Setembro de 2007
Qualidades da raça negra expressas na Bahia
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Excertos


Qualidades da raça negra expressas na Bahia

Plinio Corrêa de Oliveira

Grande defensor da unidade entre todas as etnias que constituem o povo brasileiro, Plinio Corrêa de Oliveira sempre combateu os movimentos esquerdistas que procuravam criar rivalidades e divisões entre brancos, negros e índios, pois elas servem ao propósito de lançar o País numa revolução social, por meio da luta de classes e de raças. Em suas inúmeras palestras, o Prof. Plinio freqüentemente estimulava seus ouvintes ao convívio harmonioso entre todas as raças, elogiando as qualidades de cada uma delas.

A título de exemplo, segue trecho de uma exposição realizada em 14 de julho de 1984, na qual ele responde a uma pergunta sobre o modo de ser característico do baiano.

* * *

“O modo de ser da Bahia dá sabor ao Brasil inteiro. A Bahia é como um tempero que a gente põe no prato, e o prato inteiro fica com o gosto do tempero. O tempero do Brasil é a Bahia.

Quando afirmamos que alguém é imaginativo, dizemos que ele imagina coisas que não existem. Mas com o baiano não é assim. Deus pôs o baiano numa moldura, numa Bahia que corresponderia à imaginação dos outros, mas que lá é a realidade; deu ao talento baiano a capacidade de aperfeiçoar a Bahia que Ele criou. De maneira que os baianos, mais suas bonitas construções, de algum modo completam a obra do Criador.

Deus faz com as coisas da natureza como um bom pai pode fazer com o filho: dá um caderno com os desenhos impressos, mas sem cor, e dá os lápis de cor para o filho pintar.

E assim Deus fez com a Bahia, que adquiriu todo um colorido próprio: o céu tem uma cor mais viva; a água do mar tem uma cintilação especial; quanto às palmeiras da praia de Amaralina, tem-se a impressão de que um vento feérico soprou sobre elas e todas se inclinaram; as igrejas parecem conservar dentro delas os séculos passados. Parece que Vieira acabou de fazer um sermão; que os holandeses acabam de ser expulsos de lá; que os grandes oradores da Bahia acabam de fazer um discurso, e que os versos dos grandes poetas baianos se fazem ouvir em todas as esquinas.


O povo parece estar continuamente disposto a cantar e dançar, a improvisar uma poesia ou fazer um discurso. E desenvolveu uma comedoria muito imaginosa: vatapá, sarapatel, caruru, e tanta coisa do gênero.

Entre os vários lápis de cor que Deus pôs na caixa para colorir a Bahia, destaca-se um grosso e grande lápis de cor preta: os negros da Bahia. A Bahia não seria ela mesma sem os negros. Se um baiano se envergonhasse dos negros de lá, seria um bobo.

Eu acho que a raça negra possui certas qualidades que os brancos não têm. Uma certa forma de poesia, uma forma de afeto, uma capacidade de dedicar-se, que faz do negro um elemento fundamental do quadro tradicional na Bahia, e que entrou com algo para a poesia que a Bahia tem”.

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