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Ação Contra-Revolucionária

Academia São Luís de Montfort encerra mais um ano letivo

Francisco José Saidl

A St. Louis de Montfort Academy é uma escola independente para jovens entre a 7ª e 12ª séries. Fundada em 1995 e localizada na cidade de Herndon, Pensilvânia (EUA), é dirigida por membros da Sociedade Americana de Defesa da Tradição, Família e Propriedade (TFP).

No último sábado do mês de maio, nas instalações da academia, comemorou-se o encerramento do ano letivo com almoço servido aos familiares dos alunos e amigos, durante o qual a fanfarra da academia executou vários números. Prêmios foram distribuídos na ocasião pela assiduidade, respeito aos professores, aplicação e bom comportamento.

No domingo, após a missa celebrada na igreja da Transfiguração na cidade de Shamokin, o Sr. John Ritchie, coordenador da Ação Estudantil Universitária, dirigiu palavras de encorajamento aos alunos, acentuando o fato de que muitas vezes a ação de uma só pessoa pode ter uma importância relevante. Destacamos os seguintes trechos de seu discurso:

“Eu me lembrei de um homem que praticou grande feito sozinho, comprovando que o curso da História pode ser mudado por apenas um homem.

No domingo de Páscoa de 1972, o exército comunista do Vietnã do Norte planejou uma invasão maciça do Vietnã do Sul. Duas divisões de infantaria, num total de 30 mil soldados, deveriam atacar com artilharia pesada. O objetivo era capturar uma ponte estratégica sobre o Rio Cua, junto à cidade de Dong Ha.

Defendendo Dong Ha, havia apenas um batalhão de mariners composto de 700 homens. Sobre eles recaía o grave dever de barrar os 30 mil soldados comunistas. No comando estava o então capitão John W. Ripley. Eram 42 contra 1, uma luta completamente desproporcionada.

‘Defender a ponte’, foi a ordem do comandante.

Enquanto a artilharia começava a atacar, matando inocentes vítimas civis, os tanques aproximam-se da ponte prestes a cruzá-la. Desdenhando sua segurança pessoal, Ripley deslocou-se em direção ao local estratégico. Por longas horas, debaixo de intenso tiroteio, trabalhou para instalar explosivos sob a maciça estrutura de aço e cimento. A ponte era protegida por afiados rolos de arame farpado do tipo navalha. Caminhando com cerca de 100 quilos de explosivos, Ripley teve que rastejar até cada pilastra da ponte, tentando desviar-se do arame farpado, para instalar em cada uma a carga de explosivo necessária. Estava só. Exausto, sangrando, as forças pareciam faltar-lhe.

Nesse momento, quando tudo parecia perdido, ele compôs e rezou uma simples oração debaixo daquela ponte. A cada braçada, ele exclamava em alta voz: ‘Jesus, Maria, fazei-me chegar até lá!”.  Sua súplica foi ouvida, a ponte explodiu, e a ofensiva inimiga foi barrada. Um único mariner e uma oração impediram a invasão.

O que este ato heróico tem a ver conosco?

Não vivemos em tempo de paz, mas em tempo de caos. A sociedade está em crise. Não me refiro à crise econômica. Há uma batalha que se trava em nosso solo, a batalha pela preservação da alma verdadeira da América. Existe um combate espiritual, moral e cultural que se desenvolve em nossa nação.

Pensemos apenas no modo como o casamento tradicional, segundo a ordem estabelecida por Deus, está sendo atacado; como todo tipo de perversidade existe; como o aborto continua a matar milhões de inocentes; como as experiências com células-tronco embrionárias são promovidas nos altos escalões do governo; como a instituição da família vai sendo destruída paulatinamente.

Existe mais algo digno de nota a respeito do hoje falecido coronel Ripley. Mais de uma vez ele defendeu diante do Congresso Americano os valores morais, arriscando sua carreira militar. Após um de seus discursos, ele afirmou: ‘Eu já vi inúmeras formas de coragem, mas a que eu mais admiro acima de tudo, mais do que a coragem física, é a coragem moral em defesa dos princípios que são negados’.

Vivemos numa época em que uma grande coragem moral é pedida, um tipo de coragem capaz de fazer o que é certo sem medir o custo que isto representa. A coragem católica funda-se na fé, nas convicções profundas. Convicções que são adquiridas no estudo, na oração e reflexão, no combate interior contra as más inclinações, na prática da pureza e na decisão de viver para Deus em prol da causa católica.

Caros estudantes, a sua escola convida-os a adquirir a coragem moral, para enfrentar a vida. Como católicos, sois convidados ao heroísmo.

Em minha opinião, a Academia é uma escola de elite, pelos ideais nobres que representa, e muitos de vocês já deram demonstração deste heroísmo em muitas oportunidades. Lembro-me de quando o filme blasfemo O Código Da Vinci foi projetado próximo à Universidade de Bucknell. Estudantes da Academia mostraram grande coragem moral, postando-se em frente ao cinema e rezando o rosário em reparação. Nessa ocasião, um provocador em atitude de sarcasmo exclamou: ‘Se vocês são pela tradição, deveriam estar rezando em latim’. Imediatamente o encarregado ordenou: ‘Jovens, a partir de agora terminem o rosário em latim’. E todos assim fizeram.

Lembro ainda como a Academia organizou a recitação anual do rosário em praças públicas, em louvor a Nossa Senhora de Fátima, nas escadarias do Capitólio em Harrisburg. Ano após ano, os alunos têm proclamado sua fé em locais públicos, seguindo o exemplo de seu patrono, São Luís Grignion de Montfort.

Durante o outono passado, viajei para a Califórnia, Arizona e Flórida com um grupo de acadêmicos graduados, e ali passamos 40 dias numa campanha em defesa do casamento tradicional. Vi a coragem moral que eles demonstraram, em meio ao liberalismo reinante nas universidades, incluindo a de Berkeley, na Califórnia. Vi mais de dez vezes os ativistas homossexuais queimando seus folhetos, cuspindo e insultando os acadêmicos. Uma academia que forma jovens assim, não é freqüente encontrar-se em nossos dias.

Mais recentemente, a Academia esteve presente na Universidade de Notre Dame. No momento em que o avião presidencial Air Force One tocava o solo, eles rezavam o rosário, demonstrando desagrado pela homenagem prestada por aquela universidade católica ao presidente Obama, que é abortista.

Termino com uma palavra de gratidão ao Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, fundador da TFP brasileira, por sua inspiração em fundar esta Academia. Ele foi um exemplo vivo de espírito de cruzada, homem de grande coragem moral, que atraiu almas para praticar grande devoção à Santíssima Virgem. Se ele estivesse entre nós hoje, estou seguro de que nos aconselharia: 'Uma devoção ainda maior a Nossa Senhora’.

Vivemos em tempos difíceis. Entretanto, quando tudo na situação atual parece não apresentar esperança, lembrem-se da oração do coronel Ripley sob a ponte: ‘Jesus e Maria, fazei-me chegar até lá!’ Se combatermos o bom combate, se soubermos rezar, e sobretudo se soubermos confiar, Nossa Senhora não nos abandonará”.

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