Janeiro de 2017
Sobreviver na atual crise da Igreja
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Ação Contra-Revolucionária

Sobreviver na atual crise da Igreja

        Allysson V. Vasconcelos

Realizou-se no último dia 10 de novembro no Clube Homs, na capital paulista, a exposição de um tema que não poderia ser mais oportuno: “Aquilo que um católico precisa saber para sobreviver na atual crise da Igreja”.

Após a abertura da sessão pelo Dr. Eduardo de Barros Brotero, diretor do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira, tomou a palavra o orador da noite, Sr. José Antonio Ureta.

Pesquisador da TFP francesa, ele estabeleceu um paralelo entre o tema de sua palestra e o título “um tanto provocador, mas muito realista” de um livro do Pe. Nicola Bux (2010), intitulado “Como ir à Missa e não perder a fé”.

O expositor justificou que a perplexidade dos fiéis não se restringe, como no começo do pontificado atual, apenas aos católicos nostálgicos das pompas pontifícias do tempo de Pio XII, ou aos promotores da Missa tridentina. Essa perplexidade atinge hoje boa parte da imensa massa dos simples fiéis que vão à Missa aos domingos e ficam confundidos com a zoeira midiática que rodeia certas declarações ou atitudes papais.

O orador dividiu a sua exposição nos seguintes tópicos:

·                   Marco teológico que enquadra suas reflexões.

·                   Exemplos históricos de graves crises anteriores.

·                   Caos que se agravou na Igreja a partir do atual pontificado.

·                   Iniciativas de resistência ao caos por parte de prelados e leigos.

·                   Orientações práticas de sobrevivência dos católicos perplexos.

O conferencista começou tratando da indefectibilidade da Igreja, cuja primeira consequência prática é sua infalibilidade, que lhe assegura nunca poder perder ou corromper a Fé e a Moral. E disse que a grande pergunta era saber se o Sumo Pontífice é infalível em todas as suas ações.

Para responder à questão, citoua Declaração do arcebispo Vincent Gasser, secretário da Deputação da Fé durante o Concílio Vaticano I, sobre o significado dos esquemas aos Padres Conciliares antes de o texto sobre o dogma da infalibilidade ser submetido à votação: “De modo algum a infalibilidade pontifícia é absoluta, porque a absoluta infalibilidade pertence somente a Deus. Qualquer outra infalibilidade, enquanto comunicada para um propósito específico, tem seus limites e suas condições. O mesmo vale em referência à infalibilidade do Romano Pontífice. Pois essa infalibilidade é pautada por certos limites e condições.”

Outra pergunta que poderia surgir é se devemos sempre seguir os Pastores atuais da Igreja em tudo aquilo que eles sustentam. O orador respondeu que se alguns desses Pastores ensinam algo que contraria as verdades das Escrituras e da Tradição, não só devemos evitá-los, mas resisti-lhes. E complementou com uma pergunta:“Como pode um fiel dar uma adesão de fé divina a um ensinamento do magistério ordinário não revestido de infalibilidade e que, além do mais, é uma novidade contrária a dois mil anos de ensino tradicional?”

Tendo apresentado uma análise sumária a respeito da indefectibilidade e da infalibilidade da Igreja e de seus limites, o expositor passou a demonstrar como isso se deu concretamente na História bimilenar da Igreja, “batida por ondas gigantescas, mas que não afundou”.

À pergunta levantada pelo próprio expositor sobre o que reter quando tomamos conhecimento das grandes crises da Igreja, ele respondeu: “Em primeiro lugar, pela assistência do Espírito Santo, Ela é mesmo insubmergível: Fluctuat nec mergitur”. Em segundo lugar,“nem sua indefectibilidade, nem sua infalibilidade são obstáculos para que prelados e o próprio Papa possam favorecer o erro e até caírem em heresia”. Em terceiro lugar, “nessa emergência, cabe aos fiéis permanecerem firmes na fé e resistirem aos maus pastores”.

