Fevereiro de 2018
A Salve Rainha — V
Leitura Espiritual

A Salve Rainha — V

Após as sublimes invocações da Salve Rainha comentadas na última edição, seguem novas súplicas dos “degredados filhos de Eva”, que nos reportam aos mais elevados títulos da Santíssima Virgem

Eia, pois, Advogada nossa

A Virgem e o Menino –– Duccio di Buoninsegna (séc. XIII)
Retrocede o autor da oração, após a introdução, e volta-se para a Virgem Santíssima, a fim de insistir ainda mais no pedido, e a invoca com um novo título: Eia, pois, Advogada nossa.

E, com efeito, faltava esta suprema invocação, que envolve nada menos que as duas funções mais augustas que a Virgem desempenha no Céu com relação a nós: a de Intercessora e a de Mediadora, contidas no título de Advogada. [...]

É nossa intercessora porque, como sabemos, é nossa mãe na ordem sobrenatural da graça; e sendo-o, deve contribuir por todos os meios possíveis para dar-nos e conservar-nos essa vida, de modo semelhante ao que fazem com seus filhos as mães segundo a natureza.

Mas como ela não pode, por si, dar-nos tal vida sobrenatural da graça, nem fazer-nos recobrá-la quando pelo pecado a perdemos, é necessário que interceda junto a seu Divino Filho, fonte da graça, para que no-la conceda, no-la conserve e no-la devolva uma vez perdida.

Esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei

Chega, por fim, o momento de fazer a desejada petição. Qual será? Muito interessante e extraordinária, sem dúvida, pois vai precedida de um preâmbulo tão magnífico e grandiloqüente. Muito piedosa e bela será, pois o que a dirige é um grande santo, um inspirado poeta, uma alma verdadeiramente inflamada no amor da Virgem, o mais belo e santo ideal que existe na ordem da graça depois de Jesus Cristo. [...]

Esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei: que é, sem dúvida, uma das mais formosas e felizes frases desta oração, porque, com efeito, não há para nós, os degredados filhos de Eva, que gememos e choramos neste vale de lágrimas, outros olhos como os da Virgem Mãe de Jesus Cristo, tão belos, doces, delicados e compassivos, pois têm o maravilhoso privilégio de curar, ou aliviar nossas dores somente olhando-nos.

Felizes aqueles a quem Ela olhe com seus preciosos olhos, pois a doce claridade de seu olhar ilumina o espírito crente com suaves resplendores, preserva o coração das paixões insanas, consola e conforta o espírito abatido e entristecido pelas penalidades e sofrimentos da vida, elevando-nos às alturas de onde não se respira o ambiente das misérias humanas.