Setembro de 2007
Devolvidos às garras do regime comunista de Cuba
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Destaque

Devolvidos às garras do regime comunista de Cuba

A imediata deportação dos pugilistas cubanos, campeões mundiais do boxe: uma exigência de Fidel Castro, prontamente atendida pelo governo brasileiro.

Paulo Roberto Campos


Por que um brasileiro pode viajar para qualquer outro país, e depois, segundo sua vontade, retornar ou não? Tal pergunta nem precisa de resposta, que é óbvia, e o mesmo se dá em qualquer outra nação. Será realmente assim “em qualquer outra nação”? Não, pois nos países dominados pelo regime comunista isso não ocorre. Cuba é um exemplo próximo.

A liberdade de ir e vir é um direito humano básico, mas na ilha de Fidel Castro ela não existe. E a razão é a mesma pela qual, antes da derrubada do Muro de Berlim, um alemão oriental não tinha o direito de ir e vir. Havia ordem expressa de abrir fogo contra todos –– homens, mulheres ou crianças –– que tentassem escapar para o lado ocidental. É a “liberdade” oferecida pelos comunistas, mas que vigora apenas antes de assumirem o poder. Depois...


Em Cuba não há um similar Muro de Berlim, mas há um campo minado de águas e tubarões, que impede os cubanos de sair do “paraíso” de Fidel. Mesmo assim, centenas de milhares de cubanos conhecidos como balseiros, em embarcações frágeis e improvisadas, correndo risco de naufrágio ou de serem devorados pelos tubarões [fotos abaixo] já tentaram a sorte a fim de viver bem longe daquele “paraíso”. É lamentável que existam situações como essa, mas o mais trágico é que no Brasil ainda há “apóstolos” de tal “paraíso”. Uma situação realmente muito estranha.

Entretanto, o que causou mais estranheza foi a atitude do governo brasileiro deportando os dois pugilistas cubanos que vieram ao Brasil para as competições nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro. Também causou muita estranheza a extrema eficácia e rapidez da polícia em localizar, capturar e remetê-los para “el comandante Fidel” — um gesto “muy amigo”.

Na tentativa de tornar menos vergonhosa essa deportação, inventou-se uma história rocambolesca, que terminava com os dois atletas pedindo para voltar a Cuba. Não é preciso dizer que ninguém acreditou.

Os dois “traidores del pueblo” — segundo Fidel

Que crime os dois atletas cubanos cometeram? Apenas pretendiam morar e atuar em um outro país como tantos outros desportistas no mundo

Apesar do cerrado patrulhamento — no velho estilo da KGB soviética — sobre a delegação dos desportistas cubanos, no dia 22 de julho dois boxeadores conseguiram abandonar a Vila Pan-Americana no Rio; o que não é raro acontecer por ocasião de viagens de atletas de Cuba, muitos dos quais aproveitam a primeira chance para escapar da opressão comunista. Os dois pugilistas –– Guillermo Rigondeaux Ortiz, 26 anos (considerado o melhor boxeador no momento, bicampeão mundial e olímpico na categoria de amadores peso-galo — até 54 kg) e Erislandy Lara, 24 anos (campeão mundial dos meio-médios — até 69 kg) –– desejaram levar uma vida longe das barbas e das garras de Fidel Castro. Este qualificou ambos fugitivos de “traidores del pueblo” e “atletas mercenários”, decretando que nunca mais voltarão a sair de Cuba.

Que crime eles cometeram? Apenas pretendiam morar e atuar em um outro país. Uma pretensão muito corriqueira entre atletas brasileiros, que partem para outras nações com o objetivo de receber melhores salários, etc.

“O Estado brasileiro a serviço da polícia política de Fidel”

Guillermo Rigondeaux

Apesar de os “desertores”, Rigondeaux e Lara, terem recebido visto de permanência no Brasil por 90 dias, eles foram deportados para a ilha-prisão. O regime comunista de Havana obteve do governo brasileiro o que desejava. Foi impressionante a “rapidez e eficácia” da polícia nesse caso, contrariando a legendária lentidão bem conhecida no Brasil. Só se compreende tal presteza por uma enorme vontade em atender diligentemente o absurdo pedido do “companheiro Fidel”.

