Setembro de 2007
Quilombolas: uma nova Reforma Agrária, ainda mais ampla e radical
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Infiltração religiosa — Missa dos Quilombos

Uma corrente sociológica de cunho marxista ganhou mais força e penetração popular quando se infiltrou nos meios católicos, através da tristemente conhecida Teologia da Libertação, fazendo com que a bondade fosse substituída pela “libertação dos oprimidos” — pobres, negros e índios — contra o branco colonizador e opressor.

Um evento marcante e simbólico dessa corrente teológica foi a encenação, no Recife, da Missa dos Quilombos, pela primeira vez em 22 de novembro de 1981, e depois repetida em diversas ocasiões.

Incitamento ao ódio e à luta de classes e de raças tem marcado a atuação da esquerda católica através das pastorais do negro, da terra e dos índios, contrariando o ensinamento tradicional da Igreja e dos Papas, bem como a atuação brilhante e dedicada dos santos missionários evangelizadores.

O presidente Lula criou uma Secretaria com status de ministério — a da Igualdade Racial — que, apesar do nome, fomenta a diferença racial e o sentimento de ódio. A ministra Matilde Ribeiro declarou em entrevista à BBC Brasil — reproduzida por vários jornais — que “não é racismo quando o negro se insurge contra um branco. A reação de um negro de não querer conviver com um branco, ou não gostar de um branco, eu acho uma reação natural, embora eu não esteja incitando isso” (“Veja”, 4-4-07).

Campos Novos (SC): município convulsionado pelo INCRA

Dr. Cirilo Rupp, advogado e vice-prefeito de Campos Novos (SC)

Dr. Cirilo Rupp, 65 anos, advogado e vice-prefeito de Campos Novos (SC), descende de alemães e se diz apaixonado pelo município e pela harmonia de seu povo. Foi logo dizendo: “Fui casado com uma negra, tenho três filhos negros, embora eu seja quase puramente alemão, razão pela qual eu posso falar com total isenção, pois não tenho preconceito. Meus filhos são homens bem formados, tenho por eles uma verdadeira adoração. Este é o Brasil que nós queremos!”.

Com eloqüência e didática, Dr. Cirilo explica o conflito criado: “O processo da Invernada dos Negros constitui verdadeira afronta ao Direito e à Justiça. Em 1877, Matheus Martins de Souza fez testamento no qual deixava para seus 11 escravos, dos quais três já alforriados, e os outros oito que deveriam ser alforriados. Acontece que ele fez um testamento com algumas cláusulas incompatíveis com o nosso Direito, deixando as terras com a condição de inalienabilidade e impenhorabilidade, o que o nosso Direito não contempla”.

Documentos que demonstram ser a capela legítima propriedade da Ordem Terceira.

E prossegue: “Razão pela qual, em 1928, um advogado, homem íntegro, começou a fazer a ação de usucapião, pois era manso e pacífico que aqueles afro-descendentes moravam naquela região e ocupavam aquelas terras, já decorrido o prazo prescricional para efeito de obtenção do usucapião. Em 1942 saiu a sentença, muito bem prolatada, com argumentos jurídicos, e que prevalece até hoje. Ele explica que o advogado, na época, arcaria com todas as despesas e riscos do processo, e por esse motivo, ficaria com a metade da área para cobrir os custos. Quanto à outra metade, ela foi dividida em 32 quinhões, correspondendo ao número de herdeiros dos antigos escravos”.

“Isto aqui era um verdadeiro sertão. Não havia estradas. Tudo que saía daqui era por trilhas. Era um matão! Como a situação continuava ainda muito difícil, vários deles venderam as terras e foram para outras regiões. Como os que ficaram não tinham meios de subsistência, continuaram a trabalhar prestando serviços aos fazendeiros. Foi a partir de 1942 que começou o esvaziamento da comunidade da Invernada dos Negros, e eram então 32 os que detinham a posse daquelas terras.

Capela de São Francisco da Prainha.

Na década de 1950 surgiram as primeiras serrarias. À época, não havia impedimento nenhum do corte de madeira, e toda ela foi vendida para as madeireiras. Chegamos a ter aqui cerca de 230 serrarias. Os afro-descendentes, através de escritura pública, venderam os seus pinhais, obtendo alguns recursos. Mas nada, absolutamente nada, foi tomado deles”.

Era uma região inóspita. Nem sal chegava para fornecer ao gado, que tem necessidade do sal para se desenvolver. Para ir a Florianópolis de carro, demorava-se dois dias”.





Culturas diversas se completam amistosamente
num só povo

Plinio Corrêa de Oliveira

Em sua magistral obra Projeto de Constituição angustia o País, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira alertou os constituintes de 1988 para a tendência de separação de culturas: “Culturas diferentes podem — servatis servandis — conviver e completar-se amistosamente, a ponto de constituir gradualmente um só povo, uma só nação. Foi o que se deu, por exemplo, e em considerável medida, com a cultura romana, a qual conviveu com as culturas de outros povos sem lhes estancar a vida nem as características. E isto ainda muitos séculos depois de o Império Romano ter sumido na voragem da História. Ela permaneceu como uma luz e um estímulo para todos os povos que provinham do Império por alguma continuidade étnica, cultural ou histórica, e até para povos que destruíram o Império e não obstante foram irrigados, com o correr do tempo, pela influência latina da Igreja Católica. O exemplo mais característico de tal fato quiçá seja a exemplar fidelidade dos povos germânicos à cultura latina.

“Por fim, há que acrescentar que, em se tratando de um povo compactamente católico como o brasileiro, a presença da Igreja Católica nesse assunto não pode de nenhum modo ser subestimada. Desde suas origens, a Igreja se tem mostrado admiravelmente exemplar no equilíbrio de seu duplo movimento centrípeto (a confluência de todos os povos para a Cátedra de São Pedro, em Roma) e centrífugo (a expansão dessa influência por todo o universo).

“Esse equilíbrio, que deixa ver a santidade sobrenatural da Igreja, conduz ao fato de que ela atrai todos os povos a Jesus Cristo, Salvador e Redentor deles. E, de outro lado, que ela O leva a todos eles” (Projeto de Constituição angustia o País, Catolicismo, Ed. Extra, SP, 1987, p. 172).

Outro pensador respeitável, que mostrou a importância do negro na construção de nossa cultura, do nosso jeito de pensar, de agir e de falar, foi Gilberto Freyre. Conforme Ali Kamel (Não somos racistas, p. 17), “Gilberto Freyre enalteceu a figura do negro, dando a ela sua real dimensão, sua real importância. A nossa miscigenação não é a nossa chaga, mas a nossa principal virtude”.

A procuradora Roberta Fragoso M. Kaufman –– autora do livro Ações afirmativas: necessidade ou mito, estudiosa do assunto –– fala do “caldeamento dos portugueses com índias e escravas. A conjunção de raças favoreceu a formação de um povo altamente miscigenado. Não é à toa, por exemplo, que a análise do DNA de Daiane dos Santos e do Neguinho da Beija-Flor mostra forte ascendência européia, maior até que africana”.

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