A Graça Santificante (Parte IV)
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Leitura Espiritual

A Graça Santificante (Parte IV)

Após as distinções entre ordem natural e ordem sobrenatural — de que tomamos conhecimento na parte III —, Mons. Zaffonato responde à pergunta: Qual é a essência do sobrenatural?

Cristo é Deus e homem; todas as suas ações têm dignidade e valor infinitos
A essência do sobrenatural é o dom de Deus, porque Deus dá ao homem não uma coisa, mas a Si mesmo, pela participação imediata e direta e pela união da natureza. Participação que será um dia realizada plenamente na glória, mas que hoje tem o seu germe necessário na graça. Com isso entramos na família de Deus e temos o direito ao seu próprio gáudio.

Sublimidade do sobrenatural! Tinha razão Jesus ao chamá-lo “tesouro escondido”, “pérola de preço inestimável”. Tinha razão em dizer à Samaritana: “Ó, se tu conhecesses o dom de Deus!”

Com a elevação ao estado sobrenatural, o homem poderá alcançar algum dia a visão intuitiva de Deus, isto é, verá Deus em Si mesmo, face a face, e poderá gozar o que Ele mesmo goza. Este é o seu fim sobrenatural. No Paraíso será realizada de um modo completo a divinização do homem, embora ele permaneça sempre criatura e seja glorificado segundo os seus méritos.

Para conseguir o seu fim, terá os meios proporcionais: a revelação sobrenatural o põe em contacto com as verdades, que de outro modo permaneceriam escondidas no segredo de Deus; a graça, tornando-o partícipe da natureza divina, “sobrenaturaliza” a sua atividade e o faz deste modo capaz de atos meritórios para a vida eterna. A lei divina positiva confirma e aperfeiçoa a lei natural. Inúmeras graças atuais ajudam as suas potências no movimento sobrenatural. [...]

A graça eleva a natureza humana

A Encarnação do Filho de Deus é a forma supereminente e excepcional do sobrenatural. Nela a natureza divina une-se à natureza humana na Pessoa do Verbo, e o Verbo não modifica nem funde a natureza humana assumida: esta continua a subsistir n’Ele. Do que resulta este extraordinário prodígio: Cristo é Deus e homem; todas as suas ações, mesmo as mínimas, têm dignidade e valor infinitos pelo fato de pertencerem à Pessoa Divina. A união é verdadeiramente substancial, e temos aqui um sobrenatural de caráter único.

Na graça santificante, comum a todos os justos deste mundo, e na visão beatífica da qual será o fruto eterno, Deus, com a sua natureza, se une ao pobre homem. Com isso Ele toma posse de nossa natureza, modificando-lhe divinamente as capacidades de ação. Estas tornam-se deiformes, super-elevadas, capazes de alcançar Deus em Si mesmo para vê-Lo face a face e para gozá-Lo eternamente. Esta modificação divinizante, porém, não transforma substancialmente o nosso ser humano.

Temos aí a forma ordinária ou comum do sobrenatural.

Isso significa que Deus se dá ao homem com uma comunicação direta por meio da união. É o Pai que, por sua pura bondade, deseja difundir a sua vida divina; é o Filho, que vem produzi-la com a sua Paixão e Morte; é o Espírito Santo, que vem irradiá-la em nossas almas para ungi-las e consagrá-las como templos vivos da Divindade.(*)

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Nota:

(*) Mons. Giuseppe Zaffonato, O Dom de Deus – Reflexões sobre a Graça Santificante, Edições Paulinas, São Paulo, 1959.

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