Nesse sentido, Elio Gaspari foi taxativo em artigo publicado na “Folha de S. Paulo” de 5-8-07: “Lula colocou o Estado brasileiro a serviço da polícia política de Fidel Castro. [...] Pouco teria custado ter oferecido aos dois um período de graça para que fossem entrevistados por organismos da sociedade civil e por representantes da Comissão de Justiça e Paz da CNBB. [...] O argumento policial segundo o qual Rigondeaux e Lara eram estrangeiros que permaneciam ilegalmente no país é digno das meganhas comunistas. Se a polícia-companheira está preocupada com imigrantes ilegais, pode encher um estádio em horas, bastando-lhe varejar alguns pontos do Rio e de São Paulo. O aparelho do Estado brasileiro deteve Rigondeaux e Lara a serviço da repressão cubana, o resto é conversa fiada”.

Só Deus sabe o que agora acontecerá com os “fugitivos”


Para Luiz Felipe Lampreia, ex-ministro das Relações Exteriores, “foi um ato vergonhoso” (declaração a “O Estado de S. Paulo”, 10-8-07). O ex-chanceler está entre os que não acreditam na versão dada pela Polícia Federal, de que os dois boxeadores voltaram para seu país porque assim o desejaram. Lampreia afirmou: “Evidentemente eles não queriam voltar, e foram mandados para aquela ditadura horrorosa pelo governo brasileiro. Deus sabe o que vão passar lá”.

A prisão dos esportistas, campeões do mundo, mantidos incomunicáveis e deportados às pressas, não se justifica. Esse é o entendimento do procurador regional da República, Artur Gueiros: “Artur Gueiros estranhou a detenção e a posterior deportação dos pugilistas cubanos. Autor de uma tese de doutorado sobre presos estrangeiros no Brasil, Gueiros disse que, se os esportistas estavam com o visto de permanência regularizado e não cometeram qualquer ilegalidade no país, teriam direito de permanecer no Brasil até o prazo concedido, como prevê o Estatuto dos Estrangeiros (Lei 6.815/80)” (“O Globo”, de 7-8-07).

“Razões de segurança” — frustrada uma deserção em massa

Notícias recentes indicam que o avião para recolher os atletas foi enviado por Hugo Chávez, grande amigo de Fidel

Mas o octogenário governante comunista temia o pior. Fidel Castro foi informado — certamente pelos agentes secretos infiltrados na delegação cubana para vigiá-la diuturnamente — a respeito de um plano de deserção em massa de seus atletas. Provavelmente isso ocorreria na madrugada de sábado, 28 de julho, um dia antes do encerramento dos jogos olímpicos. O comandante cubano, alegando “razones de seguridad”, ordenou o imediato retorno dos 230 integrantes da delegação do país comunista. Foi uma correria inimaginável: malas feitas em poucos minutos; bagagens e equipamentos jogados em dois caminhões; tumulto nos seis ônibus que rumaram para o Aeroporto Internacional Tom Jobim, onde os aguardava um avião fretado para o retorno. Notícias recentes indicam que o avião para recolher os atletas foi enviado por Hugo Chávez, grande amigo de Fidel. Sequer puderam esperar pela cerimônia de encerramento dos jogos. Alguns deles, obrigados a embarcar sem receber as medalhas conquistadas. O sonho da fuga em massa foi frustrado.

Onde estavam os “defensores dos direitos humanos”?


Nosso País, que sempre se caracterizou pelo comospolitismo, dando bom acolhimento a todos — infelizmente, até para criminosos que aqui ficam, na certeza de não serem deportados —, ficou chocado com a brutal deportação dos dois campeões mundiais do boxe. Mas também chocado com a omissão de certas ONGs ligadas à esquerda católica e com os movimentos tidos como defensores dos direitos humanos. Estes sempre aparecem para defender direitos humanos de esquerdistas, bandidos, terroristas e outros do gênero. Mas na ocasião de praticar um gesto nobre, de defender os justos direitos dos pobres pugilistas, não viram nada, não ouviram nada, sumiram...

Nessa “omissão”, não há uma clara tentativa de ajudar a manter no poder o eterno dirigente caribenho e seus sequazes? De ajudá-los a continuar escravizando o povo, como já o fizeram por intérminos 48 anos? Assim, resta a nossos irmãos cubanos agir e pedir à Divina Providência que apresse o dia em que Cuba — a antiga “Pérola das Antilhas”, hoje transformada num “inferno” — se veja livre das garras marxistas. Por enquanto, para sair do cárcere fidelcastrista, é mais fácil aventurarem-se pelos mares, correndo todos os riscos e enfrentando tubarões, que pedir asilo político no Brasil. Pobre e triste Cuba! Pobre e triste Brasil!

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