Setembro de 2007
O inferno existe - II
Comente
Leia os comentários
Envie para amigos
Versao para impressão
Leitura Espiritual

O inferno existe - II

Depois da introdução do livro do Pe. Beltrami,(*) publicada na edição anterior, que expôs algumas considerações doutrinárias acerca do inferno, passaremos à transcrição de alguns exemplos

Juízo Final (detalhe) – Fra Angélico, séc. XV. Museu de São Marcos, Florência (Itália)

“Um dia uma alma santa meditava sobre o inferno, e considerando a eternidade dos suplícios –– aquele terrível nunca e o terrível sempre –– ficou bastante impressionada, porque não compreendia como se pudesse conciliar essa severidade sem medida com a bondade e outras perfeições divinas. E dizia:

— Senhor, eu me submeto aos vossos juízos, mas permiti-me: não sejais demasiado rigoroso.

— Compreendes o que seja o pecado? Pecar é dizer a Deus: não vos obedecerei; pouco se me dá vossa lei; rio-me de vossas ameaças.

— Vejo, Senhor, como o pecado é um monstruoso ultraje à vossa divina majestade.

— Pois bem, mede, se podes, a grandeza desse ultraje.

— Compreendo, Senhor, que esse ultraje é infinito, porque vai contra a majestade infinita.

— Não se exige, então, um castigo infinito? Porém, como tal castigo não pode ser infinito quanto à intensidade, sendo a criatura limitada, requer a justiça que seja infinito ao menos quanto à duração: portanto, é a mesma justiça divina que exige o terrível sempre e o terrível nunca. Os próprios condenados serão obrigados, mau grado seu, a prestar homenagens a esta justiça e exclamar em meio aos tormentos: ‘Sois justo, Senhor, e retos os vossos juízos’ (Sl 118).

* * *

Mas, os incrédulos replicam: Deus é tão misericordioso, que não castigará eternamente um pecado mortal só, o qual às vezes dura um instante. Que proporção há entre a breve duração da culpa e a eternidade da pena?

A isto respondemos que a misericórdia não é em nada contrariada pela justiça, a qual exige seja castigado eternamente o pecado de uma pessoa que tenha morrido impenitente, visto que, de certo modo, o pecado de tal pessoa é eterno, porquanto a sua voluntária disposição presente, admitindo morrer no pecado, merece uma pena eterna. Até a justiça humana, imagem da justiça divina, castiga por vezes a falta passageira com a pena, de certo modo eterna, que é o exílio perpétuo. De modo que, se o exilado vivesse sempre, para sempre seria banido da sua pátria. [...]

* * *

Aconteceu na Itália [um dos exemplos que Mons. Ségur narra em seu livro sobre o Inferno]:

Em 1873, em Roma, alguns dias antes da Assunção, uma moça de má vida machucou uma das mãos e foi levada para o Hospital da Consolação. Ou porque o sangue estivesse muito deteriorado, ou porque sobreviesse grave complicação, a infeliz morreu naquela noite.

No mesmo instante uma de suas companheiras, que não sabia o que acontecera no hospital, pôs-se a gritar desesperadamente, a tal ponto que acordou toda a vizinhança e provocou a intervenção da polícia. A companheira que morrera no hospital lhe aparecera envolvida em chamas, e dissera: “Estou condenada, e se não queres condenar-te também, sai deste lugar infame e volta a Deus”.

Nada conseguia acalmar a agitação da jovem, que bem cedo abandonou aquela casa, deixando todos atônitos, especialmente depois de divulgada a notícia da morte da companheira no hospital”.

_________

(*) Pe. André Beltrami, O Inferno existe, in Leituras Católicas de Dom Bosco, Escola Industrial Dom Bosco, Niterói, 1945, pp. 22-23

Comente
Leia os comentários
Envie para amigos
Versao para impressão