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“Até quando os ímpios, Senhor, se hão de gloriar?”

Em Fortaleza, salutar reação de católicos contra peça blasfema

Os teatrinhos chamados de vanguarda costumam pipocar aqui, lá e acolá como decorrência de nossa proverbial falta de cultura. Um dos expedientes de seus metteurs en scène – a fim de  atrair alguns “gatos pingados” para suas exibições – consiste em tomar  como enredo de suas peças, se assim podemos chamá-las, temas religiosos ou sagrados.

Dr. Francisco de Assis de Arruda Furtado
Um exemplo disso acaba de se passar em Fortaleza, no católico Ceará. Com uma letra infame e blasfema, o “Monólogo ‘A’” estreou naquela capital no dia 29 de novembro último, no Teatro Radical, ao ensejo da abertura da campanha “Ato Radical Contra a AIDS”.

Tal peça, sob pretexto de combater a AIDS, exibe uma imitação blasfema e burlesca da Santa Missa, quando uma mulher de má vida, cujo nome é Maria, conspurca um cálice semelhante aos utilizados no Santo sacrifício.

A oração, mediante a qual o Anjo São Gabriel  saudou a Mãe de Deus e que os séculos perpetuaram - “Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é conVosco, bendita sois Vós entre as mulheres e bendito é o fruto de Vosso ventre, Jesus”-, vem apresentada de modo blasfematório com adaptações ignóbeis e vis, absolutamente irrepetíveis.

Tal encenação é publicada pela imprensa diária com linguagem tão crua e imoral que torna-se impossível reproduzi-la nas páginas de Catolicismo. “Monólogo ‘A’” visa, na realidade, zombar da Igreja Católica - Corpo Místico de Cristo e a única verdadeira; de Nossa Senhora, cujas prerrogativas excelsas todos conhecemos através da Ladainha Lauretana; e da santa Missa, renovação incruenta do Sacrifício de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Representações como essa apresentam cenas de um nível tão baixo que, além do grave pecado de blasfêmia, favorecem a desagregação da sociedade, aceleram o processo de decadência da família, cujos vínculos encontram-se hoje tão frágeis, e conduzem a juventude aos maiores desvarios morais.

Justa indignação: católicos cearenses se mobilizam

O líder católico de tradicional família cearense, Dr. Francisco de Assis de Arruda Furtado, advogado e professor, membro do Instituto do Ceará, indignado com a matéria divulgada pelo matutino “O Povo”, de 29-11-99, da capital cearense, encabeçou um movimento de leigos, a fim de buscar apoio da Hierarquia católica. No mesmo dia da publicação da matéria blasfema, realizou-se uma reunião, da qual participou grande número de pessoas,  inclusive repórteres de “O Povo”.

O Dr. Arruda Furtado esteve no Palácio Arquiepiscopal, onde foi recebido por  Dom Adalberto, Bispo Auxiliar de Fortaleza, o qual passou a integrar a Comissão de contatos com as autoridades civis, e com a direção de “O Povo”.

Tendo em vista a agressividade da mencionada matéria jornalística, o Dr. Juvenal de Arruda Furtado e o engenheiro Célio Zenon Figueiredo Lima propuseram um ato de desagravo pelos ultrajes cometidos contra a Religião católica. Foram criadas igualmente comissões para promover uma representação junto à Procuradoria Geral da Justiça do Ceará, o que foi efetuada no dia 30  de novembro último, pedindo abertura de inquérito policial, uma vez que a peça fere o artigo 208 do Código Penal, que define como crime “vilipendiar publicamente ato ou objeto religioso”

Um vereador propôs à Presidência da Câmara Municipal de Fortaleza, moção de repúdio à peça, a qual foi aprovada por unanimidade.

Considerando que no dia da apresentação da peça o Sr. Arcebispo de Fortaleza, Dom José Antônio Tosi Marques, não se encontrava na cidade, a Comissão de leigos procurou-o no dia 2 de dezembro, pedindo-lhe apoio, enquanto principal Prelado da Igreja do Ceará, para que se promovessem e fizessem realizar atos de desagravos nas Missas do domingo seguinte. O Sr. Arcebispo prometeu examinar o assunto.

Na realidade, essa representação teatral constitui verdadeiro escárnio e um deboche da Religião Católica, professada pela grande maioria do povo brasileiro.

Como desagravo, compete a nós católicos implorar com o salmista: “Até quando os ímpios, Senhor, até quando os ímpios se hão de gloriar? Proferirão blasfêmias, falarão com arrogância, jactar-se-ão os que praticam a iniqüidade?” (Sl 93, 3 e 4).

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