios e cooperadores da entidade. Mas eram casos raros e isolados. A tônica geral era de muita simpatia para com a campanha, associada à profunda preocupação pelo panorama político-ideológico que se vai delineando no horizonte brasileiro.

Na Avenida Rebouças, um senhor afirmou: “Se a TFP saiu às ruas, é porque a situação está séria”.

No Largo do Paissandu, uma senhora simples do povo, que saía da Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, com o manifesto da TFP na mão, dizia enfática: “Eu disse aos meus amigos, na época das eleições, para não votarem no Lula, porque isso seria um desastre para o Brasil. E agora estamos vendo o que está acontecendo. Acho que só um impeachment poderá resolver o caso”.

O mesmo repetia um homem de aproximadamente 55 anos, abordado em seu carro no bairro da Lapa: “Foi uma estupidez o povo ter votado em Lula. Agora estamos num clima semelhante ao de 1963”.

Um empresário que passava pelo centro da cidade comentou: “Isto está parecendo a época das Ligas Camponesas”. E uma senhora do bairro de Higienópolis exclamou: “Vocês têm que continuar esse trabalho, porque eles estão querendo entrar de botina com o comunismo no Brasil”.

Em Itaquera, na Zona Leste paulistana, um motorista de táxi parou seu automóvel e disse ao cooperador da TFP: “Eu queria manifestar o meu agrado pelo que vocês estão fazendo, porque sou da zona do Pontal do Paranapanema e sei que aqueles invasores lá são todos uns vagabundos. Pegam as terras, passam para outros, vendem, não têm interesse em produzir, não têm interesse em sustentar a família”. Tomando na mão o folheto estendido pelo cooperador, ele continuou: “Invadir é a coisa mais fácil que tem, mas para a gente conseguir algo, um trabalho honrado, é uma dificuldade. Eu agora estou trabalhando neste táxi, estou ajuntando honestamente um dinheirinho para comprar um terreno. E não é justo que depois venha um vagabundo e invada o que consegui com sacrifício”.

Uma advogada, abordada na praça João Mendes, manifestou também preocupação com a ação dos sem-terra e dos sem-teto, acrescentando: “Sou uma grande admiradora da TFP, pertenço à campanha ‘Vinde Nossa Senhora de Fátima, não tardeis!’ e contribuo para o trabalho de vocês há anos. Admiro sobretudo o fato de vocês propagarem a devoção a Nossa Senhora. Isso me dá muito alento”. Abrindo a bolsa e mostrando o cartão de membro da campanha, acrescentou: “Gosto muito de conversar com os membros da TFP, porque vejo em vocês um modo de ser, uma educação, um modo de tratar, que aí fora está acabando completamente. Vocês mantêm isso”.

Opinião de esquerdistas

A imprensa procurou ouvir pessoas de destaque da esquerda, a respeito da campanha da TFP. As reações foram as mais diversas.

Enquanto o presidente do PT, deputado José Genoíno, afirmava que a manifestação da TFP “faz parte do colorido democrático do País” (“O Estado de S. Paulo”, 1-8-03, matéria da jornalista Elizabeth Lopes), o deputado petista mineiro Paulo Delgado encarava a presença da TFP nas ruas como “a volta do maniqueísmo ideológico”, que ele considera “nociva ao Governo e ao País”. Desabafou ele: “É uma parte da esquerda, com sua ansiedade, que está despertando a direita” (“O Globo”, 3-8-03).

Embora dizendo que “a direção do MST nem se preocupou em responder oficialmente às acusações da TFP”, o jornalista Roldão Arruda e outros (cfr. “O Estado de S. Paulo”, 2-8-03) soube entretanto que “para a organização [MST], as insinuações de que os sem-terra pretendem se armar faria parte de um longo e já conhecido processo desenvolvido por setores conservadores com o objetivo de criminalizar os movimentos sociais”.

O jornalista cita ainda uma declaração de Gilmar Mauro, dirigente do MST, em que este afirma candidamente que “a violência não está colocada em nenhum momento como alternativa para os sem-terra. Nossas ações são de desobediência civil”.

