Entre Igreja e Estado: união ou separação?
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Carta do Diretor

Caro leitor,

Entre Igreja e Estado: união ou separação?

Levantar tal problema é o mesmo que perguntar sobre a pertinência da união entre alma e corpo. É evidente que o corpo sem alma não subsiste, morre e entra em decomposição. Concisamente, nos responde Leão XIII: “A Igreja sem o Estado é uma alma sem corpo. O Estado sem a Igreja é um corpo sem alma”.

Em razão do relativismo dos tempos modernos, até mesmo princípios evidentes vêm sendo corroídos, discutidos, negados e olvidados. A doutrina católica a respeito da união entre Igreja e Estado é posta em dúvida pelos propugnadores do laicismo.

Assim, o tema é de suma importância para a vida de todos os católicos, pois, em nossa época, há os que pregam a obrigatoriedade do Estado laico; o divórcio entre Igreja e Estado; a abolição do ensino religioso e das orações nas escolas; a eliminação dos “dias santos” nos calendários; a retirada de símbolos católicos (crucifixos, por exemplo) dos lugares públicos, como hospitais, parlamentos, colégios, prefeituras etc.

Catolicismo, em sua missão de reafirmar verdades que estão sendo esquecidas, demonstra, na matéria de capa desta edição, como a ordem espiritual nada tem de contraditória em relação à ordem temporal, mas que elas devem complementar-se harmoniosamente, como sucede com a alma e o corpo.

É nesta vida temporal que o homem caminha para atingir seu fim último, que é a glória de Deus, a salvação de sua alma e a eterna bem-aventurança. Logo o Estado, além de promover a prosperidade pública, deve criar condições que favoreçam o progresso espiritual dos povos — é o fim sacral do Estado, que se realiza no regime de união entre Igreja e Estado.

Isso não significa afirmar que nós — que estamos defendendo em tese a união entre a Igreja e o Estado — a desejamos na prática para os dias atuais. O regime de união entre os poderes espiritual e temporal é o ideal; mas dadas as circunstancias concretas de nossos dias (por exemplo, devido à infiltração esquerdista e progressista nos meios católicos e à penetração de erros do liberalismo nos Estados do mundo moderno), tal regime poderia gerar, em muitos casos, problemas ainda mais graves à sociedade humana.

Roguemos à Divina Providência para que suscite as condições necessárias a que uma efetiva e feliz união entre Igreja e Estado possa dar-se de modo frutuoso. O que ocorrerá certamente com o triunfo do Imaculado Coração de Maria, profetizado em Fátima. E também previsto por São Luís Grignion de Montfort em sua célebre obra Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem, quando discorre sobre o advento do Reino de Maria.

Desejo a todos uma boa leitura, mediante a qual o leitor melhor compreenderá a beleza de uma sociedade temporal sacral, ou seja, organizada segundo os princípios imutáveis da Santa Igreja Católica Apostólica Romana.

Em Jesus e Maria,

Paulo Corrêa de Brito Filho
Diretor


paulobrito@catolicismo.com.br


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