Segundo o orador, o que temos visto nesses últimos 50 anos é o aumento daquilo que um dia o Papa Paulo VI chamou de “misterioso processo de autodemolição” da Igreja. Dentro de tal processo é que repercutem junto ao público, causando muitas perplexidades, algumas “frases-choque” do Papa Francisco ecoadas pela mídia, como: “Deus não é católico”; “Quem sou eu para julgar?”; “As mulheres católicas não devem ter filhos como coelhos”; “A pílula contraceptiva é a fórmula para evitar os riscos do Zika”; “A maioria dos casamentos católicos é nula e grande número de uniões irregulares é verdadeiro matrimônio”. E, mais recentemente: “Martinho Lutero foi um reformador que protestou contra a corrupção do clero e proporcionou um remédio para a Igreja”.

Entretanto, mesmo diante de tal processo, o Espírito Santo continua a assistir a Igreja, sustentando valorosas atitudes de resistência. Por exemplo, a publicação do livro Permanecer na Verdade de Cristo – Matrimônio e Comunhão na Igreja Católica, com contribuições dos cardeais Müller, Caffarra, de Paolis, Brandmüller e Burke.

Paralelamente, foram lançadas duas iniciativas às quais o Instituto Plinio Corrêa de Oliveira e algumas TFPs se associaram: a divulgação do opúsculo Opção preferencial pela família – 100 perguntas e respostas a respeito do Sínodo e a promoção da Filial Súplica a Sua Santidade o Papa Francisco sobre o futuro da família, subscrita por cerca de 900 mil signatários, mais de 200 dos quais eram cardeais, arcebispos e bispos do mundo inteiro.

Após a publicação da Exortação pós-Sinodal Amoris laetitia, que autoriza a dar a absolvição e a Sagrada Comunhão a divorciados recasados no civil “caso por caso”, Dom Athanasius Schneider publicou no jornal “The Remnant” uma carta afirmando que algumas “expressões de Amoris laetitia, e em especial as do capítulo VIII, são extremamente ambíguas e enganosas”, pelo que “é quase impossível interpretá-las segundo a santa e imutável Tradição da Igreja”, do qual resultará “confusão doutrinária e uma fácil e rápida propagação de doutrinas heterodoxas [...] e a consolidação de uma prática que banalizará e profanará três sacramentos de um só golpe”.

Pouco depois, foi noticiado na imprensa que 45 teólogos e filósofos haviam enviado a todos os cardeais um documento que, sem questionar a fé pessoal do Papa Francisco, afirma que a Exortação pós-Sinodal “contém declarações cujo sentido natural parece ser contrário à fé e à moral”, além de “muitas afirmações cuja imprecisão ou ambiguidade permite interpretações que são contrárias à fé ou moral”.

Em particular, o documento censura 11 proposições de Amoris laetitia como heréticas, cinco como errôneas na fé e três como temerárias e/ou falsas, e a sua maioria, escandalosas, perniciosas ou perversas, pelo comportamento que favorecem.

Após essa análise das resistências ao caos na Igreja, o conferencista falou sobre a atitude que os simples fiéis devem tomar diante do mencionado processo de autodemolição, convidando-os a estudar a fundo a doutrina católica, especialmente as verdades ora mais negadas concernentes ao matrimônio, à confissão sacramental e à Sagrada Comunhão. Ademais, foi recomendado aos fiéis difundirem essas verdades negadas e denunciarem todas as iniciativas contrárias ou perigosas para a fé católica.

Convidamos nossos leitores a ouvir a íntegra dessa importante conferência, a qual se encontra disponível no link: http://ipco.org.br/ipco/fotos-e-videos-da-conferencia-como-ser-fiel-apesar-da-infidelidade/#.WFg4b9LafIU

*       *       *

O Príncipe Dom Bertrand de Orleans e Bragança encerrou a sessão citando ensinamentos do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira e salientando a certeza da vitória sobre a crise que assola a Igreja e a civilização hodierna, pois Nossa Senhora prometeu seu triunfo, portanto, vitória daqueles que combatem sob a sua proteção.

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