Notícias sobre a campanha foram publicadas por todo o Brasil. Além das já citadas, poderíamos relacionar a “Folha dos Lagos”, Campos (RJ); “O Dia”, Rio de Janeiro; “Jornal do Commercio”, Recife; “Jornal do Tocantins”, Palmas; “Diário do Nordeste”, Fortaleza; “Diário de Pernambuco” (várias notícias); “O Estado do Maranhão”; “Valor Econômico”, São Paulo; “A Tribuna”, Santos; “Monitor Campista”, Campos (RJ).

Na Internet

Na Internet, pulularam as notícias e os chats que trataram da campanha.

Notou-se também um aumento de visitas ao site da TFP (www.tfp.org.br), com mensagens de apoio, estímulo e adesão à campanha. A título de exemplo, transcrevemos algumas.

Advogado de São Bernardo: “Recebi o manifesto contra as invasões, na Avenida Paulista, e me incorporei totalmente ao seu conteúdo, inclusive enviando o cartão-resposta pelo correio. Só a sociedade mobilizada poderá enfrentar esse espetáculo das invasões”.

Brasileira, patriota e católica: “Tendo recebido seu folheto em que abordam o sério problema da "Reforma Agrária e Violência unidas contra o Brasil", vi-me no dever de lhes repassar a mensagem [carta de uma proprietária rural, descrevendo o drama da invasão que sofreu] que segue anexada a esta. Como brasileira e patriota, bem como católica adepta aos moldes tradicionais da nossa Igreja Católica Apostólica Romana, deixo-os estarrecidos como eu fiquei ­, ao tomarem conhecimento do teor da carta em questão”.

Cidadão contra as invasões de terras: “Como cidadão comum da cidade, sou a favor das grandes fazendas no campo, único meio de abastecer um país, e ainda mais das dimensões do nosso. Pequenas propriedades nunca abasteceram um país”.

De um homem do campo: “Folheto 'Reforma agrária e Violência unidas contra o Brasil' Tenho visão diferente no que se refere à religião. Do resto, estou de pleno acordo com o texto. O comunismo não deu certo em nenhum país do mundo. Os direitos devem ser respeitados. Os proprietários micro, pequenos, médios, grandes, devem viver em harmonia. Eu trabalhei na roça, de sol a sol, agora vêm me tirar o que consegui. Isso não é justiça, não é religião, não é honesto, não é verdade. Nesse ponto, concordo com vocês”.

     Também vieram mensagens com insultos, xingatórios e palavras de baixo-calão, que, pela completa falta de conteúdo e por falta de espaço, bem como por respeito aos leitores, omitimos.

Conclusão

Em suma, a índole ordeira e pacífica do brasileiro se sentiu inteiramente expressa no alerta que a TFP fez à Nação.

A invasão prédios na capital paulista e do terreno da Volkswagen por pessoas muito duvidosamente necessitadas, e o brutal assassinato de um fotógrafo da revista “Época” no acampamento dos sem-teto, só fez acentuar a noção do profundo nexo entre as agitações do campo e as da cidade. E que essas agitações poderão arrastar em breve o País a uma convulsão e revolução social.

Agredido pelas ações violentas do MST e pela conduta desconcertante do governo federal ante esses desmandos, o brasileiro começa a reagir e a exigir que seus direitos sejam respeitados.

Rezemos a Nossa Senhora Aparecida para que não comecem a aparecer falsos líderes que desviem essas sadias reações, quer incitando seus liderados para ações ilegais, que só os desprestigiariam junto ao povo, quer deixando-se anestesiar por boatos que induzam à política suicida do “ceder para não perder”.

Clareza, lógica, firmeza e olhos abertos, aliados a uma profunda e inabalável confiança na Providência Divina, eis a fórmula para o momento político em que vivemos.

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     Plinio Corrêa de Oliveira foi o baluarte, no Brasil, da luta contra a Reforma Agrária socialista e confiscatória.

