Fevereiro de 2000
Força propulsora da Contra-Revolução
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Revolução e Contra-Revolução

Plinio Corrêa de Oliveira
 
Plinio Corrêa de Oliveira apontou (final do Cap. VIII, Parte II) alguns meios para a conversão de um revolucionário. Nos ítens a seguir, ele escreve sobre o dinamismo da Contra-Revolução, sua invencibilidade e a importância da vida sobrenatural, a qual eleva o ser humano acima da natureza decaída.

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Capítulo IX

Força propulsora da Contra-Revolução

Existe uma força propulsora da Contra-Revolução, assim como existe outra para a Revolução.

1. Virtude e Contra-Revolução

Apontamos como a mais potente força propulsora da Revolução, o dinamismo das paixões humanas desencadeadas num ódio metafísico contra Deus, contra a virtude, contra o bem e, especialmente, contra a hierarquia e contra a pureza. Simetricamente, existe também uma dinâmica contra-revolucionária, mas de natureza inteiramente diversa. As paixões, enquanto tais – tomada aqui a palavra em seu sentido técnico – são moralmente indiferentes; é o seu desregramento que as torna más. Porém, enquanto reguladas, elas são boas e obedecem fielmente à vontade e à razão. E é no vigor de alma que vem ao homem pelo fato de Deus governar nele a razão, a razão dominar a vontade, e esta dominar a sensibilidade, que é preciso procurar a serena, nobre e eficientíssima força propulsora da Contra-Revolução.

2. Vida sobrenatural e Contra-Revolução

Tal vigor de alma não pode ser concebido sem se tomar em consideração a vida sobrenatural. O papel da graça consiste exatamente em iluminar a inteligência, em robustecer a vontade e em temperar a sensibilidade de maneira que se voltem para o bem. De sorte que a alma lucra incomensuravelmente com a vida sobrenatural, que a eleva acima das misérias da natureza decaída, e do próprio nível da natureza humana. É nessa força de alma cristã que está o dinamismo da Contra-Revolução.

3. Invencibilidade da Contra-Revolução

Catedral de Reims, onde eram sagrados os Reis de França, edificada no século XIII, verdadeiro relicário de pedra, obra-prima da arquitetura medieval e apoteose do estilo gótico.
Pode-se perguntar de que valor é esse dinamismo. Respondemos que, em tese, é incalculável, e certamente superior ao da Revolução:
"Omnia possum in eo qui me confortat" (Filip. 4, 13).

Quando os homens resolvem cooperar com a graça de Deus, são as maravilhas da História que assim se operam: é a conversão do Império Romano, é a formação da Idade Média, é a reconquista da Espanha a partir de Covadonga, são todos esses acontecimentos que se dão como fruto das grandes ressurreições de alma de que os povos são também suscetíveis.
Ressurreições invencíveis, porque não há o que derrote um povo virtuoso e que verdadeiramente ame a Deus.

Capítulo X

A Contra-Revolução, o pecado e a Redenção

1. A Contra-Revolução deve reavivar a noção do bem e do mal

A Contra-Revolução tem, como uma de suas missões mais salientes, a de restabelecer ou reavivar a distinção entre o bem e o mal, a noção do pecado em tese, do pecado original, e do pecado atual. Essa tarefa, quando executada com uma profunda compenetração do espírito da Igreja, não traz consigo o risco de desespero da misericórdia divina, hipocondrismo, misantropia etc., de que tanto falam certos autores mais ou menos infiltrados pelas máximas da Revolução.

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Continuaremos na próxima edição a reprodução do Cap. X, no qual o Autor explicita uma das missões mais salientes da Contra-Revolução.

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