 
Plinio Corrêa de Oliveira
   
Ante os pronunciamentos agro-reformistas de bispos, padres, religiosos e leigos da esquerda católica, ele demonstrou com sólidos argumentos que o católico deve ser fiel, acima de tudo, aos ensinamentos tradicionais da Santa Igreja. E, nos dias de hoje, especialmente àqueles relativos à propriedade privada, cujos fundamentos são o próprio Direito natural e dois Mandamentos da Lei de Deus: Não roubarás e Não cobiçarás as coisas alheias.

     Herdeira de sua luta anti-agro-reformista, a TFP, por ele fundada, continua a proclamar: para um católico, ser contra as invasões e contra a Reforma Agrária socialista e confiscatória não é apenas um direito, mas um dever.

 

Alerta da TFP

Reforma Agrária e violência unidas contra o Brasil

(resumo)

Prossegue no governo Lula a escalada das invasões de terras feitas pelo MST, CPT e congêneres, para impor a Reforma Agrária ao País; e já lançou metástases nas cidades, com invasões de terrenos e prédios urbanos

1.  A tática do MST: ações revolucionárias tonitruantes seguidas de tímidos recuos, assinalando a meta que têm em vista, de implantar uma estrutura agro-socialista no Brasil

2.  A impunidade dos invasores e a forte colaboração de órgãos governamentais com o MST conduzem à idéia de que o movimento tem um plano para ditar as regras do jogo político do País. Tal plano, se rejeitado, poderá levar o movimento a enveredar por ações cada vez mais radicais, chegando até mesmo à guerrilha.

3.  Essa política de confronto, antes restrita ao campo, agora deita metástases nas cidades, como no caso da invasão do terreno da Volkswagen, cuja meta foi enunciada por uma coordenadora dessa invasão: “Nossa luta é para, a longo prazo, promover uma transição para o socialismo” (“Revista Época”, 28-7-03).

4.  Em todas ou quase todas essas ações revolucionárias, pode-se discernir a inspiração e mesmo a coordenação feita pelos partidos de esquerda, e sobretudo por bispos, padres, religiosos e religiosas, bem como leigos da chamada “esquerda católica”, que se põem em confronto direto com a doutrina social católica de defesa da propriedade privada e da justiça social baseada na harmonia das classes.

5.  Diante das claras violações da lei por parte do MST e dos invasores, o governo, na retórica, diz que não admitirá ações ilegais. Na prática, deixa livre curso às invasões, movimenta a máquina estatal para garantir tanto quanto possível a impunidade do que chama “movimentos sociais”. Ao mesmo tempo, procura cercear ou mesmo tirar dos fazendeiros a possibilidade de exercerem o direito de legítima defesa. O empenho governamental em fazer passar com urgência projetos de lei desarmando os homens honestos seria uma manifestação dessa política.

6.  Outro aspecto da política governamental é a aplicação, como “remédio” para a onda de invasões, de uma Reforma Agrária socialista e confiscatória, que só tem dado como resultado fazer crescer a agitação agrária e implementar os assentamentos, verdadeiras favelas rurais que vão cobrindo o Brasil de norte a sul. E cujo termo final será transformar nosso País numa Cuba comunista, pela divisão compulsória das propriedades privadas. O programa Fome Zero vai-se transformando em instrumento de apoio às agitações do MST, uma vez que sustenta as pessoas mobilizadas para a agitação social.

7.  A finalidade igualitária e socialista dessa Reforma Agrária vem claramente enunciada em documentos e encontros do MST, como também em declarações de personalidades e órgãos da “esquerda católica” que cercam o Presidente da República.

8.  Dirigindo por fim uma súplica a Nossa Senhora Aparecida para que salve o Brasil, a TFP encerra o Alerta conclamando todos os espíritos clarividentes, cautos e ágeis a que se concertem para repudiar, com firmeza, o atual processo de demolição da propriedade privada e da paz social, fruto do fanatismo reformista.

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Nota:

O texto completo do pronunciamento da TFP, intitulado “Reforma Agrária e violência unidas contra o Brasil”, está à disposição no site da TFP: www.tfp.org.br